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Segunda-Feira, 19 de Outubro de 2020, 08h:20 | Atualizado: 19/10/2020, 08h:20

Wellington Fagundes

Vidas pantaneiras importam

Wellington Fagundes artigo

Wellington Fagundes

O Pantanal já estava em chamas quando propusemos a criação da Comissão Temporária Externa do Senado. O fogo descontrolado tinha consumido 1/4 de todo o bioma. E, infelizmente, não parou por aí. A par das medidas adotadas para o combate aos incêndios, mais de 2,2 milhões de hectares se transformaram em cinzas, conforme dados do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama/Prevfogo) em parceria com o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais.

Mesmo com ações dos governos federal e dos estados, é preciso reconhecer que as chegaram com atraso. Os alertas da ciência não foram ouvidos, como deveria e por quem deveria. Brigadistas, bombeiros e voluntários, os que vivem no Pantanal e ainda aqueles para lá se deslocaram,em esforço e atitude heroica, se lançaram numa epopéia heróica. Mas, infelizmente, a guerra contra o fogo foi perdida. 

É bom que que se diga, até por Justiça, que as condições climáticas não favoreceram e os recordes de incêndios florestais no Pantanal foram enfileirando mês após mês, assustando a todos.

A cena dantesca está posta. Resta-nos inaugurar uma fase de planejamento para que ano que vem, e os próximos quatro anos de severa estiagem prevista para a região, não se congratule com o que estamos vivendo nesse período, isto é, a destruição da fauna e da flora que consagraram o Pantanal como um dos mais importantes patrimônios naturais da humanidade, reconhecido com reserva da biosfera pela Organização das Nações Unidas. Que haja esse planejamento.

Famílias perderam casas e suas criações, suas plantações (muitas de subsistência) que estão a necessitar de apoio, que vem chegando timidamente pela ação do  voluntariado e  de organizações populares

Wellington Fagundes

Importante ressaltar que no requerimento, de minha autoria, que criou a Comissão Temporária Externa, há entre os objetivos proposto “a proteção das populações diretamente atingidas” pelo desastre ambiental. Nesse sentido, já é passada da hora de se enxergar também as famílias que lá se encontram, muitos vivendo uma hereditariedade de séculos. São índios, quilombolas, ribeirinhos, a mulher e o homem pantaneiro; o dono de pousada, proprietários rurais – gente que por anos e anos convivem harmonicamente com esse bioma, e que carecem de atenção para que possam reconstruir suas vidas. 

Famílias perderam casas e suas criações, suas plantações (muitas de subsistência) que estão a necessitar de apoio, que vem chegando timidamente pela ação do  voluntariado e  de organizações populares. 

Daqui a pouco - é vital que se observe -  virá a decoada, movimento das cinzas levadas pelas chuvas aos córregos, rios e nascentes, causando a mortandade de peixes. Ou seja, essas famílias sequer terão o peixe para pescar e se alimentarem. 

Urge que o governo federal convoque os governos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul para fazerem, somados, esse grande enfrentamento - tanto quanto tem sido o combate ao fogo, para que se garanta que o ser humano habitante do Pantanal possa ter o apoio necessário para retomar sua vida. 

Resgatar o homem pantaneiro é essencial ao próprio bioma, já que são eles, em última análise, que, por séculos, tem vivido, subsistido e  ajudado na preservação deste santuário, atuando como verdadeiros guardiões. Há tempos desassistido, eles, seguramente, esperam por uma ação que vá além de cestas básicas - verdade, necessárias neste primeiro momento. O que se espera é que se estruture um programa de apoio na qual possam recorrer para subsidiar as perdas. 

Insisto: o Estado brasileiro deve agir, até para se afastar da sua pior característica, qual seja, a de não ter tradição de planejamento, fazendo tudo às pressas, no afogadilho do momento, perdendo recursos financeiros e energia humana para não se passar por negligente. Nesse caso, agora, está em jogo a vida de milhares de pessoas. E vida de pantaneiros importam.

Wellington Fagundes é senador por Mato Grosso e presidente da Comissão Temporária Externa do Pantanal

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