Os dentistas que atendem na rede municipal de Cuiabá anunciaram que só voltarão ao trabalho após sancionado o Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) da categoria. Gustavo Oliveira, presidente do Sindicato dos Cirurgiões Dentistas (Sinodonto-MT), explica que os profissionais estão aguardando o documento ser publicado na Gazeta Municipal. Conforme a proposta, a prefeitura terá que equipar as 10 clínicas de atendimento odontológico, caso contrário a greve vai continuar. Só na Capital são 135 dentistas estatuários e 145 por meio de contratos precários. “Se estamos em greve até hoje é por pura inércia da Prefeitura. O senhor Wilson Santos (ex-prefeito e candidato a governador) no início da sua gestão menosprezou à categoria. Não precisava de tantos desgastes”, argumentou.
Em 18 de janeiro deste ano, a categoria decidiu cruzar os braços até que as exigências dos profissionais fossem atendidos. À época, eles cobraram o complemento salarial no valor de R$ 500 refente ao prêmio de produtividade, apontado no PCCV da categoria. Somados ao salário-base equivalente a R$ 842, o valor chega a R$ 1,5 mil. A questão já foi acertada entre o sindicato e a prefeitura, porém, eles ainda exigem que as policlínicas sejam adequadas às condições de trabalho. “Cabe agora à prefeitura correr com a papelada. A pressa não é nossa. Nós estamos disposto a trabalhar. Aliás, o PCCV deveria ter sido votado há 3 meses”, disse.
A prefeitura, que não pode sancionar o PCCV antes de ser aprovado pela Câmara, vai ter que aguardar o parecer dos vereadores para que a proposta tenha validade. O presidente do Legislativo municipal, Deucimar Silva (PP), informou que até o momento o documento não foi entregue. Segundo ele, já que a proposta tem caráter de urgência, deve chegar ainda nesta sexta (9).
O progressista adiantou que o projeto será analisado pela equipe jurídica da Câmara para não incorrer no mesmo erro, quando foi aprovado o acréscimo salarial dos servidores, esquecendo dos idosos – o que já foi corrigido com data retroativa. “Não é bem assim, a prefeitura manda o document, que vai ao plenário. O PCCV precisa ser analisado com cautela, para não ter problemas futuros com a categoria”, informou.
Ao que tudo indica, a população só será atendida após o recesso da Câmara, previsto para terminar em 2 de agosto. Enquanto isso, a população terá que aguardar atendimento. Deucimar ainda ressaltou que outros projetos serão apreciados e que o PCCV terá que entrar na fila. “Quero deixar bem claro que não queremos prejudicar a categoria, tão pouco a população, mas também temos outros projetos importantes. Mas, se o documento chegar em tempo, com certeza será votado o mais rápido possível”, ponderou.