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Quarta-Feira, 01 de Abril de 2020, 09h:05 | Atualizado: 01/04/2020, 09h:26

Christiany Fonseca

Precisamos de um estadista que se preocupa em salvar o CPF ou o CNPJ?

Christiany Fonseca

Christiany Fonseca

Estamos passando por um dos momentos mais críticos da humanidade, momento esse que já está registrado nos autos da história pelo medo, pela insegurança, pelas incertezas e, infelizmente, pela perda de muitas vidas.

O isolamento social vem servindo como “remédio”, extremamente necessário, mas que também vai deixar suas cicatrizes. Porém, respaldado na Constituição Brasileira, no artigo 5º, quanto a “inviolabilidade do direito à vida“, deve o Estado buscar garantir essa premissa.

A Covid-19 está longe de ser somente uma patologia física. Ela e também é uma patologia social, com consequências que muitos países já vem sentindo.

Teremos também uma crise social, no qual trabalhadores, que atualmente estão afastados de suas atividades, temem pelo risco a saúde e a vida, mas temem pela perda dos empregos que já estão sendo ameaçados pelo próprio patronato, mas também por gestores que esbanjam em seus discursos a prioridade da saúde econômica em detrimento da saúde da população.

De qualquer forma, dou mais credibilidade aos gestores que tomam decisões mais rígidas para garantir a preservação da vida, do que muitos outros que fazem concessões e criam verdadeiras cortinas de fumaça, baseadas na limitada ideia da preservação da economia, construindo um “pseudo” discurso de preocupação com o futuro do população. Somente um bom estadista conseguirá passar dessa crise com confiança do seu povo.

É falacioso o discurso de gestores que pregam terror quanto ao caos econômico brutal se as medidas de austeridade não regredirem

Christiany Fonseca

Preocupados em evitar uma forte retração econômica, o presidente Jair Bolsonaro e outrora o governador do Estado, Mauro Mendes, contrariaram a orientação de epidemiologistas, tentando convencer os brasileiros a abandonar a quarentena contra o novo coronavírus. O governador só parou de insistir com esse equivocado discurso por ser imobilizado pelo Poder Judiciário.

Vamos voltar a história:

Gripe espanhola (1918) X Covid-19 (2019)

“Um estudo sobre os efeitos da epidemia de gripe espanhola sobre cidades americanas em 1918, indica que, ao menos um século atrás, medidas preventivas de isolamento social foram positivas não apenas para prevenir mortes, mas também amenizar o impacto da pandemia sobre a economia.”

As medidas de prevenção que foram adotadas 10 dias antes da chegada da doença, tiveram aumento de 5% no emprego industrial das cidades no período posterior à pandemia de 1918. Assim como a implementação de até 50 dias antes da chegada do surto, resultaram em um crescimento de 6,5% do emprego na indústria após o fim da pandemia.

É falacioso o discurso de gestores que pregam terror quanto ao caos econômico brutal se as medidas de austeridade não regredirem.

Quando comparado ao modo como 43 cidades americanas usaram medidas mais rígidas, economistas que analisaram os impactos da gripe em 1918, perceberam uma constante. Medidas precoces e com mais intensidade não agravaram a crise econômica.

"Pelo contrário, cidades que intervieram antes e mais agressivamente experimentam um aumento relativo do emprego na indústria, da produção industrial e dos ativos bancários em 1919, após o fim da pandemia", dizem os autores.

A gripe espanhola é considerada a maior pandemia da história, chegando a dizimar mais de 50 milhões de vidas na época.

Dessa forma, esperamos de nossos gestores que jamais deixem de priorizar a saúde da população em detrimento da saúde econômica. Do contrário, a história infelizmente poderá se repetir.

Não vamos deixar que interesses utilitaristas, defendidos por um pequenos grupo de privilegiados, com poderio econômico, decidam qual o “tipo da saúde quer salvar”. Mais vidas garantidas, mais pessoas reconstruindo a economia!

“E assim caminha a humanidade...”

Christiany Fonseca, professora do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), mestre em Educação e doutoranda em Sociologia.

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Comentários (3)

  • ANTONIO CARLOS | Quarta-Feira, 01 de Abril de 2020, 22h10
    1
    5

    Para falar do assunto tem que ser da área...a mestranda Çhristany..creio que foi infeliz no posicionamento ...Mas a opinião é dela ...ponto de vista dela ..mas vai na contramão de muitos infectologista .

  • Aurélio Augusto Júnior | Quarta-Feira, 01 de Abril de 2020, 20h29
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    1

    Parabéns pelo artigo Professora Christiany Fonseca, ótimas e necessárias observações. Este período que estamos vivenciando, é a hora demonstrarmos responsabilidade social e senso de HUMANIDADE. Há diversos conflitos/problemas sociais sendo agravados, de toda natureza, e o Poder Público tem que se empenhar em amenizar os danos. Neste sentido, os nossos gestores públicos ao IGNORAREM as evidências científicas, as recomendações técnicas da OMS e os bons exemplos/as boas experiências de outros países que tem sido referenciais no enfrentamento/prevenção/tratamento ao contágio do Covid-19, DEMONSTRAM, por meio de ações institucionais, que a vida humana é descartável, sobretudo, dos chamados grupos vulneráveis. As gestões que alinham-se a essas irracionalidades estão na contramão, e são na prática, as maiores ameaças à saúde pública e ao direito à vida, este último, o nosso bem jurídico mais valioso.

  • ANDERSON CARDOSO RIBEIRO | Quarta-Feira, 01 de Abril de 2020, 15h57
    2
    1

    Infelizmente estou muito preocupado com o que vai vir para nós aqui no MT pois do centro Oeste só ele teve a calhordice de seguir o que Pediu o presidente Bolsonaro ambos passarão para a História como aqueles que pouco se importaram com seus cidadãos.

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