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Quinta-Feira, 01 de Abril de 2010, 08h:20 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:24

Artigo

Jovens são abandonados pelo poder público

Políticas públicas para jovens combinam com ar-condicionado?

César Eduardo Guarienti   As políticas públicas voltadas para os jovens enfrentam grandes dificuldades desde sua elaboração. Muitas vezes estas demandas juvenis são diluídas em outras políticas setoriais como a educação e a saúde. Por ser uma iniciativa do Estado, com recursos deste, portanto da comunidade, é esperado que seus projetos tenham um compromisso de qualidade e de transparência. Afinal de contas a sociedade precisa saber que os investimentos públicos estão sendo aplicados com eficiência e monitorados para que os objetivos não se afastem do que a lei exige. 

   Até hoje existe certa confusão em políticas que tenham este público como alvo. Não é raro observar que ao contrário de focalizar a produção de cidadania, lazer e educação, a política centra-se na inserção no mercado de trabalho. É claro o reconhecimento das limitações da ação governamental do Brasil ao formular um projeto voltado para jovens pode sofrer. O desafio parece ser construir políticas públicas de juventude que sejam efetivas, que sejam planejadas desde o seu inicio considerando os erros e armadilhas que políticas anteriores tenham sofrido.

   As ideias que trabalham o jovem como problema e o veem como incompleto devem ser superadas. No lugar deste pensamento podemos colocar o público juvenil como sujeito de direito à educação, saúde, inserção social, trabalho, lazer, espaços de sociabilidade e de relações de afetividade. Acima de tudo deve estar a percepção da juventude como portadora de direitos.

   Projetos voltados para juventude costumeiramente buscam a formação de cidadãos homogêneos, padroniza-se o vestir, o comportar, o discurso e até o projeto de vida futura. A justificativa oferecida é que o projeto estaria ofertando algo que a sociedade reclama. Esse ideal de uniformidade afasta muitos jovens que desejam a diferenciação em relação os outros. É algo muito valoroso para a juventude uma vez que é a própria necessidade de construção de identidade que está se manifestando. Fica evidente que ao mesmo tempo em que o publico beneficiado no projeto é infantilizado, visto e tratado como pessoa, é também adultizado, cobrado por pertencer a um projeto.

   O conjunto de políticas públicas destinadas aos jovens tem avançado pouco no diálogo com estes. Ao negar ao jovem a oportunidade de participar efetivamente das definições dos seus interesses e das decisões que envolvem a sua própria vida, a ação pública provoca permanente frustração. Quando essa distância pretende ser superada ocorre uma tentativa de impor uma lógica dos formuladores da ação.

   Por serem ações do Estado essas iniciativas devem estar comprometidas em dar respostas às demandas da sociedade. As ações do poder público devem estar orientadas no sentido de oferecer respostas efetivas as questões sociais. Ocorre que existe muita falta de coordenação nessas iniciativas, os entes envolvidos normalmente atuam de forma desarticulada. Outro problema encontrado facilmente é que essas políticas são pensadas em gabinetes fechados, isso quer dizer que não conseguem se adequar às realidades locais.

   É perceptível em muitas ações públicas a estigma do jovem como pobre, perigoso, ligado à violência e ao ócio. As ações que pensam o jovem como problema e o vêem como incompleto devem ser superadas. No lugar deve-se colocar o público juvenil como sujeito de direito a educação, saúde, inserção social, trabalho, lazer, espaços de sociabilidade e de relações de afetividade. A idéia de que a juventude precisa ser atingida por alguma ação que apenas os ensine algo é frágil. É muito mais adequado levar a este público vasto conteúdo de cidadania como direito, para que assim se priorize a ação pública para a promoção da igualdade.

   Outro ponto que chama atenção nessas políticas é a intenção de preparar o jovem para atuar na sua comunidade. Assim, acaba jogando sobre a juventude um fardo bastante pesado, afinal as deficiências do bairro muitas vezes aparecem porque muitas instituições não conseguiram cumprir seu papel.

   Por fim podemos observar mais um equívoco na formulação dessas iniciativas. O jovem ao sair desses projetos não recebe mais nenhum acompanhamento do poder público, isso revela a falta de coordenação das ações públicas.

   César Eduardo Guarienti é bacharel em Ciências Sociais

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Comentários (13)

  • Adão Antônio de lima | Terça-Feira, 06 de Abril de 2010, 18h49
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    muito bom concordo com vc a política tem q fazer parte da junventude tem, aquele didato o futuro esta na mão de jovens

  • Leonardo Ruwer | Domingo, 04 de Abril de 2010, 13h14
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    Valeu Cesinha, mandou ver! Escreveu o que se precisa divulgar! O nosso grito de protesto! Desde já indico que vc encaminhe o texto para ser reproduzido nos outros sites. Sucesso. Abs.

  • Jacyara | Sábado, 03 de Abril de 2010, 17h08
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    Gostei do teu artigo e muito mais da possibilidade de vir a tornar-se rotina, os teus escritos. Se objetivares mais o teu foco poderemos ter uma avaliação mais profunda de cada assunto que queiras delinear e isso, este foco defenido, será de grande valia para o melhor esclarecimento da sociedade. valeu, Jacyara

  • Gesser | Sábado, 03 de Abril de 2010, 12h36
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    É isso ai, Parabens... " ...essas políticas são pensadas em gabinetes fechados...". As decisões dever estar centradas na realidade dos jovens.

  • Gesser | Sábado, 03 de Abril de 2010, 12h28
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    Isso Mesmo Cesar, parabens... " ...essas políticas são pensadas em gabinetes fechados...", as Decisões devem estar de acordo com a relidade dos jovens.

  • Kelma | Sexta-Feira, 02 de Abril de 2010, 19h45
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    Parabéns, César excelente seu artigo. Sucesso em sua carreira.

  • Telmo | Sexta-Feira, 02 de Abril de 2010, 16h55
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    Valeu César! Parabéns pelo artigo. Que venham novas pesquisas e artigos!

  • Acabias | Quinta-Feira, 01 de Abril de 2010, 22h30
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    "Projetos voltados para juventude costumeiramente buscam a formação de cidadãos homogêneos, padroniza-se o vestir, o comportar, o discurso e até o projeto de vida futura". E esse pensamento de alguns líderes de projeto faz com que o jovem fora do "padrão" seja excluído, não aproveitando assim todo o seu potencial. O que ocorre na verdade é medo de mudanças que muitos têm, e investem em algoritmos e fórmulas de vida que consideram perfeita. Cada líder tem é que tornar o seu projeto dinâmico, e assim aprender com as falhas e gerar sempre mais inclusão. Talvez o jovem que atrapalha agora pode se tornar um líder também amanhã... Quem sabe? Muito bom o texto César. Parabéns!

  • Selton | Quinta-Feira, 01 de Abril de 2010, 20h34
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    Parabéns César, muito bom seu artigo.

  • Elvis Crey | Quinta-Feira, 01 de Abril de 2010, 20h00
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    Valeu amigo Cesar! Parabéns seu artigo... Sucesso e felicidades!

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