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Sábado, 03 de Agosto de 2019, 07h:46 | Atualizado: 03/08/2019, 07h:53

Wellington Fagundes

Trilhos, depende de nós!

Wellington Fagundes artigo

Conversei nesta semana com um grupo de articulistas - dos principais veículos de comunicação do Estado - para propor uma união de esforços em favor da ampliação dos trilhos da Ferrovia Vicente Vuolo (Ferronorte), em Rondonópolis, onde está localizado o maior terminal ferroviário de carga da América Latina, até a nossa Capital, Cuiabá – maior centro econômico do Estado, que detém um Produto Interno Bruto (PIB) superior a R$ 21 bilhões e renda per capita na faixa de R$ 36,5 mil e depois chegando à Sinop onde será o grande entroncamento rodoferroviário. Ideia bem acolhida!

Começo pela história, para fazer justiça aos que iniciaram esse fantástico empreendimento

E como dei a sugestão, então começo! E começo pela história, para fazer justiça aos que iniciaram esse fantástico empreendimento.

O avanço da Ferronorte e o tão sonhado projeto de ver os trilhos chegarem a Cuiabá, não é novo. Essa odisseia começou a ser idealizada ainda pelo escritor Euclides da Cunha, no final do século XIX. Na primeira metade do século passado, a estrada de ferro chegou ao Estado, mas parou em Corumbá, que ainda pertencia a Mato Grosso. Depois, com a divisão do Estado, a ferrovia ficou em Mato Grosso do Sul.

Mas somente nos idos de 1970 o projeto ganharia um grande defensor. Membro da Comissão de Transportes da Câmara dos Deputados, o então deputado federal “Vicente Vuolo” defendeu o projeto com o apoio da bancada paulista. Naquela época, a ferrovia interessava aos planos do regime militar que pensava em consolidar-se mediante a construção de grandes obras para promover a chamada "integração nacional".

Finalmente, em 1975, Vuolo, com o apoio da bancada de deputados do Oeste paulista, conseguiu a aprovação do projeto pela Câmara dos Deputados - PL 312/1975, que incluía a ligação ferroviária de Mato Grosso na relação descritiva das ferrovias do Plano Nacional de Viação, instituído pela Lei 5.917, de 10 de setembro de 1973.

O projeto incluiu a ligação ferroviária de Rubinéia (SP), Aparecida do Taboado (MS), Rondonópolis (MT) e Cuiabá (MT) (acho que até Santarém e Uberlândia) no Plano Nacional que vigorava na época. A ferrovia ganhava existência em forma de projeto oficial.

No ano seguinte, o ex-presidente Ernesto Geisel, sancionou o projeto (Lei 6.346, de 6 de julho de 1976), incluindo a ponte sobre o rio Paraná - principal obstáculo geográfico a ser vencido, com 3.700 metros de extensão. A ponte rodoferroviária foi incluída no Plano Viário Nacional. A ponte só ficou pronta em 1998 graças a audácia de Olacyr de Moraes, um dos personagens desse empreendimento. Com isso, os trilhos avançaram até Alto Taquari, em 1999.

Dois anos depois, avançaram até Alto Araguaia, onde ficaram parados por uma dificuldade criada pelo contrato do Governo Federal com a concessionária, que não previa prazo para que a estrada de ferro avançasse em direção a Rondonópolis.

Na época (2008), como presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, da Câmara dos Deputados, atendi ao Fórum Pró-Ferrovia, criado por representantes da sociedade civil de Mato Grosso, liderado por Francisco Vuolo, para que convocasse a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro dos Transportes, à época, Alfredo Nascimento, para discutir esse contrato de concessão.

Quem vem conosco?

E assim foi feito. Mediante isso, o contrato foi reformulado e estabeleceu-se um prazo para que os trilhos chegassem a Rondonópolis, o que ocorreu em 2013.

De volta à cena, essa luta coletiva é para ver os trilhos chegarem a Cuiabá e, posteriormente, ao Norte do Estado, promovendo industrialização, atraindo novos empreendimentos e gerando desenvolvimento em toda a região.

Dessa forma, a ferrovia pode gerar um novo ciclo de desenvolvimento de toda a Baixada Cuiabana, onde estão municípios muito carentes.

Quem vem conosco? Semana que vem volto ao assunto.

Wellington Fagundes é senador por Mato Grosso e presidente da Frente Parlamentar de Logística e Infraestrutura do Congresso Nacional.

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Comentários (2)

  • celio ferrerira macedo | Segunda-Feira, 05 de Agosto de 2019, 17h21
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    Às pessoas que indagam se a ferrovia vem, tenho respondido que não, nós temos que trazê-la. Não adianta esperar pois outros não a trarão. Tem que ser buscada, como fizeram os saudosos professor Iglésias, o senador Vuolo, o governador Dante e ninguém mais. Este assunto envolve poderosos interesses que ultrapassam o âmbito da logística e chegam à geopolítica, onde claras posições divisionistas estão colocadas. Por estas a ferrovia não pode chegar a Cuiabá, interesse reforçado pelos estados limítrofes desejosos de que a produção de Mato Grosso seja verticalizada em seus territórios, levando para eles a renda e os empregos de qualidade que são de direito do povo mato-grossense. Não me surpreenderá se em breve aparecer um projeto ferroviário ligando Campo Grande a Rondonópolis.(JÓSE ANTONIO LEMOS 30/07/2019)

  • ERICO DE MELLO | Segunda-Feira, 05 de Agosto de 2019, 13h30
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    Pessoalmente, sou cético. Acho que a empresa Rumo está só enrolando, pois depois que abriu mão do trecho Rondonópolis-Cuiabá viu que basta alguém fazer extensão até Jaciara e ali pôr um embarcadouro, por exemplo, terá direito de despachar cargas para Santos ou Paranaguá pagando apenas o irrisório direito de passagem à Rumo.

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