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Terça-Feira, 27 de Dezembro de 2011, 00h:00 | Atualizado: 27/12/2011, 00h:11

Artigo

6ª economia do mundo, MT está longe de ser uma grande fazenda

Mato Grosso está longe de ser uma grande fazenda

Olga Lustosa   O ano de 2012 desponta cercado de previsões catastróficas, entre as quais o imaginário alinhamento de planetas que causaria uma reversão no campo magnético da terra, tempestades solares e a devastação da vida. A Nasa assegura que não há alinhamento planetário previsto durante o solstício de inverno em 2012.

   Nosso planeta tem se saído bem por mais de 4 bilhões de anos e os cientistas não sabem de nenhuma ameaça associada a dezembro do próximo ano. Então esta fábula está relacionada com um dos ciclos do calendário maia; o solstício de inverno de 2012 - daí a data do fim do mundo estar prevista para acontecer em 21 de dezembro, embora todo dezembro, a Terra e o Sol se alinham com o centro aproximado da Via Láctea e isso é um evento anual de nenhuma consequência.

   Quanto ao nosso Mato Grosso, as previsões são extremamente otimistas, sobretudo com a recente divulgação que alcançamos o posto de sexta economia do mundo. O otimismo fica por conta de dois renomados palestrantes, o ex Ministro Dr. Mangabeira Unger, professor titular de direito e filosofia da Universidade de Harvard e o economista e Ricardo Amorim, economista e apresentador do programa Manhattan Connection. Formado pela USP e pós graduado em Administração e Finanças pela ESSEC de Paris, estamos realmente . Assisti as palestras de ambos no decorrer do ano e agora parece-me oportuno traçar um paralelo entre a exposição de um e do outro e revelar as palavras encorajadoras que ouvi com referencia ao estado, nossa produção e condição no contexto do crescimento nacional.

   Ricardo Amorim vê Mato Grosso se beneficiando da nova ordem econômica mundial, onde a demanda de prioridades gira em torno de alimento e biocombustível. Mato Grosso se destaca na produção de carne, algodão e soja e está garantindo espaço nos setores de maior crescimento no PIB e nos setores que aumentaram a oferta de emprego, agropecuária, comércio varejista e construção. A vocação exportadora de Mato Grosso esbarra ainda na questão da logística, que está sendo amplamente discutida e busca-se investidores para o desenvolvimento do setor.

   O Doutor Mangabeira Unger defende a tese que os Estados do Centro Oeste devem equacionar rapidamente seus próprios gargalos, pois será a região que vai construir o modelo de desenvolvimento a ser seguido pelo Brasil. Devemos ampliar as oportunidades para o trabalhador aprender e assim podermos transformar as oportunidades no motor do desenvolvimento regional, sem deixar para trás a preocupação social. Ou seja, nosso desafio agora seria democratizar as oportunidades e os instrumentos da produção.

   A atividade agropecuária que lidera nossa atividade econômica, segundo os dois palestrantes, não deve ser vista apenas como uma atividade rica que serve para financiar outros setores. É na agricultura que surge as novas formas de produção, que mais tarde se generalizam para outros setores. Assim como o Brasil tem uma posição mundial fortalecida pela agricultura, Mato Grosso deve executar projetos que utilizem todas as nossas potencialidades, esse projeto deve inclusive, superar os contrastes ideológicos que ainda dividem a agricultura empresarial e a familiar.

   Novamente esbarramos no paradigma de construir um moderno sistema de logistica para escoar a produção dos grãos. Mangabeira Unger sugere que devemos superar nossa dependencia de produtos importados, que oneram substacialmente nossa produção. Exibiu dados de pesquisadores afirmando que há recursos naturais abundantes aqui, como fosfato, potássio e outros. A agricultura deve existir de forma una e a agricultura familiar deve então, ganhar contornos e atributos da agricultura empresarial, sem contudo, perder seu compromisso com a democratização das propriedades.

  Mato Grosso deve investir pesado na industrialização dos bens produzidos aqui. Longe de ser uma grande fazenda, Mato Grosso contribuiria para consolidação de uma classe média rural forte e vibrante, com a produção dobrada, sem derrubar uma só árvore. Iniciativas propostas que dependem muito de apoio institucional dos governos, da reorganização dos sistemas de transmissão de conhecimento e de cooperação técnica. Mato Grosso aparece bem como um lugar procurado pelos investidores nacionais e internacionais, tem avançado consideravelmente na utilização de práticas ambientais sustentáveis e marcha no sentido de liderar essa revolução regional.

   Olga Borges Lustosa é cerimonialista pública e acadêmica de Ciências Sociais pela UFMT e escreve exclusivamente neste blog toda terça-feira - olga@terra.com.br

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Comentários (1)

  • Silvio Alexandre de Menezes | Terça-Feira, 27 de Dezembro de 2011, 01h47
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    Muito boa e oportuna sua reportagem, Olga, o Mangabeira Urger sempre foi um grande estrategista tanto político como um grande visionário nas questões brasileiras como um todo é uma pena que tenha se afastado desse governo, os mesmos predicados devem ser dados ao Amorim, conhecedor profundo da economia brasileira e global. O cerne da questão é esse, eliminar os gargalos existentes em nosso estado e o principal deles é o transporte ainda caro e a falta de infra-estrutura das nossas vias de escoamentos da produção, além do desperdício existente no transporte dos comodities em face da longa distancia percorrida, e os buracos existentes saem do local da produção derramando pelas estradas grande parte da produção, por isso que é importante a chegada da ferrovia que também esbarra na burocracia e brigas políticas, vejamos o exemplo da China com ferrovias transcontinentais e mesmo a Rússia que utilizam desse meio de transporte para tudo, além de ser barato dado a alta capacidade de transporte servem para integrar todas as regiões de norte a sul leste oeste desses emergentes.

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