Blog do Romilson Cuiabá, 16 de Junho DE 2019 Rdnews RDTV facebook twitter RSS

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80 balas e um músico a menos

Por 09/04/2019, 07h:16 - Atualizado: 09/04/2019, 07h:21

henrique maluf colunista espa�o fixo

Henrique Maluf

“Quem cede a vez não quer vitória, Somos herança da memória. Temos a cor da noite, filhos de todo açoite. Fato real de nossa história”. Assim fala o trecho da canção Identidade do sambista Jorge Aragão, uma letra já antiga, que nos provoca a refletir sobre nossos dias.

Nas primeiras décadas do século passado, o simples ato de caminhar pelas ruas carregando instrumento musical poderia levar uma pessoa para a cadeia, principalmente se ela fosse negra, sambista, praticante de capoeira, ou adepto de religiões afro-brasileiras.

Manduca era o apelido de Evaldo dos Santos Rosa, mais um nome que será enterrado nas páginas tristes da memória da injustiça

Cartolas, Dongas, Ismaéis, Noéis e Pixinguinhas, eram muitos, que driblavam as garras da lei que queriam os enquadrar por vadiagem, e qual seria o crime? Carregar seus violões, cavaquinhos, papéis e canetas, pra ali, criarem a história deles, do samba, sem pretensões, apenas vivendo um dia de cada vez.

O que esses grandes mestres da música mundial tinham em comum além da música? A cor da pele, a herança da memória dos filhos do açoite, como diz o samba enredo da Mangueira, que sagrou-se campeã do Carnaval 2019 com uma letra que lembra que o Brasil foi construído pelo suor dos que não são lembrados.

A lei da vadiagem nada mais era que uma forma “lícita” de barras negros periféricos dos meios sociais mais abastados, um verdadeiro Apartheid, na sua grande maioria as pessoas eram presas e levadas pro presídio, onde conviviam com bandidos de todos os tipos.

Manduca era o apelido de Evaldo dos Santos Rosa, mais um nome que será enterrado nas páginas tristes da memória da injustiça. Um verso famoso diz que o samba agoniza mas não morre, mais uma voz do morro foi calada mas o samba continua.

Tocador de cavaco, Manduca era músico e já fez parte alguns grupos do Rio de Janeiro, como Remelexo da Cor. Junto com ele no carro estavam a esposa, o filho de 07 anos, o sogro e uma amiga, o destino era uma chá de bebê.

Sim, foram 80 tiros de fuzil sem aviso, numa ação totalmente descabida do exército, ainda acertaram um pedestre que tentou ajuda-los ao ver o que estava acontecendo. Convenhamos, uma cena dessa raramente seria vista na zona sul do Rio, um carro sendo metralhado.

O carro da família foi confundido com um carro de bandidos, dias atrás um guarda chuvas com fuzil, noutra uma furadeira com uma arma, até quando?

Os acordes que Manduca entonava em seu cavaquinho não soara mais, nem seu outro bico de segurança, mas logo esse nome será esquecido, como o de qualquer outra pessoa de comunidades do Rio, vai virar uma simples estatística, ainda posso flertar com a sorte ao dizer que 80 balas levaram apenas uma das cinco vidas dentro daquele carro.

Esse caso reacende nas redes sociais campanha para que militares respondam por crimes na Justiça comum, lei sancionada por Temer em 2017 diz que crimes dessa natureza sejam julgados por uma corte militar.

Há calorosas discussões sobre as ações militares no Rio, por um lado governantes que impulsionam ações de reagir e atirar, por outro defensores dos direitos humanos, mas esquecem de ouvir quem está no meio de tudo isso, o cidadão da comunidade.

O carro da família foi confundido com um carro de bandidos, dias atrás um guarda chuvas com fuzil, noutra uma furadeira com uma arma, até quando?

Henrique Maluf é músico, produtor cultural e pesquisador em Cuiabá. Escreve nesta coluna com exclusividade às terças-feiras. E-mail: herojama@gmail.com

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Comentários (1)

  • Maria Aparecida Duarte | Quarta-Feira, 10 de Abril de 2019, 21h53
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    Maravilhoso texto Henrique! Parabéns!!!

