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DENÚNCIA | 07/07/2010 - 17:28

MPE investiga coordenador da Seder e secretário poconeano

Andréa Haddad

   Oitenta famílias assentadas na Fazenda Alvorada, em Poconé, denunciam o suposto desvio de parte dos R$ 3,3 milhões liberados pelo Banco da Terra para aquisição da área de aproximadamente 800 hectares e construção de benfeitorias. O coordenador da Unidade Técnica da secretaria estadual de Desenvolvimento Rural (Seder), Amauri Campos, e o secretário de Agricultura de Poconé, Atail do Amaral, o Tatá Amaral, são acusados pelos presidente e tesoureiro da Associação do Projeto de Assentamento Alvorada, Solanja Almeida Conceição Batista e Carlos de Oliveira Ramos, respectivamente, de receber propina do proprietário Sérgio Tartati para agilizar a liberação do dinheiro referente à compra da fazenda. Em depoimento ao MPE, Carlos disse que Tatá recebeu R$ 200 mil após a venda da fazenda.

   Os denunciantes afirmam que o montante superior a R$ 2,2 milhões, aproximadamente R$ 28 mil por família, valor correspondente à terra, foi transferido automaticamente para a conta do proprietário. Segundo Carlos e Solanja, a proposta de financiamento previa a entrega das casas com abastecimento de água e a construção de um poço coletivo, que ainda não saiu do papel. As 80 residências, que deveriam ser de alvenaria, foram erguidas por uma empresa terceirizada da Oxigênio Cuiabá, mas com acabamento inferior. Carlos relatou que a casa dele possui apenas uma camada de tijolos.

   Tatá Amaral também teria desaparecido com R$ 1,6 mil. Desse montante, cada família teria entregue R$ 200 para compra de alimentos, óleo para máquinas e diária dos funcionários que construiriam uma estrada de acesso ao local. “Os declarantes já procuraram a Seder diversas vezes buscando orientação e esclarecimentos quanto a esse recurso obtido junto ao Banco da Terra, mas Amauri e Tatá não os atendem mais”, dizem os denunciantes. Eles também alegam que o proprietário está depredando aos poucos as estruturas da sede da fazenda, de 40 hectares, área que considera ser dele, não passível de venda, por ser devoluta.

   Segundo Carlos, Amauri e Tatá condicionaram as famílias à contratação do engenheiro agrônomo Hilton Ney Gaiva para fazer o cadastramento do projeto, ainda não aprovado, no Pronaf a fim de obter recursos para a plantação e benfeitorias na terra. O profissional teria cobrado R$ 1,5 mil de cada família, “No caso do declarante Carlos, o projeto foi feito no valor de aproximadamente R$ 21 mil, e que, desse valor, seria estornado automaticamente R$ 1,5 mil para o engenheiro agrônomo”, dizem os denunciantes. Apesar dos associados terem aceitado a proposta, nada foi feito.


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