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Obra traz investigação sobre "Imprensa negra no século XIX"

Por 17/10/2010, 11h:26 - Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

 

 

 

Jornalista e historiadora Ana Flávia lança obra sobre    Acaba de ser lançado em Brasília o livro "Imprensa Negra no Brasil do Século XIX". A autora é Ana Flávia Magalhães Pinto, jornalista e historiadora do Distrito Federal. O lançamento aconteceu na quinta (14) à noite, na Livraria Cultura. A dissertação de mestrado defendida por Ana Flávia em 2008 é o resultado de um trabalho de pesquisa.

   Ela pesquisou oito veículos lançados entre setembro de 1833 a agosto de 1899: “O Homem de Cor ou O Mulato, Brasileiro, Pardo”, “O Cabrito” e “O Lafuente”, do Rio de Janeiro (RJ), em 1833; “O Homem: Realidade Constitucional ou Dissolução Social”, de Recife (PE), em 1876; “A Pátria – Órgão dos Homens de Cor”, de São Paulo (SP), em 1889; “O Exemplo”, de Porto Alegre (RS), de 1892; e “O Progresso - Órgão dos Homens de Cor”, também de São Paulo (SP), em 1899.

   O resultado é um apanhado que revela a história dos veículos de comunicação da imprensa negra e os esforços dos negros letrados daquele período em manter os jornais e propagar as ideias em defesa dos homens de cor e contra a escravidão e os direitos dos homens livre. Mas também expõe situações e costumes da época, como o hábito de leitura entre letrados e iletrados, um dos pontos que Ana Flávia Magalhães Pinto aborda nesta entrevista para o RDNews.

   O livro "Imprensa Negra no Brasil do século XIX" faz parte da “Coleção Consciência em Debate”, da Selo Negro Editora, de São Paulo. Há outros  volumes: “Relações raciais e desigualdade no Brasil”, “Políticas públicas e ações afirmativas”, “História da África e afro-brasileira” e “Literatura negro-brasileira”. Ana Flávia Magalhães Pinto nasceu em Planaltina (DF), em 1979. Graduou-se em Comunicação Social/Jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (2001), concluiu o mestrado em História pela Universidade de Brasília (2006) e atualmente é doutoranda também em História pela Universidade Estadual de Campinas. Ela desenvolve pesquisa sobre experiências de intelectuais negros na imprensa brasileira do século XIX. É colunista do jornal “Ìrohìn”. Eis, abaixo, os principais trechos da entrevista.

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 RDNews - Como eram organizados esses veículos?
 Ana Flávia Magalhães Pinto - Esses jornais foram frutos de pessoas que uma vez vivenciado algumas turbulências, alguns problemas que diziam respeito a discriminação racial, ao preconceito de cor. Decidiram criar esses veículos para tratar dessas questões. E foram também pessoas que já vinham de uma experiência na imprensa e decidiram criar veículos específicos para abordar esses assuntos. As experiências foram diferentes. Embora as abordagens tenha sido semelhantes, as experiências de cada uma dessas pessoas e desses veículos foram diferentes.

  RDNews - Quais eram as dificuldades para imprimir e fazer circular esses jornais?
  
Ana Flávia - Olha, dificuldade sobre isso não fica revelado a partir da leitura dos jornais. Pela leitura dos jornais, as dificuldades eram sobre os meios para mantê-los. Todos foram jornais de vida curta, com exceção do jornal “O Exemplo”, fundado em Porto Alegre (RS) em 1892 e que percorreu até 1930. E era fruto de um grupo maior e com uma experiência mais fortalecida na imprensa e em outros espaços da intelectualidade de Porto Alegre, o que de certa forma pode explicar a duração dessa experiência por tanto tempo. Mas de um modo geral os jornais tinham a proposta de serem mantidos a partir de assinaturas ou da venda avulsa. Não havia um acúmulo financeiro prévio que garantisse a sobrevivência deles, o que talvez tenha dificultado a existência deles por mais tempo. Outro fato é que eles lidavam com um público que tinha dificuldades financeiras, que era especialmente o público negro.

  RDNews – Qual era o perfil dessas pessoas que editavam esses jornais?
 
Ana Flávia – Eram pessoas que de uma forma e de outra tinha uma experiência de imprensa e já havia se estabelecido nesse mundo letrado e que garantiram além de um espaço convencional, asseguraram espaço para publicar seus próprios jornais. Eram jornalistas, tipógrafos, colaboradores frequentes, pessoas que a duras penas conseguiram frequentar uma universidade, formarem-se em Direito. Foram pessoas que lutaram para conquistar espaços na imprensa e uma vez conquistados não abriram mão de tratar das questões específicas, do preconceito de cor, da luta pela abolição, da incorporação do negro no mercado de trabalho pós-abolição.