QUEDA-DE-BRAÇO

Resta ao Sintep uma saída honrosa

Por 15/06/2019, 22h:03 - Atualizado: 08h atrás

Rodinei Crescêncio/Rdnews/arquivo

valdeir sintep 680

 

Na queda-de-braço com o governo, o Sintep, comandado por Valdeir Pereira, foi a nocaute. Segue empurrando parte dos profissionais da Educação do Estado para a greve, que dura 20 dias, mas, internamente, já busca uma saída honrosa.

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Comentários (3)

  • Mariano de Souza Almeida | Domingo, 16 de Junho de 2019, 01h34
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    Essa é a pura realidade. Os professores precisam deixar de ser massas de manobras de sindicalistas irresponsáveis.

  • Bolsonazi | Domingo, 16 de Junho de 2019, 00h37
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    Bolsonazi, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • Matheus | Sábado, 15 de Junho de 2019, 23h19
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    Matheus, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

NO JUDICIÁRIO

Empresa recebe R$ 121 mil do TJ-MT, torra o dinheiro e é condenada

Por 15/06/2019, 19h:35 - Atualizado: 15/06/2019, 19h:45

celia vidotti 680

Célia Vidotti, da Vara Especializada em Ação Civil Pública e Ação Popular, condena a empresa quatro anos depois

Em mais uma das demandas jurídicas curiosas e inusitadas, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou na quarta passada, dia 12, a Amorim Auditoria e Perícia Contábil, que recebeu um “presentão” do próprio TJ-MT e não mais o devolveu.

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FUNDO DE APOIO

Funajuris acumula R$ 250 milhões

Por 15/06/2019, 07h:58 - Atualizado: 14/06/2019, 10h:45

tribunal de justi�a 680 fachada

 

O Fundo de Apoio ao Judiciário (Funajuris) tem hoje um saldo de R$ 250 milhões.

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Comentários (1)

  • alexandre | Sábado, 15 de Junho de 2019, 08h49
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    obras, palacios de cristal...

INFRAESTRUTURA

2 novos viadutos vão custar R$ 30 mi

Por 14/06/2019, 22h:53 - Atualizado: 14/06/2019, 23h:29

viaduto beira rio 680

Projeção de como ficará o viaduto da avenida Beira Rio com a Doutor Paraná, uma obra orçada em R$ 13,9 milhões

O projeto para construção de dois viadutos nas avenidas Beira Rio e das Torres, vias hoje com fluxos intensos de veículos, lançado pelo prefeito cuiabano Emanuel Pinheiro no ano passado, enfim, começa a sair do papel.

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  • Eleitora | Sábado, 15 de Junho de 2019, 06h03
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    Parabéns prefeito esses viadutos irão melhorar muito o trânsito

EM ÁGUA BOA

Jayme defende que obras avancem pelo contorno da 158 e é contestado

Por 14/06/2019, 21h:11 - Atualizado: 14/06/2019, 21h:20

jayme campos 680 agua boa

Senadores Wellington Fagundes e Jayme Campos, o ministro do Transportes Tarcísio Gomes e o federal Leonardo

Em audiência pública nesta sexta, em Água Boa, com a presença de várias autoridades, entre elas do ministro Tarcísio Gomes (Transportes) e do governador Mauro Mendes, o senador Jayme Campos fez discurso inflamado defendendo que obras da pavimentação da BR-158 avancem pelo contorno, de modo a desviar da reserva indígena Marawatsede, no Norte Araguaia.

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  • Luiz Alencar | Sábado, 15 de Junho de 2019, 14h30
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    Esse Prefeito Filemon de São Felix do Araguaia, é um reacionário,corrupto, depredador do meio ambiente, e inimigo da comunidade indigena do Araguaia.O Senador Jaime, falou o politicamente correto, devemos respeitar as nossas reservas indigenas, os seus direitos e as sua tradições. Fora Filemon, aplauso ao JAIME.

em várzea grande

Ex-vice 2 vezes deseja ser prefeito

Por 14/06/2019, 13h:01 - Atualizado: 14/06/2019, 13h:05

toninho domingos 680

 

Depois de dois mandatos de vice-prefeito, primeiro de Neru Botelho (93/96) e depois de Jayme Campos (2001/2004), Toninho Domingos agora quer ser cabeça de chapa na disputa em Várzea Grande. Está no PR e deve escolher nova sigla.

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  • marcio | Sexta-Feira, 14 de Junho de 2019, 15h44
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    tem o meu voto e o da minha família, Sr toninho é um empreendedor nato e conhece varzea grande como poucos .

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