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Quarta-Feira, 07 de Abril de 2021, 07h:51 | Atualizado: 07/04/2021, 07h:53

Allan Kardec

Morrer de fome ou morrer de Covid?

allan kardec 400 curtinha

Allan Kardec

É lamentável que o colapso da política institucional brasileira tenha levado as pessoas à equivocada dicotomia entre morrer de fome ou morrer de Covid. Como se o Estado se eximisse da responsabilidade de cuidar da vida e da saúde da sua gente, ao mesmo tempo em que deveria promover pacotes de estímulo à economia e ao setor produtivo, beneficiando trabalhadores e empresários.

Entramos no segundo ano de pandemia sem qualquer projeto, planejamento ou articulação entre Poderes Executivos (federal, estaduais e municipais) no sentido de conter a disseminação do vírus. Vimos tudo aberto e liberado no Natal, réveillon, carnaval e até hoje o comprovadamente ineficaz kit-covid é distribuído como a única política de prevenção.

O Brasil nunca teve um lockdown de fato, o que existiu foram somente algumas restrições. Em Mato Grosso, a tentativa de decreto por parte do governo enfrentou resistência de municípios e da população. O fato é que estamos abertos até hoje, mesmo em meio ao colapso sanitário e UTIs lotadas há quase um mês, com fila de espera que ultrapassa 200 pessoas.

É óbvio que todos nós temos o sentimento e o desejo de retorno à normalidade, porém isso só será possível com a aceleração e ampliação da vacinação. Mato Grosso hoje é o estado que menos vacinou no Brasil e esta deve ser nossa grande prioridade. Só a vacina trará a saída para essa crise, tanto sanitária como econômica.

O cidadão não deveria ter que escolher entre as únicas duas opções oferecidas pelo poder público: morrer de fome ou morrer de vírus

Allan Kardec

O cidadão não deveria ter que escolher entre as únicas duas opções oferecidas pelo poder público: morrer de fome ou morrer de vírus. Como poderíamos retornar as atividades escolares presenciais com milhares de estudantes frequentando escolas públicas sem condições adequadas, sem vacinação e no ápice do contágio, com o Estado registrando recordes de vítimas?

É fato que a nova cepa, a variante P1 do coronavírus, é muito mais contagiosa e letal, não restringindo os efeitos graves somente aos idosos, mas impactando todo o espectro social. Pesquisas demonstram o alto índice de óbitos entre profissionais de setores essenciais, como militares, garis e motoristas de ônibus com idades variadas.

A reabertura das escolas públicas hoje é um risco à saúde, uma vez que a transmissão do vírus não está limitada somente ao ambiente escolar, mas pode se propagar pela família e pelos ambientes comunitários (supermercados, farmácias, feiras…) que inclusive registram altos índices de carga viral, de acordo com pesquisadores da Fiocruz.

O cientista Miguel Nicolelis tem alertado para aquilo que os pesquisadores chamam de superspread, um evento sincronizado de transmissão em massa, assim como ocorreu nas festas de fim de ano e carnaval. Isso poderia levar o vírus a um patamar irreversível.

Vemos hoje o exemplo de Joe Biden nos EUA, que criou 916 mil novos empregos só no último mês, derrubando a taxa de desemprego para 6%. Investiu em vacinas e terá todos os adultos vacinados a partir de maio, além de anunciar um pacote de estímulo econômico de mais de 2 trilhões de dólares.

Mato Grosso é um estado rico e temos um setor produtivo que pouco sentiu os efeitos da pandemia, pelo contrário, se beneficiou da alta do dólar e das exportações e inclusive ajudou a elevar o preço da cesta básica no supermercado. Não existe precedente no mundo de um país que aumentou o preço da comida progressivamente com o aumento da pandemia.

Alguém viu notícias de algum avião dos barões do agronegócio ajudando no transporte de oxigênio? Ou fazendo uma doação de ítens como kit intubação e materiais hospitalares para UTI? Aproveitando a estreita conexão com a China nos negócios para importar respiradores ou mesmo comprar vacinas? Qual a contrapartida que deixam para as pessoas de toda riqueza que acumulam em nossa terra?

Esse é o momento para darmos um salto civilizatório. Sensibilizar a sociedade como somos, uma grande comunidade de seres humanos que precisam atuar juntos para a sobrevivência. Não temos tempo para um jogo de empurra entre poderes executivos ou intrigas entre governador e prefeito.

Somos o lanterninha da vacinação e se não acelerarmos, ao invés de celeiro do mundo, poderemos nos transformar num grande laboratório de mutação do vírus e continuaremos a amargar mortes e crises. E é neste ponto que devemos concentrar todos os nossos esforços agora: Vacina Já!

Allan Kardec Benitez é Professor da rede estadual de Educação, possui mestrado e doutorado em Estudos de Cultura Contemporânea pela UFMT, é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, Deputado Estadual e presidente do Diretório Estadual do PDT-MT.

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Comentários (1)

  • Chico Bento | Quarta-Feira, 07 de Abril de 2021, 09h11
    1
    1

    E o senhor que está na política a tanto tempo, o que tem feito para amenizar a angústia da pandemia? Aliás, o que tem feito de bom para a população de Mato Grosso? Por que não criou alternativas preventivas no combate à propagação do vírus?

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