Acusado pelo presidente da Câmara de Primavera do Leste, vereador Paulo Castañon Sobrinho (PMDB), de tê-lo ameaçado – veja aqui, o pai do vereador Felipe Nogueira (PR) e ex-vereador por dois mandatos, advogado José Antonio de Castro Leite Nogueira, informou, em nota, que seu filho está sendo vítima de perseguição política por parte do parlamentar.
Ele confirma que ligou para o vereador e que, na ocasião, disse que Paulo deveria responder pelo que estava fazendo, mas nega qualquer tom de ameaça. De acordo com Nogueira, o presidente do Legislativo, que teria tomado conhecimento das interceptações telefônicas que envolvem seu filho antes mesmo da conclusão do inquérito pela Polícia Civil, estaria chantageando Felipe, ameaçando-o de divulgar as informações. “O senhor Paulo Sobrinho Castañon, inescrupuloso e inconsequente, passou a usar o conhecimento que tinha acerca das interceptações para ameaçar Felipe, constrangendo-o a um alinhamento nas votações da Câmara Municipal, principalmente no caso da pretensa cassação do prefeito Getúlio Viana (PR)”, afirmou.
Ele informou ainda que Paulinho teria ido até sua residência, na véspera e no dia da sessão em que seria votada a cassação do prefeito, com o intuito de convencer seu filho a votar a favor de que Getúlio fosse cassado e, ao não encontrá-lo, teria pedido diretamente a Nogueira que convencesse Felipe. “Não satisfeito, mais tarde, o vereador Paulo enviaria à minha residência o senhor Leonardo Bortolin, um servidor da Câmara, para transmitir um último aviso a Felipe: “O presidente me disse que se você votar contra a cassação, ele vai tornar públicos aqueles papéis”, completou.
Diante da situação, o advogado destacou que não pesa sobre seu filho nenhuma investigação registrada, seja na Delegacia de Polícia do município ou no Fórum local. No entanto, o presidente da Câmara é alvo de um inquérito que apura o vazamento de informações sigilosas da Polícia, como as transcrições do registro do grampo telefônico que flagrou a conversa do vereador Felipe.
Eis, abaixo, a íntegra da nota encaminhada pelo advogado José Antonio de Castro Leite Nogueira:
"Venho a este conceituado veículo de informação para, com respeito à matéria estampada à sua primeira página, envolvendo a mim e ao vereador Felipe Garcia Nogueira, meu filho, expor o seguinte:
Moramos há 27 anos em Primavera do Leste, onde já fui vereador por duas legislaturas, além de secretário municipal de Indústria e Comércio (1996/1998) e de Educação, Cultura, Esportes e Lazer (2007/2008), não havendo, nesses períodos, nenhum ato ou decisão de minha parte da qual precisasse me escusar. Tenho as mãos limpas.
Atualmente, exerço com honradez a advocacia, profissão para a qual me habilitei em 1998, ano em que me formei pelas Faculdades de Ciências Jurídicas e Administrativas de Rondonópolis – CESUR.
Quanto ao fato exposto nesse veículo, tenho a dizer que, desde o início do ano, vimos, eu minha esposa Rosangela e meu filho Bruno, numa luta feroz para trazer Felipe de volta para a realidade. Felipe, infelizmente, a exemplo de tantos outros jovens, a despeito de todo o contexto em que foi criado, envolveu-se com o mundo das drogas a partir do final do ano passado. E, confesso, foi uma luta desumana, em que nossas principais armas foram o amor, o carinho, muita paciência e, acima de tudo, a ajuda de Deus.
As interceptações telefônicas, especificamente as que flagraram Felipe supostamente adquirindo drogas, foram feitas entre os meses de março e abril deste ano. Curiosamente, ao que parece, antes mesmo que a autoridade policial encerrasse as investigações, o senhor Paulo Sobrinho Castanon, com a vil colaboração de pessoas inescrupulosas (já sabemos quem são), já tinha conhecimento da existência das interceptações envolvendo Felipe.
É preciso dizer que, quando todos esses fatos lamentavelmente foram expostos para a mídia, já estávamos vencendo essa luta. Felipe já havia voltado para nós, até porque aquele foi um período relativamente curto, o que nos favoreceu consideravelmente em nossa missão.
