Representantes de 27 entidades realizaram nesta segunda (10) o ato público “Corrupção: Tolerância Zero” para cobrar explicação dos envolvidos no escândalo do suposto superfaturamento da aquisição superfaturada de maquinário do programa “MT 100% Equipado”. O grupo se reuniu durante à tarde no monumento Ulysses Guimarães, na avenida do CPA. Eles reivindicaram a devolução dos recursos ao erário e pediram a exoneração do secretário-chefe da Casa Civil, Éder Moraes, que comandava a pasta da Fazenda durante a gestão Blairo Maggi (PR).
Na avaliação do membro da comissão executiva do Movimento Saúde e Democracia (MSD), Wagner Simplício, a “presença de Eder no governo é aquilo que Ulysses Guimarães chamava de 'batom na cueca', não tem como explicar”. O presidente do Sindipetróleo, Aldo Locatelli, ironizou o secretário e chegou a afirmar categoricamente que Eder tem participação nas irregularidades. “Ele não viu nada, então não tem responsabilidade? Eu sei que ele tem culpa! Ele apareceu na mídia nos últimos anos para se gabar de tudo o que fazia e desfazia. Era o verdadeiro chefe deste Estado”, criticou.
Durante o evento, a Federação Mato-Grossense das Associações de Bairros (Femab) inciou a coleta de assinaturas de pessoas físicas e entidades para um abaixo-assinado que será encaminhado aos Ministério Público Federal e Estadual a fim de solicitar providências urgentes.
O presidente do sindicato dos servidores da secretaria estadual de Infraestrutura (SindSinfra), José Carlos Calegari, pediu a demissão não só dos secretários, mas de superintendentes e diretores diretamente envolvidos no processo. “Estamos aqui, principalmente, para colocar o dedo na ferida do governador Silval Barbosa, que hoje se chama Eder Moraes”, disse o assessor jurídico do Sindicato dos Docentes da Unemat (Adunemat), Bruno Boaventura. “Juntamente com este escândalo, o concurso público foi a segunda maior fraude do governo de Mato Grosso, lesando aqueles que acreditavam entrar de forma honesta no serviço público", afirmou o advogado.
Cerca de 100 pessoas acompanharam os discursos. O presidente da Femab, Valter Arruda, disse que os manifestantes compareceram espontaneamente, segundo ele, ao contrário do que ocorreu na Marcha da Verdade, realizada pela manhã, no mesmo local, para defender o governo e a permanência de Eder no staff. “Esses dois atos servem para disseminar quem tá defendendo o interesse da população e quem tá defendendo o governo”, cutucou.