Blog do Romilson

| 16/11/2017, 14h:13 - Atualizado: 03/08/2018, 18h:07

Mauro Mendes decide disputar o Governo, se distancia de Taques e está dividido entre DEM e PR

Para ter segurança no projeto majoritário dentro do partido dos Campos, ex-prefeito cuiabano exige que Fábio Garcia assuma a presidência da legenda


Rdnews/arquivo

mauro mendes 350

Mauro Mendes deseja concorrer, de novo, ao governo estadual

O empresário Mauro Mendes começa a se movimentar, sem alarde e nos bastidores, para viabilizar candidatura a governador. Ficou entusiasmado com o resultado de pesquisas feitas para analisar cenários e possibilidades e que o apontou entre os primeiros colocados nas intenções de voto. Caso avance nesse projeto, será a segunda vez que tentará o Palácio Paiaguás. Em 2010 concorreu e perdeu para Silval Barbosa.

A opção por não buscar novo mandato de prefeito da Capital, no ano passado, mesmo apontado como favorito absoluto na época, já foi uma estratégia de Mendes para deixar o Palácio Alencastro com bom conceito e aprovação popular e não enfrentar desgaste agora, dois anos depois, na corrida à sucessão estadual.

Este Blog apurou que a tendência é de Mauro puxar um bloco de oposição ao governador Pedro Taques, que deve tentar a reeleição mesmo enfrentando alto índice de rejeição.

Já desembarcando do PSB, na bronca por causa do retorno ao partido do deputado federal Valtenir Pereira, o ex-prefeito de Cuiabá flerta com o DEM dos irmãos Júlio e Jayme Campos, e também com PR do senador Wellington Fagundes. Algumas "costuras" são feitas junto à cúpula nacional.

Exigência e temor

Para ter segurança a seu projeto no DEM, Mendes exige que o deputado federal Fábio Garcia assuma a presidência estadual. Essa reivindicação foi feita ao presidente da Câmara Federal e uma das principais vozes do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ). Nesse caso, o deputado estadual Dilmar Dal Bosco, que é líder do Governo Taques na Assembleia e mais afinado com os Campos, teria de entregar o comando partidário ao grupo de Mendes, que não quer correr risco de sofrer boicote ou conspiração.

Wellington Fagundes, hoje mais adversário do que aliado do Paiaguás, também abriu as portas do PR para Mendes. Mas, nesse caso, o ex-prefeito não conseguiria carregar consigo para o partido deputados que estão deixando o PSB, como o presidente da Assembleia, Eduardo Botelho, e os também estaduais Oscar Bezerra, Max Russi e Mauro Savi.

Fontes revelam que Mendes pretende "segurar" o anúncio dessa pré-candidatura até março. Não quer se indispor com Taques, já que o governador deseja tê-lo no palanque e como candidato ao Senado, assim como o ministro e senador licenciado Blairo Maggi (PP), que também buscará novo mandato. A expectativa de Taques em contar com Mendes e Blairo nas chapas à senatória é tanta que se manifestou, se imediato, contra a pretensão do tucano Nilson Leitão de também concorrer ao Senado.

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Comentários (46)

  • joao | Quarta-Feira, 11 de Julho de 2018, 17h53
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    PAGUE AS CONTAS PRIMEIRO SR. MAURO MENDES

  • Rodrigo | Sábado, 28 de Abril de 2018, 11h44
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    Disputar como? Ele tanto como pessoa física e como pessoa jurídica esta atolado... Devendo a justiça.... A povo burrinho, parecem que gosta de pessoas sujas....

  • joaoderondonopolis | Terça-Feira, 06 de Março de 2018, 17h55
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    Ninguém sabe o que Mauro Mendes quer, ele não se define e o tempo está passando e ele não sabe nem em que partido filiar.

  • Davi | Sexta-Feira, 23 de Fevereiro de 2018, 17h29
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    Mauro Mendes deveria ir para o PR, onde já teria um senador atuante pelo partido. Lançaria o Jayme Campos ao senado e o Dilceu Rossato (ex-prefeito de Sorriso), vice-governador poderia ser o prefeito de Cáceres, Francis Maris que já pretende deixar a base governista.

  • Prof. Ditinho Santana | Segunda-Feira, 12 de Fevereiro de 2018, 11h52
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    Acho um desrespeito aos Campos querer tirar deles o comando do Partido. Eles estão a vida toda comandando o Partido em MT. Nos bons e maus momentos do Partido. O Mauro é um grande nome à governador na oposição à este desgoverno do TX, mas poderia sair pelo seu partido de origem o PR e teria com certeza o apoio dos Campos e o seu respeito. Todas as forças políticas do estado descontente com esse desgoverno do TX deve se unir e não tomar na força e rachar para enfrentar a máquina! Serenidade e bom senso é o que exige o momento!

