O vereador Toninho de Souza (PDT) acusou nesta quinta (12) o ex-secretário de Saúde da Capital Aray da Fonseca (PTB), candidato a deputado estadual, de usar indevidamente o nome do prefeito Chico Galindo (PTB) para pressionar funcionários da pasta, atualmente sob Maurélio Ribeiro, para votarem nele. “Recebi reclamações de servidores que estariam sendo ameaçados e coagidos. Segundo eles, Aray diz que é amigo do prefeito e que se não o ajudarem na corrida eleitoral vão ser demitidos”, alerta Toninho. Ainda conforme o pedetista, os funcionários dependem do cargo na secretaria e, por isso, teriam medo de denunciar a pressão, que não contaria com o aval de Chico Galindo. “Estariam usando indevidamente o nome do prefeito e isso não pode acontecer. É preciso que o prefeito Chico Galindo tome providências urgentes”, reforça o pedetista.
O parlamentar não só questionou a postura de Aray, como também a de Maurélio, que estaria pressionando trabalhadores da pasta para votarem no também ex-titular da pasta e hoje deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB). "Estão usando a questão da saúde pública de Cuiabá como instrumento político-eleitoreiro. O próprio secretário Maurélio estaria assumindo e priorizando a campanha do deputado Guilherme Maluf. Isso é inadmissível, pois estão deixando as pessoas mais humildes em segundo plano", pontuou Toninho da tribuna. O parlamentar frisou também que orientou os funcionários coagidos a formularem denúncias junto ao Ministério Público, mas reconheceu que a situação é delicada porque os funcionários precisam do serviço.
O líder do prefeito na Câmara, Paulo Borges (PSDB), saiu em defesa de Galindo, de Aray, Maluf e Maurélio. “Não creio que essa denúncia seja verdadeira. O prefeito, inclusive, fez uma reunião com todos os secretários e solicitou que eles não façam campanha dentro dos órgãos”, garantiu o tucano. Logo em seguida, lembrou que esse tipo de método para ganhar voto nunca dá certo e que os candidatos não correriam o risco de “ganhar e não levar”, numa referência ao fato ser tido como um crime eleitoral, punido até com a cassação do mandato caso fique provado que o candidato eleito tenha utilizado esse tipo de manobra.
Recentemente, por exemplo, o vereador Ivan Evangelista perdeu a cadeira na Câmara justamente por ser acusado de pressionar estagiários da secretaria municipal de Trânsito e Transporte Urbano no pleito de 2008 - veja aqui. “Pressionar é inadimissível e não acredito que esteja ocorrendo, agora pedir votos é algo normal. Fiquei sabendo, por exemplo, que o secretário estadual de Saúde Augusto do Amaral realizou nesta quarta (11) uma reunião com 90 DASs para pedir apoio a Silval Barbosa (PMDB) e, nem por isso, ele pressionou ninguém. Mauro Mendes (PSB) já foi pedir voto no Pronto-Socorro de Cuiabá. Isso é algo natural”, argumentou Borges.