As constantes falhas na coleta de lixo em Cuiabá pela Qualix Serviços Ambientais Ltda, que explora os serviços mesmo com contrato de concessão vencido, são motivadas por uma dívida milionária da prefeitura. A gestão Wilson Santos, que saiu de férias por 15 dias, não pagou ainda R$ 11,7 milhões à empresa. Desse montante, R$ 7,2 milhões são pendências que se acumulam desde 2008. Os outros R$ 4,5 milhões são deste ano. Os números foram revelados ao RDNews por fontes da própria prefeitura. Oficialmente, o secretário de Infraestrutura da Capital, Euclides Santos, omite esses números, para não expor ainda mais a administração tucana. A Qualix confirma os créditos.
Na prática, a prefeitura deu calote e a Qualix, sob alegação de dificuldades financeiras mesmo com faturamento mensal superior a R$ 1 milhão e até em sinal de protesto, passou a não recolher regulamento os lixos que se acumulam nas calçadas do perímetro urbano da capital. Esse situação se agravou tanto que muitos moradores estão pagando os chamados charreteiros para fazer a retirada particular do lixo. Fretam também caminhões para o serviço que deveria ser oferecido gratuitamente pela prefeitura. Nesse caso, não se sabe o destino desses resíduos.
A Qualix deveria recolher cerca de 500 toneladas de lixo diariamente da Capital, numa rotina programada para percorrer bairros e/ou regiões três vezes por semana, mas esse serviço reduziu pela metade. Em alguns bairros, os caminhões da empresa não passam há mais de uma semana. Para amenizar a situação, o secretário Euclides, que se vê impotente para cobrar prestação de serviços de qualidade da concessionária, já que o Palácio Alencastro não paga as dívidas milionárias, deslocou servidores e caminhões para ajudar no trabalho e ainda recorreu a "coletores privados". Mesmo assim, a situação é crítica. Além da questão da sujeita, o mau cheiro do lixo acumulado exala, revolta e incomoda a população. Os comerciantes também estão na bronca.
Na região do CPA, por exemplo, os garis com os caminhões não passam há praticamente uma semana. Até no centro, se percebe lixo e sujeira em cada esquina. Acuado, Euclides Santos anunciou que a partir de 4 de janeiro a prefeitura deve contratar uma nova empresa para realizar a coleta de lixo, o que levará a suspensão do contrato emergencial com a Qualix, que opera em Cuiabá desde a gestão Roberto França (1997/2004). Argumenta ainda que a prefeitura multou a Qualix em R$ 80 mil por quebra de contrato. Com 30 caminhões e 122 funcionários, a empresa ganha da prefeitura por quantidade de lixo recolhida. O problema, pelo visto, é receber.