
Quem aprecia música de qualidade não pode deixar de conferir a apresentação de Marcelo Zeballos, um violinista boliviano que carrega em suas composições uma história emocionante de luta e superação. Dono de um talento único, Marcelo irá se apresentar durante o 26º Festival de Inverno no próximo fim de semana, acompanhado da Orquestra de San Ignácio. Ele irá subir ao palco às 19h no sábado (10) e também no domingo (11), às 21h. Antes disso, às 16h no sábado, na Pousada Penhasco, será exibido um documentário que conta toda a trajetória percorrida pelo violinista durante os seus 24 anos de vida. Dividido por temas que marcam cada passagem da vida de Marcelo, desde a rejeição da mãe biológica, passando pela adoção e pelas dificuldades enfrentadas até a sua grande paixão pela música, o documentário de apenas 53 minutos emociona, educa e parece curto demais ao final.
Com direção de Glória Albuês e fotografia de Guillermo Medrano, o filme foi produzido de maneira independente pela F3 Produções, a partir de uma ideia dada por Antônio Carlos Ferreira, o Banavita. O produtor encontrou Marcelo "por acaso", enquanto trabalhava em um outro projeto, sobre a rota turística Pantanal-Pacífico, também em terras bolivianas. Enquanto filmava, Banavita foi atraído e guiado pelo som da música que vinha do interior da Igreja de San Rafael. Depois desse encontro, divulgar o talento de Marcelo e "lançar um novo olhar sobre a Bolívia", tornou-se uma meta direta para Banavita. Em 2008, ele retornou à Bolívia disposto a ouvir e colher os depoimentos do próprio músico, de sua mãe, Nancy Rodrigues, e de sua irmã, Juana Zeballos.
Usando apenas o recurso da legenda, Banavita assinou a produção do documentário, que traz algumas das canções compostas por Marcelo e mostra um pouco da realidade vivenciada por ele na cidade de San Ignácio (a 300 km da fronteira), onde cresceu com a família. O violinista, que já foi chamado de louco pelos outros moradores por nunca largar o instrumento musical, é o orgulho da família. Para Nancy, mostrar a vida de Marcelo ajuda a evitar os insultos que o acompanharam por um longo período. "Meu filho não será mais chamado de louco. Tiraram a venda do povo", emociona-se a mãe, sentada à porta de sua casa que não possui sequer luz elétrica.
O talento de Marcelo é ainda mais surpreendente se considerarmos a sua deficiência visual, que o impede de ler livros e textos, mas não coloca obstáculos quando a folha possui apenas partituras. Sua audição também é comprometida, pois não consegue escutar do lado esquerdo. Ele afirma, no filme, que "gosta de ensaiar dentro da igreja porque serve de acústica para o ouvido esquerdo", além de inspirá-lo em suas composições. Acompanhado de um violino de 1696, que ele ganhou e restaurou, Marcelo é a prova de que a música, como ele mesmo afirma, "ultrapassa todas as fronteiras". Durante as filmagens, ele teve de encarar mais um desafio. A partitura da canção que iria tocar "sumiu", mas Marcelo não se reprimiu e emocionou a pequena plateia. "A música não se perde, existe na memória. Ainda mais quando você é o compositor", afirmou o músico. Depois de ser apresentado à plateia que o aguarda neste fim de semana, Banavita, e todos que acompanharam a história de Marcelo, esperam que suas canções não mais encantem somente as paredes de sua casa e da Igreja de San Rafael, mas ultrapassem as fronteiras do Estado e do País.
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