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Sexta-Feira, 14 de Junho de 2019, 13h:03 | Atualizado: 14/06/2019, 13h:08

Marcelo Ferraz

Galos de brigas antirrepublicanos!

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Marcelo Ferraz

A disputa política – eivada de ideologias extremistas, como a ala da esquerda radical dos luluistas e a ala da direta radical dos bolsonaristas – tem transformado os responsáveis pelos comandos das principais instituições do Estado brasileiro, bem como boa parte da população mais ativistas, em verdadeiros galos de brigas; dispostos “a matar ou morrer” para defender seus ideais nada republicanos, dada as inúmeras violações aos direitos constitucionais nos últimos anos.

Porém, quem sempre sai prejudicado dessa luta irracional é a população brasileira, que por sua vez, assisti paralisada a ingovernabilidade política nascer dessa briga e com isso interromper as reformas (Previdência e Tributária) que poderiam trazer estabilidade econômica ao país e, consequentemente, mais empregos, oportunidades, enfim, inclusão social.     

Embora seja proibida no Brasil, a prática de briga de galo infelizmente continua acontecendo na clandestinidade. Basta ter galos de raça combatente, a rinha (uma espécie de ringue), o juiz e os apostadores. Nesse tipo de luta selvagem tem até nocaute, que ocorre quando um "juiz" abre uma contagem de tempo. Se a ave não se levantar durante os 10 segundos, perde a luta. Se um galo parar de lutar, ele perde por desistência. Entretanto, vale ressaltar que desde 1998 essa prática, que estimula os maus-tratos aos animais, é considerada crime ambiental passível de multa e prisão. EUA, Argentina e Inglaterra, entre outros países, também já proibiram a briga de galo.

Porém, a título de metáfora, o leitor inteligente pode comparar essa modalidade de “esporte” ilegal com a política brasileira (que transforma até homens cultos da sociedade em verdadeiros selvagens exaltados).

Desta forma, por um lado, temos o exército da extrema esquerda, adeptos das políticas populistas e assistencialistas do PT que, para manterem essa visão altruística sem propósito, desiquilibraram a economia, lotearam cargos públicos e espoliaram várias empresas brasileiras; desviando bilhões de dólares em épocas em que o Brasil estava nas mãos de uma organização criminosa especializada em fraudar licitações pública... Contanto, não há sombra de dúvida que a era “petista” saqueou e quebrou o país, levando-o para uma crise fiscal e institucional sem precedentes na História ainda que tenham parcos avanços em áreas ambientais e sociais.  

Sim, muita gente importante foi presa, mas, por outro lado, várias pessoas honestas também acabaram sendo incluídas no meio do joio (das ervas daninhas) sem se valer sequer do direito correto ao devido processo legal, pois os discursos de combate à corrupção e contra as políticas “pseudocomunistas” do PT estimularam o avanço de uma nova modalidade do fascismo da direita ultraconservadora – aquela em que o fins justificam os meios ilegais e anticonstitucionais, ou seja, nessa briga de animais insanos pelo poder, vale tudo mesmo...

Até atender aos asseios de uma massa vingativa, que por sua vez, não tolera a convivência com os direitos das minorias. Daí surgiu os adeptos do bolsonarismo na política brasileira e, junto com eles, todos os desastres institucionais que advêm das bancadas antiambientalistas e de vertentes fundamentalistas no Congresso Nacional, que marcham em desfavor do Meio Ambiente Sustentável e do multiculturalismo do povo brasileiro.

Contudo, essa disputa “sanguinolenta” de facções extremistas pelo poder a qualquer custo, não deveria poluir a mente dos republicanos dessa pátria, que ainda acreditam e se submetem aos princípios e valores da Constituição Federal de 1988. No entanto, o que se pode notar é que infelizmente essa briga ideológica tem comprometido a agenda de reconstrução da economia brasileira e com ela a aprovação das reformas imprescindíveis para tirar o país da valeta obscura do subdesenvolvimento.

O país vai de fato continuar nesse cenário individualista de uma verdadeira rinha de galos, onde a vitória de uns depende da derrota ou até mesmo da morte de outros

Marcelo Ferraz

Assim, enquanto a esquerda lulista espera ansiosamente para o seu líder sair da prisão e retomar a briga política juntamente com os demais companheiros, enquanto um lunático da reserva brinca de condecorar seus pupilos e soldadinhos de brinquedos na república dos generais, o país afunda em uma desigualdade social sem precedentes, com quase 14 milhões desempregados; com 12,5% da população brasileira de 0 a 14 anos vivendo na extrema pobreza, de acordo com os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em números absolutos, são 5,2 milhões de brasileiros de 0 a 14 anos na extrema pobreza – o equivalente a quase toda a população da Dinamarca – e 18,2 milhões na pobreza – pouco mais do que o número de habitantes do Chile.

Não obstante a isso, a Dívida Pública Federal (DPF) deverá ficar entre R$ 4,1 trilhões e R$ 4,3 trilhões, segundo o Plano Anual de Financiamento (PAF) da dívida pública em 2019. Isso, sem contar a dívidas dos estados e dos municípios. E, para piorar a situação, o país terá uma pífia expectativa de crescimento para o PIB, segundo o Banco Central, de apenas 1,5% neste ano.

Enfim, resumindo, sem o mínimo de governabilidade necessária para aprovação das reformas devidas, para alavancar o crescimento e atrair os investimentos, o país vai de fato continuar nesse cenário individualista de uma verdadeira rinha de galos, onde a vitória de uns depende da derrota ou até mesmo da morte de outros. Então, já passou da hora desses governantes, autoridades e políticos virarem a página da disputa ideológica e começarem a pensar no povo brasileiro como verdadeiros estadistas que atuam dentro do Estado Democrático de Direito.  

Marcelo Ferraz é jornalista e escritor

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