Blog do Romilson Cuiabá, 22 de Outubro DE 2019 Rdnews RDTV facebook twitter RSS

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80 balas e um músico a menos

Por 09/04/2019, 07h:16 - Atualizado: 09/04/2019, 07h:21

henrique maluf colunista espa�o fixo

Henrique Maluf

“Quem cede a vez não quer vitória, Somos herança da memória. Temos a cor da noite, filhos de todo açoite. Fato real de nossa história”. Assim fala o trecho da canção Identidade do sambista Jorge Aragão, uma letra já antiga, que nos provoca a refletir sobre nossos dias.

Nas primeiras décadas do século passado, o simples ato de caminhar pelas ruas carregando instrumento musical poderia levar uma pessoa para a cadeia, principalmente se ela fosse negra, sambista, praticante de capoeira, ou adepto de religiões afro-brasileiras.

Manduca era o apelido de Evaldo dos Santos Rosa, mais um nome que será enterrado nas páginas tristes da memória da injustiça

Cartolas, Dongas, Ismaéis, Noéis e Pixinguinhas, eram muitos, que driblavam as garras da lei que queriam os enquadrar por vadiagem, e qual seria o crime? Carregar seus violões, cavaquinhos, papéis e canetas, pra ali, criarem a história deles, do samba, sem pretensões, apenas vivendo um dia de cada vez.

O que esses grandes mestres da música mundial tinham em comum além da música? A cor da pele, a herança da memória dos filhos do açoite, como diz o samba enredo da Mangueira, que sagrou-se campeã do Carnaval 2019 com uma letra que lembra que o Brasil foi construído pelo suor dos que não são lembrados.

A lei da vadiagem nada mais era que uma forma “lícita” de barras negros periféricos dos meios sociais mais abastados, um verdadeiro Apartheid, na sua grande maioria as pessoas eram presas e levadas pro presídio, onde conviviam com bandidos de todos os tipos.

Manduca era o apelido de Evaldo dos Santos Rosa, mais um nome que será enterrado nas páginas tristes da memória da injustiça. Um verso famoso diz que o samba agoniza mas não morre, mais uma voz do morro foi calada mas o samba continua.

Tocador de cavaco, Manduca era músico e já fez parte alguns grupos do Rio de Janeiro, como Remelexo da Cor. Junto com ele no carro estavam a esposa, o filho de 07 anos, o sogro e uma amiga, o destino era uma chá de bebê.

Sim, foram 80 tiros de fuzil sem aviso, numa ação totalmente descabida do exército, ainda acertaram um pedestre que tentou ajuda-los ao ver o que estava acontecendo. Convenhamos, uma cena dessa raramente seria vista na zona sul do Rio, um carro sendo metralhado.

O carro da família foi confundido com um carro de bandidos, dias atrás um guarda chuvas com fuzil, noutra uma furadeira com uma arma, até quando?

Os acordes que Manduca entonava em seu cavaquinho não soara mais, nem seu outro bico de segurança, mas logo esse nome será esquecido, como o de qualquer outra pessoa de comunidades do Rio, vai virar uma simples estatística, ainda posso flertar com a sorte ao dizer que 80 balas levaram apenas uma das cinco vidas dentro daquele carro.

Esse caso reacende nas redes sociais campanha para que militares respondam por crimes na Justiça comum, lei sancionada por Temer em 2017 diz que crimes dessa natureza sejam julgados por uma corte militar.

Há calorosas discussões sobre as ações militares no Rio, por um lado governantes que impulsionam ações de reagir e atirar, por outro defensores dos direitos humanos, mas esquecem de ouvir quem está no meio de tudo isso, o cidadão da comunidade.

O carro da família foi confundido com um carro de bandidos, dias atrás um guarda chuvas com fuzil, noutra uma furadeira com uma arma, até quando?

Henrique Maluf é músico, produtor cultural e pesquisador em Cuiabá. Escreve nesta coluna com exclusividade às terças-feiras. E-mail: herojama@gmail.com

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Comentários (1)

  • Maria Aparecida Duarte | Quarta-Feira, 10 de Abril de 2019, 21h53
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    Maravilhoso texto Henrique! Parabéns!!!

ESQUEMÃO NO CEPROMAT

Auditoria já citava rombo milionário sob Dentinho, que foi preso hoje

Por 22/10/2019, 11h:10 - Atualizado: 03h atrás

dentinho 680

O cerco já vinha se fechando contra o ex-presidente da Câmara de Cuiabá, ex-deputado estadual e ex-presidente do antigo Cepromat (hoje MTI), Wilson Celso Teixeira, o Dentinho, que foi preso nesta terça na operação Quadro Negro, deflagrada pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção.

