Se há indefinições nas candidaturas proporcionais e ao Palácio Paiaguás, em pelo menos uma coisa os tucanos são unânimes. Tratam-se das inevitáveis comparações entre os governos Dante de Oliveira (1995-2002) e Blairo Maggi (2003-2010). Os tucanos se dizem preparados para o embate e vão mais longe ao garantir que pretendem avançar nas discussões com a apresentação de propostas e não apenas mostrando os aspetos positivos do governo Dante de Oliveira, falecido em 2006. “Não podemos ficar apenas olhando pelo retrovisor”, analisa o ex-senador Antero Paes de Barros, apontado como o principal articulador da candidatura majoritária do PSDB. Na tentativa de evitar a antecipação da “guerra” de dados comparativos que deve tomar conta da campanha, Antero diz que cada governo deu a sua contribuição.
O ex-senador aponta que o governo Jayme Campos (DEM) implantou a a Unemat e planejou a instalação do sistema de energia elétrica, enquanto Dante consolidou esta ação ao privatizar a antiga Cemat. O tucano avalia que Dante também implementou um modelo de saúde ideal, abandonado pela atual gestão, além de implementar o atual sistema de educação e de consórcios regionais e municipais. “Já Maggi investiu em habitação e transporte. Os feitos do passado são importantes, mas as pessoas votam no futuro”, disse Antero, em coletiva, após uma reunião com as cúpulas estadual e nacional do partido. O encontro ocorreu nesta quinta (28), no Hotel Mato Grosso Palace, em Cuiabá.
Na ocasião, lideranças nacionais voltaram a cobrar que Antero encabece uma disputa ao Senado. “Reiteramos o pedido, mas ele fez algumas ponderações”, disse o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra. Na reunião, Antero teria se mostrado resistente à ideia e apontou a candidatura do procurador da República Pedro Taques pelo PPS como uma ótima saída para fortalecer a aliança e contemplar o PPS. O presidente nacional da sigla socialista, Roberto Freire, já fez, inclusive, convite oficial a Taques para que ingresse na sigla. Existe uma grande expectativa em torno do pedido porque o procurador está sendo muito assediado.
Além do PPS, o próprio PSDB e o PDT oficializaram convites, mas Taques avalia uma sigla que não irá compor com o presidente da Assembleia, José Riva (PP). Como os progressistas e os pedetistas estão cada vez mais próximos da chapa encabeçada por Silval Barbosa (PMDB), cresce, nos bastidores, a tese de que Taques irá mesmo para o PPS.
Em relação à candidatura majoritária, os tucanos continuam escondendo o jogo. Eles citam a todo momento o acordo feito com o senador Jayme Campos que, assim como o prefeito da Capital, Wilson Santos (PSDB), é pré-candidato ao governo pela coligação. A tão propagada finalmente vai apontar o candidato do grupo deve ser feita no final de março. Apesar disso, internamente eles apostam no nome de Wilson, que seria fundamental para fortalecer o palanque de José Serra (PSDB) na corrida à presidência da República.