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Quinta-Feira, 16 de Junho de 2016, 11h:25 | Atualizado: 16/06/2016, 11h:59

Empresa que acionou Justiça contra a licitação foi desclassificada por plágio

Reprodução

genius mercedes 500

Pelo que foi constatado no processo administrativo, a Genius Publicidade imitou conceitos e peças isoladas da campanha da Mercedes-Benz, conforme reprodução acima das imagens comparativas

A agência Genius Publicidade, de Luiz Gonzaga Rodrigues Júnior, o Brasa, que ingressou na Justiça para tentar barrar o processo licitatório da contratação de empresas de publicidade para a elaboração de projetos, campanhas institucionais e de utilidade pública do Governo do Estado, foi desclassificada do certame por apesentar peças publicitárias plagiadas.

Na última terça, a pedido da Genius, o juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública de Cuiabá, Agamenon Alcântara Moreno Júnior, determinou a suspensão da concorrência pública 001/2015, que selecionou cinco agências (ZF, Soul, Casa D'Ideias, FCS e Nova SB) como vencedoras do certame. A empresa de Brasa alegou falta de oportunidade do contraditório e ampla defesa para a sua desclassificação.

De acordo com o edital da licitação, as agências precisavam criar peças publicitárias originais e que atendessem a uma série de normas e requisitos.

As peças e os conceitos foram entregues para uma comissão avaliadora em caixas apócrifas em 8 de dezembro do ano passado. A Genius Publicidade, juntamente com outras oito empresas, chegou a se classificar para a segunda etapa do processo após ter recebido a sétima melhor nota entre as classificadas (77). A concorrência previa a contratação das cinco primeiras colocadas.

Mas, após a divulgação das peças para as demais participantes do certame, foi constatado o plágio da empresa. O produto entregue pela Genius, inclusive, chegou a parar nas redes sociais por conta da semelhança com o trabalho desenvolvido pela empresa de automóveis Mercedes-Benz em 2015. Tal qual a campanha da montadora de automóveis, criada pela agência alemã Lukas Lindermann Rosinski, o conceito da Genius baseava-se em um personagem segurando nas mãos um mapa feito de vidro e um cenário em perspectiva.

Conforme o processo administrativo 375384 de 2015, que decidiu pela desclassificação da empresa, não somente apenas uma peça foi considerada plagiada, o que poderia ter gerado uma penalização, mas todo o conceito da campanha foi plagiado.

Reprodução

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O empresário Júnior Brasa, da Genius Publicidade, foi à Justiça

 “É fato que a licitante Genius Comunicação não se limitou a imitar peças isoladas da campanha, mas todo o conceito desenvolvido anteriormente pela campanha da Mercedes-Benz. A falsa atribuição de autoria, cujo intuito é se passar por autêntico, compromete a credibilidade do processo, que tem sido levado com extrema transparência e idoneidade”, afirmou trecho do processo administrativo.

Segundo a comissão, a Genius copiou todos os elementos da empresa alemã, como a ideia central, a distribuição dos elementos, o cenário e até mesmo a postura do personagem.

A campanha apresentada pela Genius já havia sido foi considerada falha pela comissão avaliadora por não conseguir atingir o público alvo e não atender aos parâmetros propostos pelo edital.

A falha ficou ainda mais visível, quando a comissão constatou que a empresa havia utilizado todo o conceito de uma campanha feita para classe A para uma campanha que deveria atender todas as classes do Estado.

Após constatar o plágio, a comissão voltou a analisar cinco conceitos básicos para a nota da empresa: grau de originalidade, anterioridade de criação, conhecimento efetivo, identidade e vantagens econômicas e em todos os pontos a agência foi reprovada.

“Sem mais a declarar e diante da responsabilidade que lhe foi atribuída, a Subcomissão Técnica reviu todas as peças apresentadas pela licitantes como proposta de campanha para o Governo do Estado de Mato Grosso e, diante de fortes indícios de plágio da campanha da empresa de veículos Mercedez-Benz, cada membro decidiu individualmente zerar as notas do subquesito “Ideia Criativa” da licitante Genius Publicidade, cuja consequência, conforme o item 9.4 – II do Edital deste certame, gera sua desclassificação”.

No processo administrativo, a Comissão de Licitação apontou que, seguindo as regras do edital, foi concedido todo o espaço para defesa da empresa, contudo as provas de plágio foram consideradas irrefutáveis.

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Comentários (1)

  • zeca | Quinta-Feira, 16 de Junho de 2016, 18h26
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