RDnews - Poderes e Bastidores


POLÊMICA | 17/02/2010 - 15:12

Samir deve presidir Comissão de Ética do PDT que julgará Cintra

Patrícia Sanches

   O pedetista Samir Sebastião da Costa Ribeiro (PDT) deve presidir a Comissão de Ética do partido que vai decidir o futuro político do vereador por Cuiabá Sérgio Cintra. Segundo o coordenador-geral e tesoureiro da legenda no Estado, Rodrigo Rodrigues, nesta quinta (18) a executiva estadual se reúne para definir o nome dos três membros responsáveis por investigar o colega. Eles poderão adverti-lo, determinar suspensão ou, até mesmo, pedir a expulsão de Cintra do partido. “Ainda não sabemos quem serão esses membros, mas, em um mês, o relatório final deve ser emitido”, assegura Rodrigo, em entrevista ao RDNews.

   Apesar do coordenador não confirmar, o nome de Samir já teria sido escolhido. Com isso, na reunião serão definidos apenas o relator e membro-titular. Dentre os critérios adotados pela sigla para a formação do “trio”, que ficará responsável pelo caso, está a não participação na fatídica reunião em que os colegas denunciaram Cintra, não ter rusga pessoal com o investigado e não ocupar cargo na Prefeitura de Cuiabá.

   No encontro de sexta (12), os presidentes do PDT de Cuiabá, vereador Toninho de Souza, e da Juventude Pedetista, Luis Arthur de Oliveira Ribeiro, o Luluca, e o secretário-geral da sigla, Alonso Alcântara Moura, se mostram indignados com a postura de Cintra e exigem a punição do parlamentar.

   Durante o encontro, convocado para debater se a sigla deve ou não entregar os cargos ao prefeito Wilson Santos (PSDB), o vereador teria se exaltado, batido na mesa e feito denúncias, tidas como sem fundamento, contra os colegas - veja aqui. Hoje o PDT comanda as pastas de Cultura e Esporte e Cidadania, sob Adevair Cabral e Aurélio Augusto, respectivamente. “Ele partiu para a agressão, colocou o dedo na cara dos companheiros, bateu na mesa, atitudes antiéticas. Todos têm direito de se posicionar, mas não desrespeitar o colega”, pondera Rodrigues.

   Cintra integra a ala dos que defendem a permanência do PDT na base de Wilson. De quebra, ele faz até campanha para que o partido caminhe com o PSDB nas eleições de outubro deste ano em torno da pré-candidatura do tucano ao Paiaguás. Há outros que defendem a atuação neutra da sigla para, assim, apoiar a candidatura do empresário Mauro Mendes (PSB) ao governo. Cintra, inclusive, chegou a ser um dos maiores defensores de Toninho na queda-de-braço com Mário Márcio Torres pelo comando do partido. Agora quer “derrubar” o atual presidente e articula a volta do "neo-aliado" à liderança da legenda. “Uma das exigências dele era de que Toninho assumisse o diretório e ele (Cintra) foi o maior beneficiado com isso”, alfineta Rodrigo, numa referência ao fato de Toninho ter articulado a ida de Adevair Cabral para a Cultura, o que permitiu a Cintra ter o “gostinho” de assumir a vaga de vereador.

   Além disso, o parlamentar era um “ferrenho” opositor de Wilson na Câmara, tanto que assinou a CPI da Saúde e propôs a criação da CPI da Sanecap. “Sempre criticou o prefeito Wilson Santos e, de repente, muda de posicionamento. Isso deu um verdadeiro susto na gente”, conta Rodrigo. Oficialmente, Cintra alega estar insatisfeito com os posicionamentos de Toninho, principalmente pelo fato do colega ter pedido a exoneração de Aurélio Augusto. Nos bastidores, ele teria recebido promessas de vantagens de Wilson para voltar a comandar CuiabáVest, cursinho pré-vestibular gratuito da prefeitura.