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Sábado, 12 de Outubro de 2019, 00h:00 | Atualizado: 11/10/2019, 22h:02

Olga Lustosa

No momento em que somos confrontados

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Olga Lustosa

A política se torna prejudicial quando você menospreza os outros para manter suas opiniões. Porém, não tem nada a ver com a inteligência o fato de uma pessoa não mudar de ideia acerca de qualquer assunto que discuta. Entretanto, estamos mais abertos a mudar de ideia em tópicos mais amenos.

Li um artigo da colunista e escritora americana Arianna Huffington sobre o quanto a política está nos deixando psicologicamente doentes e ampliei a leitura sobre o tema. Os psicólogos têm ventilado uma possível razão pela qual as crenças políticas são tão teimosas: identidades ideológicas ficam vinculadas a nossas identidades pessoais, o que significa que um ataque às nossas crenças é fortemente defendido pelo cérebro.   

Quando somos atacados, fugimos ou nos defendemos - como se tivéssemos um sistema imunológico para pensamentos desconfortáveis. Quando nosso eu se sente atacado, nosso cérebro lança mão das mesmas defesas que ele tem para proteger o nosso corpo.

Temos a tendência de levar os ataques políticos para o lado pessoal. Em um estudo publicado no Scientific Reports,  40 profissionais liberais que declararam ter convicções políticas firmes, foram colocados em um tipo de scanner de ressonância magnética. A questão do estudo era a seguinte: ver o que acontece no cérebro no momento em que somos confrontados com um argumento que contraria nossas identidades ideológicas e partidárias.

Chegaram a conclusão que quando os participantes foram desafiados em suas crenças mais profundas, houve mais ativação nas partes do cérebro que se acredita corresponder à preservação da identidade.

Logicamente a pretensão não era estudar a teimosia partidária em si, mas entender o que acontece no cérebro quando resistimos a mudar de ideia. O estudo pode ser limitado, entretanto é uma evidência intrigante que confundimos desafios ideológicos (com boa argumentação) com insultos pessoais.

O cérebro processa informações politicamente carregadas de maneira diferente e com mais emoção do que processa fatos mais mundanos

Olga Lustosa

Os resultados são intrigantes porque mostram que o cérebro processa informações politicamente carregadas de maneira diferente e com mais emoção do que processa fatos mais mundanos.

Pessoas de todas as faixas políticas experimentam ansiedade e alienação por causa da política - a questão é como lidamos com isso.

A política é uma ladeira escorregadia, especialmente com tensões recentes. Há uma tempestade de opiniões, argumentos e ideias voando por todo o país. A política pode facilmente se tornar um relacionamento tóxico, quando colocamos os outros para baixo.

Contudo, podemos trazer da seara política uma atmosfera mais tranquila, respeitando as opiniões dos outros, sendo capaz de defender as crenças com fatos e dados, evitar brigas apaixonadas por quaisquer crença ideológica e saber que não há problema em discordar das pessoas, até porque política tem tudo a ver com ambiente de ideias conflitantes.

Olga Borges Lustosa é socióloga e cerimonialista pública. E-mail: olgaborgeslustosa@gmail.com

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