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Terça-Feira, 24 de Março de 2020, 10h:41 | Atualizado: 24/03/2020, 10h:47

Edna Sampaio

Algumas revelações do Covid-19

Edna Sampaio artigo

Em tempo de Covid-19, mais que nunca precisamos reinventar a nós mesmos e as nossas formas de luta. Acender a cada dia o sentimento de bem comum, do cuidado uns com os outros e de pequena chama, aquecer nossos corações até fazer um fogaréu de sentimentos bons. Reconhecer, no estranho, o familiar que há em nós. E assim, despertar a empatia real, cotidiana, nas coisas que podemos fazer juntos.

Quando vemos o que faz bolsonaro em plena pandemia: suspendendo salário do trabalhador para proteger o patrão, devemos reconhecer a importância da cidadania ativa no enfrentamento desse governo que não foi eleito para defender nem a Democracia, nem os direitos dos trabalhador@s.

Olhamos para os poderes: silenciados, em quarentena os pobres velhinhos (!!), depois que destruíram a Democracia, observam o presidente que elegeram a cometer um crime de responsabilidade por dia, as vezes por hora. Mas, quando não havia crime, eles cassaram uma Presidenta e, nos impuseram o preço da desestabilização institucional. Agora estão em quarentena. Silêncio.

Acovardados, mantém-se distantes, enquanto uma horda de estúpidos continua a bradar "mito" e, segue a destruição da, outrora, 6a. economia do mundo.

Merecemos tanta bestialização nessa desigualdade abissal, sem recursos para escolas de qualidade, para formação cultural, politica, ética e moral. Condenamos parte da população à incapacidade de desenvolver sua cognição plena, de percepção do mundo para além de sua cozinha, de seu estômago, de si mesmo, incapaz de defender a si própria contra a atrocidade de um poder tirano.

A educação que faltou não é apenas das escolas, mas de todos os meios de fruição da cultura que deveria estar acessível a tod@s. Deixamos viscejar a infâmia concentração da comunicação nas mãos de poucos empresários bilionários e suas famílias, e elas criaram um exército de zumbis que oram pelos seus e desejam, ou não se importam, com a morte dos outros.

Criaram uma consciência coletiva contra a coletividade, contra a Ciência e contra as politicas públicas, arrancadas às duras penas por anos de luta, contra um Estado quase sempre autoritário e sem compromisso com os direitos da população.

Hoje, muitos reconhecem a coletividade exclusivamente como os seus: a família tradicional, os amigos. Perderam-se do sentido da vida em sociedade. Incapacitados por cegueira sócio-politica, ética e moral.

Para essa gente, mamadeiras de pirocas justificam seu rancor, não porque acreditem ser verdade, mas porque a verdade não interessa mais. O ódio é a projeção de seus fracassos pessoais e, buscam justificá-lo desesperadamente nas mentiras que adotam como suas verdades. E continuam se justificando, quando se recusam a enxergar que seu voto ratificou a barbárie e será responsável pelo extermínio de milhares de vidas, nesta pandemia sem governo.

Ética é algo que se aprende, não é algo natural, dado. Ética é coerência entre o pensar e o agir. No espaço público é ainda mais importante. E como não aprenderam, falam em um deus morto e torturado por pelos pecados humanos, mas defendem torturadores. Falam de amor e praticam o ódio, o desprezo ao outro. Nada disso parece incompatível, incoerente à essas consciências mutiladas.

A educação que faltou não é apenas das escolas, mas de todos os meios de fruição da cultura que deveria estar acessível a tod@s

Edna Sampaio

Nossa cultura se perdeu no egoismo extremo, no cinismo religioso da teologia da prosperidade - privada, na ausência de empatia. Parte de nós se tornou monstro e elegeu seu igual. Outra parte lavou as mãos. E, quem ficou, não foi suficiente para evitar a tragédia que se anunciava e que se consolida, agora, com o COVID-19.

A ignorância maldosa defende a política de morte e dá lição de moral. Uma ode à estupidez, ao auto-flagelo, à alta-destruição. Pobres diabos somos todos diante do COVID-19 que expõe a nossa verdadeira epidemia: FALTA DE ÉTICA PÚBLICA, DO BEM COMUM.

O vírus nos desnuda, ele escancara nosso drama, porque combatê-lo exige Estado, Governos capazes de cuidados com a coletividade. Exige esforços coletivos desde o poder central à organizações sociais, grupos e pessoas locais. Mas, estamos em frangalhos.

Solidariedade e bem comum, são termos esperando para serem reinventados por nós. Sentidos que, ausentes, nos tornaram órfãos neste momento da História de guerras híbridas e biológicas.

O monstro do egoismo é violento e concentrador, mas dá poder aos pequenos egoístas, ávidos por se expressarem desde as mais baixas patentes do exército, das polícias que, envaidecidos sentem que agora é a hora do seu poder pessoal. Poder de destruir o outro, o seu igual. Por sorte ali também há resistência, bom senso.

Não são tempos fáceis, vamos precisar nos reinventar, antes que a sombra de uma longa noite recaia absoluta sobre nós, somando a tantas tragédias que nos consomem.

É preciso continuar nossa cruzada de esperança, sem que isso seja a espera. Que seja a determinação de, por todos meios, construir o caminho do encontro com o amanhã que precisamos fazer nascer pra romper esta noite escura.

Perguntemo-nos: como podemos exercer nossa solidariedade nesta hora de dor coletiva? Como nos fazer parteiros e parteiras do amanhã que desejamos ver nascer para a classe trabalhadora?

Que a quarentena nos ajude a refletir juntos.

Edna Sampaio é docente da Unemat, doutora em Ciências Sociais. Vice-presidente da Adunemat e gestora governamental

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