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Sexta-Feira, 26 de Novembro de 2010, 11h:20 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:28

Artigo

Dejair elogia juiz por ser contra contratação de cabos eleitorais

Parabéns doutor Julier

   Em audiência pública que tratou da reforma da lei eleitoral, o juiz federal de Mato Grosso, Julier Sebastião da Silva, propôs em sua palestra rever os dispositivos que permitem a contratação de cabos eleitorais. Para o magistrado, estas contratações apenas legitimam a compra de votos.

   O doutor Julier está corretíssimo em defender com muita coragem o fim deste malefício da lei, que serve apenas para legitimar a compra de votos. A Justiça Eleitoral tem conhecimento dessas contratações por serem feitas entre o candidato e os cabos eleitorais. Na prática, quando o doutor Julier defende esta tese, a Justiça Eleitoral está tornando o processo democrático num balcão de compra de votos. Os candidatos que dispõem de mais recurso financeiro podem contratar maior quantidade de cabos eleitorais.

   Objetivo dessas contratações é fazer a “divulgação do candidato”, mas na verdade, a sua grande missão está em cadastrar o maior número de eleitores, entre eles os seus familiares e amigos.  Eles nada mais são do que a oficialização do boca de urna, sistema em que todos os cabos eleitorais têm uma meta de cadastro e no dia das eleições tem que garantir esses votos para o seu candidato. A grande maioria dos políticos começa as eleições contratando aqueles “líderes de bairros” com maior potencial eleitoral na certeza que farão grandes contratações e terão maior quantidade de votos.

   Já no século 19, o pensador liberal John Stuart Mill dizia que o representante é consequência do voto dos eleitores, ou seja, talvez não adiante usar camisetas do tipo "tenho vergonha do Congresso Nacional". O Congresso não está separado de nós. Mesmo que sejamos parte de uma minoria, também integramos a sociedade que conduziu esses políticos aos cargos e pagamos os tributos que os sustentam. Para Fernando Sabino, "democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada depende de cada um”.

   O doutor Julier foi muito feliz quando criticou, na reforma eleitoral, esta legitimidade da compra de votos. No seu ponto de vista jurídico eleitoral ele está defendo o princípio de Fernando Sabino, que é de oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Enquanto uns candidatos têm o poder aquisitivo de fazer mais de 5 mil contratações, com o compromisso de “divulgar a sua campanha”, fato que não passa de pura hipocrisia eleitoral quando alegam estar gerando emprego, na verdade, fortalecem cada vez mais o que disse Bertolt Brecht.

   "O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, os preços do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio. Dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política nasce à prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”

   Para muitos brasileiros talvez seja mais fácil não ter posição, submeter-se ao poder, fingir que nada vê e nada ouve. Mas sua postura é uma armadilha perigosa. No fundo, os governantes respeitam mesmo os que militam, por isso, empenham-se tanto em destruí-los. O não militante é como um outdoor velho, perdido na paisagem. Ninguém liga para ele, embora ocupe espaço. É apenas um nome a mais na folha de contratações dos políticos. Um dia após as eleições todos estão demitidos.

   O “militante” (de contrato eleitoral) que não tem compromisso costuma fazer o jogo dos outros. Ele vende a sua fala sem se aperceber disso. É um ingênuo porque acredita que está contribuindo para o progresso da sociedade. Torna-se um mero porta-voz de políticos. Muitos desses “militantes”, especialmente os que se proclamam não políticos, sem ideologia, não sintonizados com a verdade e a objetividade, costumam repudiar a verdadeira militância política, como se o compromisso com ideias ou causas fosse um equívoco.

   A maioria deles praticam a militância (de contrato eleitoral) mesmo estando neutro. Esta é uma condição absolutamente militante. Não se pode ficar neutro quando se contempla a injustiça social, quando se depara com políticos corruptos e ficha suja. É muito difícil ver e ouvir alguém comentar nas mesas de bares, universidades e até nas vizinhanças, sobre a votação dos projetos de lei, das manobras políticas, nas relações de poder, do trabalho do seu parlamentar e avaliando os chefes dos poderes Executivo estadual e municipal.

