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Quarta-Feira, 03 de Janeiro de 2007, 07h:33 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Doença do macaco e imprensa

    O empresário Renato de Paiva Pereira, em artigo reproduzido abaixo, chama atenção da imprensa, para quem vem cometendo equívocos em reportagens sobre o 'Mal de Simioto'.

Confira.

 

 

    Volto a ler na imprensa de Cuiabá, notícias sobre o  “Mal de Simioto”. Desde o ano passado esse tema já ocupou  mais de uma vez, ora em um ora em outro jornal, grande espaço na mídia mato-grossense.

     Os jornais, embora sejam empresas particulares e como tais com o direito de expressar a opinião de seus jornalistas  deveriam preocupar um pouco mais com a informação que repassam. Se já tem um número razoável de pessoas, principalmente aquelas com baixa instrução, que defendem essas crendices, não me parece razoável que se alimente ainda mais tais atrasos.

      O mínimo que se poderia fazer seria colocar o fato como ele se apresenta, isto é,  que nas comunidades carentes é grande o número de crianças que apresentam tais e tais sintomas, tratados pelas benzedeiras, rezadeiras e curadores   como sendo “Mal de Simioto”, mas que médicos e autoridades da saúde condenam radicalmente estes tratamentos alternativos.

     É necessário esclarecer que esta doença não existe para a medicina tradicional e que os sintomas descritos pelos curadores   fazem parte de um quadro de desnutrição crônica, provocada por má alimentação, por   parasitoses, por  infecções e principalmente  intolerância ao leite de vaca e à lactose. Também é muito comum a alergia a derivados de trigo que produz diarréia e vômito, levando à conseqüente  desnutrição, mas  que somente os médicos podem diagnosticar.

     Devo informar que não sou médico, nem tenho conhecimentos técnicos para aprofundar sobre as doenças. Também não estou criticando as pessoas simples, que por falta de conhecimento se valem de curadores populares, alguns até bem intencionados.  Trato do fato jornalístico.

     Na última reportagem que leio, a matéria começa dizendo “ .. a doença de Simioto, ou  como é mais conhecida, a doença do macaco, é mais  comum em Mato Grosso do que se supunha”. Acrescenta ainda, invertendo a ordem correta,  que “muitas vezes ela  é confundida com desnutrição aguda”.

    Descreve depoimentos de várias mães que tiveram seus filhos curados com banhos de ervas. Uma benzedeira, que diz ter curado muitas crianças,  explica que seu  tratamento se baseia em   massagem de  óleo “encruzada”.O ritual começa no pé esquerdo, seguindo para a cintura, percorre vários caminhos no corpo e termina com 3 sopros de cima até embaixo.

     Busca na Internet mostra que nosso estado, representado por Cuiabá e Tangará da Serra, concentra quase todas as reportagens  sobre esta crendice popular.

     Quando a imprensa, que deveria ser a elite intelectual, ignora a ciência, induzindo pessoas a se apegarem a fatos folclóricos, ela não está cumprindo o seu papel.  Acrescente-se que é também através dela que outros povos nos percebem. Creio que passamos por provincianos,  quando pessoas de outros estados lêem em nossos jornais que  alguns jornalistas aqui da terra, ignorando a mais elementar ciência, ainda crêem  na “doença do macaco”.

 

Renato de Paiva Pereira é empresário (renato2p@terra.com.br)

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Comentários (1)

  • jose carlos limeira | Sexta-Feira, 23 de Julho de 2010, 21h33
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    www.maldesimioto.com.br,entre no site e Conheça minha luta.DEUS É BOM E VOCÊ.