ARTIGOS

Segunda-Feira, 12 de Agosto de 2019, 10h:04 | Atualizado: 12/08/2019, 10h:12

Olga Lustosa

Nem um pio sobre a velhice

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Há várias ciências baseadas num completo conhecimento do eu e as meticulosas explorações das descobertas da mente ao longo de séculos permitiram que se obtivesse um quadro bem completo tanto da vida quanto da morte.

Os ensinamentos budistas mostram com precisão o que acontece se nos prepararmos para o envelhecimento e o que ocorrerá se não nos prepararmos. Os efeitos da recusa poderá nos aprisionar no ciclo incontrolável da ilusão, do nascimento, juventude e beleza, como um processo de sofrimento contínuo. Para quem se prepara a velhice não chega como uma derrota, mas como o coroamento de um ciclo da vida.

Tudo parece bem conosco. Mas aí quando a velhice chega, pega-nos de surpresa e despreparados. Que fúria, que desespero!

Entretanto, vamos e voltamos, trotamos e dançamos e nenhum pio sobre o envelhecimento. Tudo parece bem conosco. Mas aí quando a velhice chega, pega-nos de surpresa e despreparados. Que fúria, que desespero!

Reescrevo, alterando uma só palavra no que escreveu o filósofo francês Montaigne: “Não há lugar na Terra onde a velhice não nos encontre – mesmo que voltemos a cabeça uma e outra vez olhando em todas as direções, como numa terra estranha e suspeita. Se houvesse algum modo de conseguir abrigo contra os golpes da velhice, mas é loucura pensar que se pode evita-la”.

Para começar a tirar da velhice seu grande trunfo sobre nós, adotemos o caminho contrário ao usual; vamos privar o envelhecimento da sua estranheza, vamos acostumarmo-nos a ele. Vamos esperar pela velhice.  

A vida é um vasto mistério. E não é certo que todos envelheceremos um dia. Nosso desejo instintivo é viver e seguir vivendo, livres e jovens

A vida é um vasto mistério. E não é certo que todos envelheceremos um dia. Nosso desejo instintivo é viver e seguir vivendo, livres e jovens. Temos medo da velhice porque não sabemos quem somos, não conhecemos as infindáveis coisas que entrelaçadas sustentam nossa identidade. Se nos tirarem os suportes provisórios ficamos frente a frente conosco, com alguém que não conhecemos. Não é por conta do medo desse encontro que sempre preenchemos qualquer tempo livre com atividades, que trocamos o silêncio por uma música, um filme? Penso nas pessoas que passam anos trabalhando e quando se aposentam descobrem que não sabem o que fazer consigo mesmas.

Por mais que certas habilidades mentais diminuam com a idade os cientistas estão descobrindo que a mente fica mais afiada com uma série de habilidades vitais.  As pessoas também aprendem a lidar com os conflitos sociais de maneira mais eficaz. Acontece que administrar emoções é uma habilidade que em si  levamos  décadas para dominar.

Tolerância, generosidade, esperança e experiência

Conforme os anos progridem, o mesmo acontece com os nossos níveis de conhecimento e sabedoria. Cada ano nos leva mais perto desse objetivo, com o tempo eliminando inibições e medos imaturos.

A vida seguirá sempre incerta, esta é sua natureza, mas esperançosamente, à medida que avançamos na idade, esperamos que nossas vidas alcançam um nível de estabilidade razoável.

Na minha idade, já viajei para alguns lugares, conheci o fogo apaixonado em alguns romances, tive muitos contratempos, cometi erros, magoei pessoas, tropecei mas aprendi e acrescentei bens valiosos no meu portfólio: a tolerância, a generosidade, a esperança e a experiência.

Olga Lustosa é socióloga e cerimonialista. E-mail: olgaborgeslustosa@gmail.com

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