   O doutor Julier está certo em defender com garra o fim dessas contratações. Mesmo contrariando a classe política, esse assunto é extremamente importante e ignorá-lo é um delito contra a integridade do país onde vivemos. É querer o enfraquecimento da democracia brasileira.

   Dejair Soares é publicitário, pós-graduado em gestão pública e ambiental e ex-diretor Comercial da Companhia de Saneamento de Cuiabá (Sanecap)

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Comentários (6)

  • Ana | Sexta-Feira, 26 de Novembro de 2010, 21h59
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    Adorei o artigo. Está corretíssimo ao dizer sobre a hipocrisia que enfretamos dentro do sistema eleitoral. Infelizmente ainda vivemos no "coronelismo" e cada um vota pra garantir o seu lado. Ao limitar a oportunidade, ou melhor democratizá-la, vemos que falta muito para sermos uma sociedade democraticamente evoluída. Os políticos erram, e não são capazes de enfretar os seus eleitores e pedir "desculpas". Falta muito para o sitema ser mudado, falta muito para cada um saber a consciência e influência que exercemos a partir do voto. Mas o artigo refere-se a isso, então....façamos cada um a sua parte. Parabéns Dejair

  • Chico Cesar | Sexta-Feira, 26 de Novembro de 2010, 16h57
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    É Dejair, mais um artigo execelente já sou seu leito, ja estou esperando o proximo. Um abraço do Chico Cesar

  • Benedito Almeida | Sexta-Feira, 26 de Novembro de 2010, 16h17
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    É meu caro Dejair sabemos muito bem quem é esse senhor chamado Juiz Julier, que acima do interesse da sociedade Cuiabá menos privilegiada esta o seu partido e seus companheiros políticos como o PT, PMDB e outros, para atender ao seu interesse partidário ele não pensou nenhum segundo em paralisar as obras do PAC que seria uma dádiva de Deus para a população do Jardim Vitória , Florianópolis e União e outros bairros que seria atendido por esse programa que não saiu do papel e dos jornais, sugiro seu Dejair procura-lo e questiona-lo no sentido do mesmo explicar por que ele penalizou a Cuiabania. Sem escrúpulo nos deixando a mercê dos esgotos nas ruas de terra a escorrer a céu aberto. E nos dias chuvosos à exposição a dengue , rancenise, ameba e muitas outras doenças tudo por politicagem e vem esse seu Adejair fazer elogio a essa pessoa desumana e sem coração e alma. Deus iluminai o homem que prioriza o próximo antes de si mesmo.

  • jose francisco | Sexta-Feira, 26 de Novembro de 2010, 15h55
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    Sr. Dejair, cada artigo estou colecionando todos, inclusive os comentarios, hoje o senhor abriu a ferida da democracia brasileira, e os seus criticos ferrenho se calaram, devem ser todos cabos eleitorais, o ponto de vista defendido pelo dr julier e explanado pelo senhor, de tirar este maleficio da lei muito bem dito pelo sr, a qualidade de nossos representante mudara da agua pro vinho, muitos endinherado pensará para se candidatar, aquele que tem serviço prestado terá igualdade com o presidente da assembleia do nosso estado. vamos lutar, acredito muito nos homem do meu pais.

  • Claudio Leite | Sexta-Feira, 26 de Novembro de 2010, 12h56
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    Mais um artigo espetacular Sr Dejair,gosto de ver seus artigos, pois fala sempre a verdade,doa a quem doer.As pessoas ficam incomodadas com as verdades,pois os politicos não gosta de quem fala a verdade.O Brasil precisa de gente inteligentes e intelectuais como você.Deus te Abençõe...

  • valmir molina | Sexta-Feira, 26 de Novembro de 2010, 11h56
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    O companheiro Dejair sempre mandando bem em seus escritos,porém,sem desmerecer o assunto,gostaria que o grande Deja falasse da irresponsável paralisação do PAC Cuiabá feito por este juíz citado no artigo.Um crime contra os cuiabanos. Esse homem da lei deveria ser considerado persona não grata em nossa cidade,pois os processos foram arquivados e as obras para terem continuidade sofrerão um aumento de mais de 30%.Quem vai pagar essa conta?

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