Mas o senhor Paulo Sobrinho Castanon, inescrupuloso e inconsequente, passou a usar o conhecimento que tinha acerca das interceptações para ameaçar Felipe, constrangendo-o a um alinhamento nas votações da Câmara Municipal, principalmente no caso da pretensa cassação do prefeito Getúlio Viana.
Castanon, além de pressionar o vereador Felipe Nogueira no confortável recolhimento de seu suntuoso gabinete, esteve por duas oportunidades em minha casa, na véspera e no dia da sessão de votação da cassação do prefeito, para demover Felipe de sua posição, já naquele momento contrária à cassação. Aliás, nesse dia, Paulo Castanon, não sendo recebido pelo vereador, se avistou comigo, oportunidade em que me pediu que interviesse junto a Felipe, ao que lhe disse que, se me ouvisse, Felipe votaria contra a cassação.
Não satisfeito, mais tarde, o vereador Paulo enviaria à minha residência o senhor Leonardo Bortolin, um servidor da Câmara, para transmitir um último aviso a Felipe: “O ‘presidente’ me disse que se você votar contra a cassação ele vai tornar públicos aqueles papéis”.
Curiosamente, esteve em meu escritório, naquela tarde, o senhor Carlos Medrado, conhecido por “Dentinho”, articulador da CUFA em Primavera do Leste, e autor, a propósito, da denúncia contra o prefeito, dizendo que estivera naquela manhã com um grupo de traficantes que, sendo “parceiros” da CUFA (foi o que ele disse), e tendo interesse na cassação do prefeito Getúlio Viana, estavam preocupados com o posicionamento do vereador Felipe, que sabiam ser contrário à cassação. Disse-me “Dentinho” que os supostos traficantes lhe afirmaram que, caso Felipe votasse contra a cassação do prefeito, não se responsabilizariam pelo que lhe poderia acontecer. Uma ameaça!
Estranhamente, ao pegar sobre a mesa o telefone de “Dentinho”, passando-o para as mãos de meu filho Bruno, este, verificando as ligações do aparelho, percebeu que entre os contatos mantidos naquele dia através do celular, o último era exatamente com o senhor Paulo Castanon, não mais do que vinte minutos antes de ali chegar. Vale dizer que a conversa com “Dentinho” foi precavidamente gravada e o fato já é objeto de inquérito na Polícia Civil.
E o presidente acabou por cumprir a ameaça feita através do servidor Leonardo Bortolin. Após a votação na Câmara Municipal, em que Felipe votou contra a cassação do prefeito, começou seu calvário. Paulo Castanon arregimentou pessoas para esparramar pela cidade cópias dos “papéis”, além de induzir este veículo ao equívoco, sustentando existir procedimento investigatório do vereador na Câmara Municipal e por suposto envolvimento do vereador Felipe com o tráfico de entorpecentes, o que, pelo menos até o momento da publicação, inexistia.
Quanto à suposta ameaça, propalada pelo senhor Paulo Castanon, nunca existiu. Liguei, sim, para ele e para o vereador Manoel Messias, assim como liguei para o editor deste veículo, Romilson Dourado, mas em nenhum momento proferi ameaças. Disse, isso sim, ao senhor Presidente da Câmara que ele responderia pelo que estava fazendo.
E é exatamente o que estamos fazendo nesse momento. Já estão em curso dois inquéritos inaugurados pela autoridade policial, em que se investigam fatos distintos: a ameaça de “Dentinho” e o vazamento da transcrição das interceptações envolvendo o vereador Felipe Nogueira. Estamos preparando, ainda, com a ajuda de especialistas na matéria, a proposição de ações nos âmbitos cível e criminal, em face do senhor Paulo Castanon.
Vale dizer, por último, que inexistem, tanto na Delegacia de Polícia quanto no Fórum local, quaisquer procedimentos em que o Vereador Felipe Nogueira figure como investigado. Aliás, as certidões anexas comprovam o que afirmamos.
Era o que tinha a declarar, colocando-me à inteira disposição desse veículo para qualquer esclarecimento que ainda se fizer necessário."
Primavera do Leste (MT), 06 de setembro de 2010.
José Antonio de Castro Leite Nogueira