  RDNews – Mesmo ainda no período escravista, no século XIX, havia homens negros livres e organizados. Isso é consequência da luta antiescravista que já vinha de longe. Mas como era possível essa organização na época?
  
Ana Flávia – Esse é um tema que bastante caro à historiografia nos últimos tempos, porque quando chegamos em 1888, a maior parte dos negros já se encontrava na situação de livres e libertos. Esses jornais iluminam algumas experiências de pessoas que já vinham de uma segunda geração de famílias negras livres. Eram pessoas que vivenciaram a situação de liberdade ainda no século XVIII. Desde o século XVIII e no decorrer do século XIX aumentou bastante a ocorrência de pessoas livres. Eu entendo que uma das motivações desses jornais sejam os entraves à cidadania desses negros durante o século XIX. Porque eles não só enfrentavam a escravidão como tinha que enfrentar uma série de preconceito à condição de ser negro, estar associado à escravidão e terem tolhido uma série de direito dessas pessoas como seres humanos e como cidadãos desse país.

   RDNews - Como era a repercussão do trabalho do negros letrados com os negros iletrados? Como os iletrados absorviam as informações desses jornais editados pelos negros letrados?
  
Ana Flávia – Tanto é preciso reconhecer que a experiência de letramento entre os negros, apesar de limitada, é maior do que a gente pensa, quanto é preciso também registrar as estratégias de emissão e recepção dessas idéias apresentadas por meio da palavra escrita entre os iletrados. Porque, por exemplo, no século XIX que os negros letrados lessem em voz alta os textos para os iletrados. Era comum isso. O Antonio Cândido chama isso de “tradição de auditório”. A literatura produzida no século XIX era bastante consumida a parte desse contexto: os letrados lendo para os iletrados. E reuniam grandes públicos. E isso acontecia em casa, em salões, em auditórios, na praça pública. Não foram poucas essas experiências. Podemos dizer que elas foram menos do que poderiam ser e mais do que a gente imagina.

  RDNews – Como avalia a imprensa negra nos dias de hoje, com as facilidades tecnológicas e de acesso aos veículos e com a redução do analfabetismo?
 
Ana Flávia – Com todas essas facilidades de hoje você pode fazer uma enquete entre os órgãos da imprensa negra hoje no Brasil e você vai descobrir que vivemos uma dificuldade muito semelhante. Garantir a estabilidade dos jornais da imprensa negra hoje ainda está sendo um problema, apesar de todos os avanços em relação ao século XIX.


Jornalista João Negrão, do RDNews, em entrevista à historiadora Ana Flávia, na Livraria Cultura, em Brasília

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Comentários (3)

  • Maria Aparecida G. Tinoco | Sexta-Feira, 21 de Agosto de 2015, 20h56
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    óla Ana Flávia eu gostaria de saber seu nome completo e do seu pai , a cidade em que morra em brasilia . Não se assusti com a pergunta , eu estou procurado uma irmã que nunca vi

  • Maria Marcia Silva | Domingo, 17 de Outubro de 2010, 21h02
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    Maria Marcia Silva, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • jose medeiros | Domingo, 17 de Outubro de 2010, 12h21
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    parabens João, sempre admirei sua postura. sucesso nessa nova tarefa.

INSTITUTO FEDERAL

Na disputa à Reitoria, uma ameaça à hegemonia de um antigo grupo

Por 24/05/2020, 22h:39 - Atualizado: 08h atrás

deiver alessandro ifmt 680

Apoiado pelas chamadas bases estudantis, o professor Deiver Alessandro Teixeira, diretor-geral do Campus do IFMT Cuiabá Bela Vista, se tornou uma ameaça à hegemonia do grupo do reitor Willian de Paula, que comanda o Instituto Federal de Mato Grosso há mais de duas décadas, ainda da época da escola técnica e CEFET.

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EFEITO-PANDEMIA

Coronavírus vai matar reeleição de muitos prefeitos

Por 24/05/2020, 21h:27 - Atualizado: 07h atrás

z� do patio 680

A Covid-19 deve matar o projeto de reeleição de muitos prefeitos, seja por causa de denúncias de irregularidades e má aplicação dos recursos à saúde, seja pela postura adotada em relação à pandemia. 

