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CAIU NA REDE | 05/03/2010 - 18:21

Percival admite que pressões podem minar projeto de Mendes

Simone Alves

Percival Muniz    Presidente regional do PPS e suposto “mentor” do projeto de candidatura própria do empresário Mauro Mendes (PSB) ao governo, o deputado estadual Percival Muniz admitiu pela primeira vez que pressões do PSDB e do PR podem minar o movimento Mato Grosso Mais, formado por PDT, PSB, PPS, PV e PRTB. “Não sei até quando vamos resistir”, disse nesta sexta (5), em entrevista ao programa Tribuna do Ouvinte, da Rádio Cultura. Segundo Percival, a pressão é realmente forte. “Infelizmente algumas lideranças nossas aceitaram voltar para os braços de Wilson e, do lado do Blairo, também há influência”. Ele ainda acredita na construção de uma terceira via entre os dois grupos, mas admite que não será fácil resistir às propostas.

   Segundo ele, Mendes chegou a receber uma proposta do governador Blairo Maggi (PR) e do vice Silval, pré-candidato do PMDB ao Paiaguás, para integrar o grupo, num jantar realizado na última quarta (3) – leia mais aqui. Conforme Percival, o empresário confirmou a ele que Blairo propôs a contratação de dois institutos para avaliar qual o nome de maior peso eleitoral: Mendes ou Silval.

   O deputado, porém, demonstra desconfiança. “É uma tentativa de engabelar ou, de fato, é uma proposta maior do que aquilo que a gente previa. Na verdade, nós esperávamos o apoio desse pessoal no segundo turno. Eles querem antecipar para o primeiro. Não tem um acordo fechado, mas existe uma sugestão real”. Diante disso, Percival chegou a marcar uma reunião com os partidos que compõem o movimento Mato Grosso Mais em busca de uma definição. O encontro está marcado para o próximo dia 15.

Mauro Mendes   Segundo o deputado, a proposta de uma terceira via na disputa ao governo foi idealizada depois que os principais partidos do atual cenário político polarizam apoios e pré-candidaturas. Ele lembrou que Silval foi escolhido para encampar a disputa à majoritária pelo grupo liderado por PR, de Maggi, pelo PMDB do deputado federal Carlos Bezerra, e também pelo PT de Carlos do Abicalil e da senadora Serys Marly. “Formou-se um tripé de grandes partidos”, apontou.

   Na outra ponta, o PSDB, do prefeito Wilson Santos e do ex-senador Antero Paes de Barros, começou a formar o bloco de oposição com o apoio do PTB. “Os grandes partidos dominaram a cena política e os partidos menores começaram a ficar sem muita alternativa. Chegaram a falar que não fazia muita diferença ter o nosso apoio. Para nos unirmos a eles, nós teríamos que ir para uma casa que já estava coberta de lona e em cima da hora. Então começamos a construir uma outra alternativa”, justificou.

    Caititus e Unemat

    Numa crítica à atuação do Legislativo, Percival explicou a utilização do termo caititu num dos discursos proferidos na tribuna da Assembleia, o que gerou polêmica. “Hoje em dia o parlamento virou casa de homologação e poder assessório do Executivo, aí termina agindo como bando”, analisa.

    O deputado também defendeu a eficácia da CPI da Unemat, presidida por ele. Percival afirmou que, no máximo em 60 dias, os trabalhos estarão concluídos. “Não é perseguir ninguém, mas não esconder a verdade. Na democracia, as instituições saem fortalecidas da crise. As irregularidades encontradas serão encaminhadas ao Ministério Público”, avisou.