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Domingo, 09 de Março de 2014, 19h:18 | Atualizado: 09/03/2014, 19h:33

Medo, política! violência, polícia

francisco faiad artigo

Francisco Faiad

As ruas em Mato Grosso expõem o medo da população. Falta policiamento, evidentemente. Não há como negar essa realidade. A quantidade de policiais na vigilância é muito aquém do que o cidadão precisa para ter um mínimo de segurança. A Organização das Nações Unidas  recomenda que haja um policial para cada 250 habitantes. Mato Grosso tem em torno de 4.500 PMs para 5 mil, dependendo da época, para atender uma população de 3 milhões de habitantes. Façam as contas e verão porque o cidadão anda com medo, com toda razão.

Não está mais sendo possível tolerar. A morte daquela jovem, Karina Fernandes Gomes, de 19 anos, e do policial  Danilo César Fernandes Rodrigues, de 27, numa troca de tiros com um bandido praticando assalto a uma casa de câmbio em plena região nobre de Cuiabá foi de um grosseria a toda prova. O bandido mostrou audácia e crença na impunidade. Felizmente, dias depois ele  foi preso.

Independente do resultado, o ato marcou a cidade e a segurança. Como esse, no interior ocorre muitos. Vide exemplo de Várzea Grande: é quase um risco de vida perambular pelas ruas, especialmente à noite. Há poucos dias, cinco rapazes  foram mortos numa chacina. Um tenente da Policia Militar, Claudemir Gasparetto, foi assassinado na porta de sua casa.

Essa aparente fragilidade policial, a rigor,  é decantada em verso e prosa. E não é de hoje. A situação caótica da segurança não vem deste governo ou do governo passado. Eu acredito que ficou bem extensa com a  divisão do Estado. Mato Grosso, a partir do ato de 1977, passou a  experimentar um verdadeiro "boom" econômico e não parou até hoje. O Estado cresce em ritmo galopante. Desde então a estrutura de governo tem ficado muito aquém das demandas – em todas as áreas.

A difusão do dinheiro fácil, das oportunidades, dos novos ricos, etc, atraíram para cá não apenas os "construtores do bem", gente de coragem para investir na força da produção. Trouxe também gente de coragem para assaltar, matar, roubar. O Estado, o cidadão, foi surpreendido com a caravana da riqueza, que trouxe, logo atrás, uma grande gama de gente do mal. Definitivamente, Mato Grosso não estava preparado  para viver esse crescimento tão vertiginoso.

As atitudes seriam simples: contrata-se mais gente para a segurança pública. Porém, quem conhece de gestão pública sabe que o Estado não funciona dessa forma. Hoje Mato Grosso tem um gasto quase no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal com folha de pessoal. Ultrapassá-lo é colocar o governante no banco dos réus.

O governo precisa continuar investindo em dois aspectos se quiser dar uma melhor segurança ao cidadão: inteligência e equipamentos. Os especialistas explicam que uma inteligência eficiente é capaz de suprir uma demanda de dezenas de policiais. Compatibiliza-se isso a um forte esquema de monitoramento. Com isso,  dar um pouco de tranquilidade ao cidadão que vai às ruas, ao banco, ao supermercado, sem o sobressalto da bandidagem.

Vale lembrar que Mato Grosso já há muitos anos vem sendo penalizado pela política do centro-sul. A nós cabem as migalhas que caem da mesa do bolo tributário. Para não entrar em outros segmentos, basta lembrar que Mato Grosso é uma das maiores rotas do tráfico de drogas do mundo. Por aqui, via fronteira com a Bolívia, passam todos os carregamentos de pasta-base de cocaína. Uma parte dela acaba sendo descarregada por aqui mesmo, no mercado local – o que determina  o aumento da violência e do medo nas nossas cidades. Infelizmente, como todos sabem, essa fronteira é desguarnecida de segurança, aberta a criminalidade.

Em outro momento essa pena vem com a perda de receita. Os valores são brutais. A Lei Kandir, em nome da competitividade do agronegócio no mercado internacional, tira dos cofres do Estado mais de R$ 1 bilhão ao ano. Dinheiro que, uma vez internalizado no Tesouro Estadual, permitiria ao governo contratar mais soldados para a polícia, já que ampliaria o lastro financeiro, sem atacar a Lei de Responsabilidade Fiscal.

