ARTIGOS

Sexta-Feira, 15 de Novembro de 2019, 00h:00 | Atualizado: 14/11/2019, 21h:48

Luciano Pinto

Um desafio chamado República

Luciano Pinto

Luciano Pinto

É comum atualmente que vários estudantes morem juntos, principalmente nos tempos de faculdade. Esse lugar é popularmente chamado de República. A origem do nome é interessante. A ideia de mudar a monarquia para República surgiu exatamente nos alojamentos de jovens militares que, residindo no mesmo local, começaram a pensar e arquitetar a alteração do regime de governo.

Esse período de transição foi motivado por inúmeros fatores, tais como, a senilidade do imperador, o descontentamento de muitas classes (igreja, militares, setores da economia, antiabolicionistas), a ausência de herdeiros homens de Dom Pedro II e o medo do trono cair na mão de um estrangeiro, já que sua filha, a Princesa Isabel, era casada com o Conde d’Eu, um francês sem qualquer simpatia da população brasileira.

A proclamação da República foi uma concatenação de fatos envolvendo inúmeras personalidades. O personagem principal, Marechal Deodoro da Fonseca, um monarquista convicto, mesmo doente (com dispneia), concordou em liderar o movimento.

A história é linda da forma como hoje é contada. Deodoro, no seu cavalo, lidera as tropas e atravessa o Campo de Santana, dando o famoso brado “Viva a República”. De forma orquestrada os demais militares, além de outras medidas, tomam o quartel-general do Rio e o Ministério da Guerra. Está proclamada a República.

Entretanto, não podemos nos enganar. O ato em si, trocando em miúdos, nada mais foi do que um golpe militar. Naquele momento o país vivenciou uma ruptura institucional. Para o bem ou para o mal (isso não importa), é inegável a existência da quebra da normalidade política das instituições, principalmente da monarquia.

Em uma data que relembramos o momento de ruptura política, somado ao contexto político conturbado dos nossos vizinhos latinos, não existe ocasião mais apropriada para refletir o que estamos vivenciando atualmente no nosso país.

Não é hora de fechar o Congresso, ou mesmo o STF, com militares na rua tomando o poder nas mãos, entre outros tantos absurdos que escutamos

Luciano Pinto

Com o devido respeito aos que pensam em sentido contrário, tenho para mim que não existe qualquer justificativa para uma nova ruptura política. Não é hora de fechar o Congresso, ou mesmo o STF, com militares na rua tomando o poder nas mãos, entre outros tantos absurdos que escutamos.

Nossa democracia precisa sim aparar algumas arestas, isso é fato. É necessária uma reciclagem política, administrativa, jurídica, fiscal, legal, entre outras.

Então, antes de pensarmos em uma ruptura institucional precisamos fazer um dever de casa imenso. Entre tantas outras medidas, é hora de pensarmos que, com raras exceções, não tem cabimento alguns servidores públicos receberem auxílio moradia, transporte, alimentação, entre outros.

É momento de pararmos de achar normal um servidor público ter sessenta dias de férias ao ano. É hora de pararmos com as agourentas estratégias de sonegar impostos, e também é hora de simplificarmos o absurdo manancial existente de regras fiscais. É a ocasião para refletirmos sobre a efetiva participação política da sociedade, inclusive com engajamento apartidário.

É tempo da administração pública rever sua estratégia de ser o maior demandante do Poder Judiciário. É hora de pararmos de pensar que o STF apenas defende bandido, sequer conhecendo o que eles tecnicamente estão falando.

É momento de colocarmos em pauta urgente e prioritária o nível de educação que a população precisa. É a oportunidade de pararmos com a defesa de interesses classistas e compreender que o mistério da fé é exatamente a sintonia entre todos nós, envolvidos e responsáveis pelo país que queremos.

Se não enfrentarmos essas dificuldades, e outras tantas que diariamente nos deparamos, de nada adiantará comprometer a nossa República.

Luciano Pinto é advogado. E-mail: luciano@lpadvocacia.com.br

Postar um novo comentário

Comentários

  • Comente esta notícia

Matéria(s) relacionada(s):

Sindal e a traição por alíquota de 14%

jovanildo antonio sindal curtinha 400   Jovanildo Antonio da Silva (foto), presidente do Sindal que já tem uma atuação pífia, agora está levando porrete de todo lado dos servidores da Assembleia. É que, ao invés de sair em defesa da categoria e se manifestar contra o projeto do governo de elevar a...

2ª suplente de Selma amarga 2 perdas

clerie fabiana curtinha 400   Clérie Fabiana Mendes (foto), que surgiu do nada na vida pública e ganhou notoriedade como 2ª suplente da senadora Selma Arruda, vai perder duas vezes. Primeiro, ficará sem o cargo eletivo, por causa da cassação da chapa, encabeçada por Selma, por caixa 2. Segundo,...

Após aprontar, Abílio pede desculpas

juca do guaran� curtinha 400   Acuado, Abílio Brunini (PSC) recorreu agora a uma outra estratégia na esperança de escapar da cassação do mandato, depois de tanto aprontar, com denúncias sem provas, constrangimento, brigas, manipulação e ataques a diversas pessoas. Da...

Cervejaria cuiabana devolve R$ 270 mi

rogerio gallo 400 curtinha   Após negociação, por intermédio do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA), uma cervejaria de Cuiabá vai devolver aos cofres públicos cerca de R$ 270 milhões nos próximos dias. O montante se refere a diferenças no ICMS...

Lei em Cuiabá veta cortar luz e telefone

misael galvao 400 curtinha   Seguindo exemplo de outros municípios, a Câmara de Cuiabá, sob Misael Galvão (foto), rejeitou veto do prefeito Emanuel e promulgou uma lei, que proíbe empresas de gás e concessionárias de serviço público de energia elétrica, no caso a Energisa,...

Visita a todos setores e agradecimento

domingos neto tce 400 curtinha   Numa demonstração de humildade e respeito aos servidores, o presidente do TCE Domingos Neto visitou nesta 4ª todo os setores do Tribunal para agradecer pessoalmente o esforço, dedicação e a contribuição de cada colaborador para que sua gestão do...

MAIS LIDAS

ENQUETE

facebook whatsapp twitter email

Como você avalia a decisão do Supremo de suspender prisão imediata após julgamento em segunda instância?

Concordo

Discordo

Tanto faz

Não se trata de pesquisa eleitoral, mas de um mero levantamento de opiniões de leitores do RDNews e do Blog do Romilson, com participação espontânea dos internautas. Resultado sem valor científico.