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JUDICIÁRIO | 08/03/2010 - 18:19

Ramos reconhece desconforto e garante que Tribunal não parou

Simone Alves

   Como presidente da comissão organizadora do concurso do público para ingresso no Tribunal de Justiça, o desembargador Rui Ramos, também vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral, tenta mostrar tranquilidade e continuidade nos trabalhos do Judiciário, mesmo após a aposentadoria compulsória de 10 magistrados acusados de repassar recursos à maçonaria irregularmente.

   Nesta segunda, às 14h30, ele recebeu a imprensa no órgão para falar sobre as etapas do concurso. Rui Ramos foi indagado sobre a imagem do Tribunal depois da decisão do Conselho Nacional de Justiça. Para o desembargador, “as atividades judiciárias acontecem normalmente, mesmo após a trombada que o órgão levou”.

   No sofá, sentado ao lado de processos empilhados, ele admitiu, com exclusividade ao RDNews, que a decisão unânime do Conselho causou desconforto, mas rejeitou a ideia de que a imagem do Tribunal esteja manchada. “Realmente algum grau de desconforto produziu. Mas eu e os demais magistrados não temos que parar. Ao contrário do que muitos pensam, o Judiciário não parou”.

   O desembargador evita emitir juízo de valor sobre os colegas afastados, mas não refuta o constrangimento. “Não temos como omitir falha alguma ou suposta falha. Estamos sensibilizados, somos humanos, e carregamos a sensação de desconforto, mas não é nada que nos impeça de atuar com a mesma presteza de sempre”, pondera.

   Rui Ramos rejeita também a ideia de que o Tribunal está sendo colocado “no eixo” com as aposentadorias que, para muitos, surgiram como uma sentença pedagógica. “As coisas não estão fora do lugar. Posso afirmar que, em relação ao cenário nacional do Judiciário, estamos trabalhando num bom nível”, diz.

   O Judiciário de Mato Grosso teve a imagem atingida com fatos negativos outras vezes. Em 1999, por exemplo, a morte do juiz Leopoldino Marques Amaral ganhou repercussão nacional. Ele denunciou colegas do órgão por práticas de tráfico de influência, corrupção, venda de sentença, nepotismo e até assédio sexual. O próprio Leopoldino estaria envolvido em desvios de recursos de depósitos judiciais na 2ª Vara de Família, onde era titular. Após a decisão do CNJ, os membros do Judiciário do Estado demonstram disposição em acelerar e divulgar os trabalhos, na tentativa de reverter o desgaste.