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Sábado, 14 de Setembro de 2019, 00h:00 | Atualizado: 13/09/2019, 14h:16

Luiz Henrique Lima

Precisa-se

Luiz Henrique Lima

Luiz Henrique Lima

Uma das mais belas iniciativas que conheci recentemente foi o Projeto Geladeira Solidária. A ideia original é simples e generosa. Coloca-se uma geladeira em local de fácil acesso e grande circulação de público. Voluntários abastecem a geladeira periodicamente com doações de alimentos. E quem necessita abre a geladeira e retira o suficiente para a sua nutrição.

Conversando com um dos organizadores, ele me relatou que viu experiência semelhante durante viagem a outra cidade. A iniciativa foi adaptada para Cuiabá, funcionando primeiramente na Estação Rodoviária e depois expandida para outros locais e municípios. Cada geladeira conta com um grupo de voluntários responsáveis que se organizam conforme suas possibilidades. Em regra, cada dia da semana tem um responsável pelo abastecimento. Essa pessoa coordena a ação de outros: uns buscam doações junto a padarias e restaurantes, outros preparam embalagens etc. Tudo funciona com o mínimo de circulação de dinheiro e o máximo de boa-vontade e amor ao próximo.

Os depoimentos que ouvi de alguns voluntários são comoventes. Descrevem pequenos dramas humanos de quem, por alguma circunstância, se viu sem recursos para uma refeição e encontrou na Geladeira Solidária o refrigério em uma situação aflitiva.

A Geladeira Solidária tem a marca da modéstia, da discrição e da simplicidade de seus voluntários

Luiz Henrique

A Geladeira Solidária tem a marca da modéstia, da discrição e da simplicidade de seus voluntários. Eles não aspiram a se tornar celebridades no mundo digital, mas apenas dar uma ajuda a seus semelhantes. Mas na sinceridade de suas ações ministram grandes lições a todos nós.

Estive também em contato com outro belíssimo projeto, esse mais conhecido por ser mais antigo e já ter sido divulgado em programa de televisão em rede nacional: o Inclusão Literária, que leva livros e desenvolve atividades para estimular a leitura em comunidades rurais e ribeirinhas na imensidão de Mato Grosso. É incalculável a distribuição de riqueza, de saber e de cultura que ocorre quando se facilita o acesso a leitura e ao conhecimento. A leitura liberta a alma e o conhecimento multiplica oportunidades para o futuro.

Curiosamente, os dois projetos se complementam, pois a Geladeira Solidária alimenta o corpo e a Inclusão Literária nutre o espírito.

O fato é que em nossa sociedade, que ainda apresenta tantas carências e desigualdades, precisa-se de muita solidariedade e ações voluntárias que complementem as políticas públicas estatais. Precisa-se de muitas pessoas capazes de se doar e doar um pouco de seu tempo e de seus meios. Precisa-se de muitas iniciativas como a Geladeira Solidária, o Inclusão Literária, o Centro de Valorização da Vida - CVV e tantas outras. E essas iniciativas precisam de mais voluntários e de mais apoio.

Conversando com amigos, observo que há entre as pessoas um enorme potencial de boa vontade para auxiliar o próximo, mas que, muitas vezes, não encontra um caminho para se concretizar. Muitas vezes, a boa disposição não consegue se traduzir em ações práticas, principalmente por falta de informação.

Muitos imaginam que para desenvolver tais atividades é necessário um volume de dinheiro que não têm, ou de tempo que não dispõem, ou então que é necessário um treinamento para desenvolver habilidades que não possuem. Muitos se desencorajam e não dão o primeiro passo.

A realidade é que para exercer a solidariedade ao próximo não é preciso dispor de muito dinheiro, nem de muito tempo, nem de muito treino e nem é necessário ir muito longe. Há um sem-número de projetos nas mais variadas áreas como meio ambiente, cultura, apoio a idosos ou a adoção, proteção de animais etc.

Todo mundo tem algo que pode doar e não lhe fará falta. Todo mundo tem uma habilidade que pode compartilhar e a alguém será útil. Todo mundo tem algum tempo disponível. Todo mundo tem algo a ensinar e a aprender. E o que todos os que estão engajados em trabalhos solidários me dizem é que aprendem mais do que ensinam e recebem mais do que doam.

Precisa-se de voluntários, de pessoas dispostas a fazer o bem. Precisa-se de você e de todos nós.

Luiz Henrique Lima é Conselheiro Substituto do TCE-MT. E-mail: luizhlima@tce.mt.gov.br

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