São situações como essa que precisam mudar. O pacto federativo está desigual, é lastimavelmente contrário aos interesses de Mato Grosso. O combate ao medo e à violência só será possível, em curto e médio prazo, com uma ação integrada da classe política, com esforços governamentais prioritários. Do contrário, poderemos assistir outras casas de câmbio sendo assaltadas  e inocentes mortos em plena luz do dia.

Francisco Faiad é ex-vereador por Alta Floresta, ex-secretário de Estado de Administração, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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Comentários (6)

  • Zé Poxoréo | Segunda-Feira, 10 de Março de 2014, 17h26
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    Seria bastante esclarecedor se o ilustre doutor tivesse demonstrado os números do crescimento da violência no decorrer do Governo Maggi que o PMDB apoio e agora durante essa gestão do PMDB. Aliás, nessa atual gestão a impressão que a população tem é que os policiais definitivamente sumiram das ruas. Seria esclarecedor também se ele demonstrasse o que fez para ajudar a diminuir a violência no período em que foi presidente da OAB e no último enquanto secretário do Estado!

  • Geraldo | Segunda-Feira, 10 de Março de 2014, 15h38
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    Tem quer para um salário digno com a realidade, os praças (policiais militares) tem um dos piores salário do brasil, como que quer segurança sem dar um auto estima ao policial,. seja bem-vinta os equipamentos viaturas etc.. que a m´dia esta divulgando, mas isso não enche a barriga dos policiais e familiares, não tão conforto nos lares do policais , o que queremos e um salário DIGNO, para que possamos trabalhar com afinco.

  • Izael Cavalcante | Segunda-Feira, 10 de Março de 2014, 12h53
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    Concordo com você nonato, o Dr. Faiad expressou muito bem esse sentimento de medo, a qual passa a população de MT com essa violência desenfreada. Se analisarmos bem, nos cidadãos, estamos refém de uma minoria, que são os bandidos. Essa matéria serve de alerta aos governantes (estadual, federal), e a toda classe política.

  • marcos | Segunda-Feira, 10 de Março de 2014, 12h50
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    segurança, , o governador a curto prazo em que largar de ser orgulhoso e pedir auxilio das forças armadas, como é la no rio de janeiro...estam aqui em mato grosso nem ai pra nós......

  • Nonato | Segunda-Feira, 10 de Março de 2014, 10h11
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    Cuiabano, acredito que você não leu a matérias com a acuidade devida, mas me dou ao direito de tentar ajudá-lo: _ A matéria fala do medo da população de forma geral; _ Inicialmente fala da falta de efetivo nas POLICIAS; _Seguindo a lógica cita casos de violência recente; _Continua afirmando sobre a necessidade de investimento no setor (SEGURANÇA); _ Informa que o Estado esta no limite da LEI DE RESPONSABILIDADE, o que inviabiliza contratação de mais homens e mulheres para a área; _ Utiliza argumentação fundamentada na informação prestada por técnicos sobre como melhorar os serviços sem custo alto e que extrapole a LEI DE RESPONSABILIDADE; _Cita como saída a desoneração dos produtos de exportação via Governo Federal - LEI KANDIR que tira dos cofres de MT 1 bi ano; _ E finalmente diz que é necessário atitude política e governamental. Assim acredito que a matéria esta recheada de informação para exigirmos do governo ação neste setor por alguém que sabe o que diz e mais importante, conhece do assunto tema e assina o que diz.

  • Cuiabano | Domingo, 09 de Março de 2014, 19h58
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    Engraçado Faiad até poucos dias atrás você fazia do time deste Desgoverno faz o seguinte exija do Desgoverno Silval Barbosa que dê segurança para população por ultimamente a gente houve dizer que o Desgoverno quer dá a sensação de segurança é o povo precisa é de segurança. Me engana que gosto! Tá preocupado com a população e serviu até poucos dias ao Desgoverno que esta totalmente no desgosto do cidadão cuiabano e Mato-grossense porque sem dúvida é o pior Governo da Historia de Mato Grosso inclusive conseguindo ser pior que o Carlos Bezerra.

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