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CENA RARA

Onça-pintada com filhotes em rodovia de MT veja vídeo

Por 24/05/2020, 21h:25 - Atualizado: 08h atrás

onca 2 680

Uma onça-pintada, acompanhada de dois filhotes recém-nascidos, despertou atenção de motoristas, que interromperam o trânsito na MT-110, na região da Serrinha, próximo à entrada para São José do Povo, entre Rondonópolis e Guiratinga, para acompanhar e filmar os felinhos na travessia da rodovia estadual.

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Comentários (1)

  • Márcio | Domingo, 24 de Maio de 2020, 23h35
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    Onça pintada essa? Acho que enganaram o Ronilson.

CONTESTAÇÃO

Ex-governador registra BO contra matéria que o liga a castelo nos EUA

Por 24/05/2020, 11h:42 - Atualizado: 24/05/2020, 11h:50

silval barbosa 680

Revoltado com o que chama de fake news, uma matéria na manchete do jornal A Gazeta de sábado, sob título "Silval tem casa secreta", o ex-governador registrou um boletim de ocorrências no mesmo dia.

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Comentários (2)

  • Carla Mendonça | Domingo, 24 de Maio de 2020, 18h41
    2
    1

    Silval, vc vai para o inferno enquanto não se arrepender e delator todos, mais tem que ser todos mesmo. Muda de vida homem abrindo o seu coração e seja um exemplo de restauração para os seus futuros netos.

  • Débora | Domingo, 24 de Maio de 2020, 17h50
    1
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    Débora , Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

PESQUISA

Governo Bolsonaro já se derrete em Cuiabá, com 58% de reprovação

Por 23/05/2020, 23h:18 - Atualizado: 23/05/2020, 23h:27

bolsonaro 680

Com um ano e três meses de mandato, o presidente Jair Bolsonaro começa a se derreter. Ao menos junto aos moradores da calorenta Cuiabá, onde o capitão foi bem votado em 2018.

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Comentários (16)

  • Andrade | Domingo, 24 de Maio de 2020, 20h07
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    Jedae, como você é ignorante. Vem com essa conversa mole, tentando justificar o injustificável. Com certeza, nem sequer sabe qual é a diferença entre socialismo e comunismo e se acha o dono da verdade. Só para refrescar a tua memória: cerca de 61% dos brasileiros aptos a votar não votaram em Bolsonaro. Destes que votaram no Bozo, uma grande parcela votaram só por causa do ódio ao PT. Muitos já se arrependeram, descobriram que deram um tiro no pé. Só uma pequena parcela da população da brasileira continua fiel ao Mico. Estão se mexendo como minhoca em asfalto quente defendendo o cara, que a cada dia se afunda mais. Ele é incompetente demais, o pior presidente da história do Brasil.

  • naldo | Domingo, 24 de Maio de 2020, 19h57
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    Zé da roça, como você consegue ser tão idiota! É de tanto comer capim ou tomar cloroquina? Está aqui só obedecendo ordens do Carluxo via gabinete do ódio. Vai criar vergonha na cara, idiota!

  • Covid no Biroliro | Domingo, 24 de Maio de 2020, 18h02
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    PEGA FOGO cabaré!!!

EM PRÉ-CAMPANHA

Pré-candidata ao Senado nem aí para o isolamento social

Por 23/05/2020, 17h:05 - Atualizado: 23/05/2020, 18h:31

rubia fernanda 680

Ignorando o isolamento social e os mais de 1,2 mil casos de coronavírus em Mato Grosso, a pré-candidata ao Senado pelo Patriota, tenente-coronel PM Rúbia Fernanda, continua fazendo campanha para uma eleição que, sequer, tem data para acontecer.

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Comentários (4)

  • Aline | Domingo, 24 de Maio de 2020, 11h16
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    Essa senhora não tem o voto nem dos próprios Policiais Militares ... é uma fraude apresentada por esse Vitorio Galli que nem os evangélicos votam nele.

  • Amaral antunes | Domingo, 24 de Maio de 2020, 10h58
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    Na verdade verdadeira, bozo só tinha uns barbudos nojentos... ai os nócego do agronegocio como sempre, muito falsos aderiram com a grana.

  • Benedita da Silva | Sábado, 23 de Maio de 2020, 19h38
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    Estes pré candidatos acreditam em eleição suplementar, eleições municipais? A cloroquina, não é eficaz no combate ao coronavirus, e como dizem alguns youtubers, nem a gadolandia escapa! Quanta irresponsabilidade.

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