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CASO INUSITADO

Apenas 2 vão votar e neles próprios

Por 21/10/2019, 19h:40 - Atualizado: 21/10/2019, 20h:46

guilherme maluf 680

Embora com colegiado formado por sete conselheiros titulares, apenas dois vão votar e, curiosamente, neles próprios. Sob um cenário inédito e inusitado, a eleição para renovar a diretoria do TCE-MT acontece em 5 de novembro.

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Comentários (2)

  • joana | Terça-Feira, 22 de Outubro de 2019, 10h16
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    Simples assim, e ponto final .

  • Seminina | Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2019, 22h52
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    Caro jornalista, a situação em MT será a mesma o vice acumulará também a corregedoria !

EM CUIABÁ

2 figurões nacionais brigam pela concessão do transporte coletivo

Por 21/10/2019, 15h:47 - Atualizado: 21/10/2019, 16h:54

Assis Marcos Gurgacz 680

Após 20 anos, a Prefeitura de Cuiabá abriu disputa para concessão do transporte coletivo. E, entre as cinco empresas concorrentes, duas têm como donos familiares de figurões nacionais.

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Comentários (1)

  • Luciano | Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2019, 18h33
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    E você não comenta das empresas do Botey e do Jayme porque?

ALTO PARAGUAI

Pivô da prisão de desembargador, casal ainda segue firme no poder

Por 21/10/2019, 11h:19 - Atualizado: 21/10/2019, 12h:56

diane e alcenor 680

Em Alto Paraguai, o ex-prefeito Alcenor Alves se tornou o prefeito de fato, mas não de direito. Embora a esposa Diane Alves seja a chefe do Executivo, quem dita as regras administrativas é Alcenor, que se envolveu num escândalo em 2010, chegando a ser preso.

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Comentários (2)

  • Antônio Joaquim do nascimento neto | Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2019, 21h06
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    Tem um matérial aqui sobre as calamidade de alto paraguai 93443569 chama eu passo pra vc

  • Joadir | Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2019, 15h20
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    Na VG aconteceu o mesmo e ninguém foi preso. Mas está tudo cristalino.

RUMO À REELEIÇÃO

Com 13 siglas e podendo atrair o PSL

Por 20/10/2019, 20h:41 - Atualizado: 20/10/2019, 21h:50

emanuel pinheiro deputados 680

Emanuel com os deputados Sílvio Fávero (PSL), Paulo (PP), Avalone (PSDB), Janaína (MDB) e seu esposo Diógenes

A um ano das eleições, o prefeito da Capital Emanuel Pinheiro já conta com apoio pré-estabelecido ao projeto de reeleição de nada menos que 13 partidos. E tende a aglutinar outros, inclusive o PSL do presidente Bolsonaro.

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Comentários (4)

  • Pedro José Cruz | Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2019, 16h45
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    Pedro José Cruz , Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • Maria F. Albuquerque | Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2019, 10h16
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    Desse jeito vai ganhar no primeiro turno. Até agora não apareceu adversário à altura para derrotar Emanuel. Juntando todos os pré-candidatos da oposição não dá um.

  • Claudiomario | Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2019, 09h31
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    Neste quase três anos de mandato, o prefeito tem conseguido vencer as demandas, e tem buscado recursos pra continuar viabilizando esforços respeitando todas as possíveis diferenças politicas e partidárias que possam existir, , tudo dentro da normalidade!!

  • Pedro luis | Domingo, 20 de Outubro de 2019, 21h59
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    Se o eleitor Cuiabano votar no Emanuel, mesmo depois de vídeo do paletó, estará demonstrado que o eleitor não se importa com corrupção, e quem tem atitudes duvidosas é aplaudido. Estará demonstrando também que corrupção não é problema, que não se importa. Estará provado ao mundo que é um exemplo de eleitor, que vota sem se importar com a índole do candidato.

SOB INVESTIGAÇÃO

Promotor denunciado segue do Núcleo de Patrimônio e Probidade

Por 20/10/2019, 10h:44 - Atualizado: 20/10/2019, 13h:37

marco aurelio 680

Denunciado criminalmente pelo MPE por quebra de segredo de Justiça, após investigações do Naco, o promotor Marco Aurélio, ex-coordenador do Gaeco, não deve ser afastado do Núcleo de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa.

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