  • Moreira | Terça-Feira, 06 de Fevereiro de 2018, 22h16
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    Largou a capital na mão do Paletó. Pra mim é um traídor. Jamais Terá meu Voto MM.

  • ELLEN LUIZA GOMES DE ARAUJO E RABELO PIN | Segunda-Feira, 29 de Janeiro de 2018, 08h25
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    Apoio Mauro Mendes, mas não subo em palanque do Taques, não apoio Taques, nem essa direita que ajudou no golpe.

  • Luiz Carlos - ROO | Sábado, 20 de Janeiro de 2018, 11h32
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    Mauro mendes ir para o PR e ser apoiado pelo Senador sanguessuga? Só se ele estiver doido, a minha opinião ele iria para o DEM, pode falar o que quiser dos Campos, mais na época deles não ouve esses rolos de afastamento de governador. Se Mauro Mendes for para PR ja perdeu meu voto.

  • Candidato Sinopense | Terça-Feira, 09 de Janeiro de 2018, 18h22
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    fico aqui nos meus pensamentos se Pedro Taques tentar se reeleger e enfrentar como concorrente Mauro Mendes vai ser uma disputa do tipo : "dá tapa em bêbado ! Mauro mendes vai dar risada de um enfrentamento desse nível .......... ( é melhor taques lançar apoio a M. Mendes pelos menos assim garante uma secretaria).

  • Candidato Sinopense | Terça-Feira, 09 de Janeiro de 2018, 18h21
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    5

    fico aqui nos meus pensamentos se Pedro Taques tentar se reeleger e enfrentar como concorrente Mauro Mendes vai ser uma disputa do tipo : "dá tapa em bêbado ! Mauro mendes vai dar risada de um enfrentamento desse nível .......... ( é melhor taques lançar apoio a M. Mendes pelos menos assim garante uma secretaria).

Divergências ideológicas | 16/01/2019, 10h:34 - Atualizado: 16/01/2019, 10h:43

Petista e membro do MBL devem protagonizar embates, mas prometem relação respeitosa na AL


Rodinei Crescêncio

Ludio Cabral e Ulysses Moraes

Os deputados de 1º mandato na AL Lúdio Cabral (PT) e Ulysses Moraes (DC), após reunião com Mauro Mendes (DEM)

A partir de 1º de fevereiro, a Assembleia deve ser palco de embates políticos entre o petista Lúdio Cabral e Ulysses Moraes (DC), que é um dos coordenadores do Movimento Brasil Livre (MBL) em Mato Grosso. Apesar das divergências ideológicas irreconciliáveis, ambos prometem manter um relacionamento respeitoso no Parlamento.

Lúdio e Ulysses estiveram juntos na reunião dos deputados estaduais com o Fórum Sindical para debater o escalonamento dos salários dos servidores do Executivo. No encontro, ficou acertada a criação da Frente Parlamentar em Defesa do Serviço Público.

Além disso,  Lúdio e Ulysses podem ser aliar na eleição para Mesa Diretora. Isso porque ambos questionam a reeleição do presidente da Assembleia Eduardo Botelho (DEM) e defendem uma alternativa construída pelos 14 que assumirão o primeiro mandato.

“Cada deputado foi eleito com legitimidade para defender as suas posições e eu respeito a todos. Há questões que dependendo da conjuntura teremos posições comuns e outras que serão divergentes, mas sempre com respeito. Não falo só do Ulysses, mas de todos os deputados”, disse Lúdio.

“Nós divergimos ideologicamente. Isto é público e notório. Mas na relação pessoal na relação pessoal não há problema algum. Nós temos divergências grandes em relação à economia, a discursos ideológicos. O debate é muito importante e vou continuar fazendo oposição ferrenha ao discurso da esquerda”, pontuou Ulysses.  

   Se a promessa de relação respeitosa for cumprida, o ambiente na Assembleia será bem diferente da Câmara de São Paulo, onde o vereador Fernando Holiday (DEM), da coordenação nacional do MBL, está sempre em conflitos com colegas do PT e do PSOL. Em  diversas ocasiões, trocou ofensas e quase chegou as vias de fato com os vereadores Antônio Donato (PT) e Toninho Vespoli (PSOL).

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  • Paulo Rogério Barcelos Santiago Lima "Ba | Quarta-Feira, 16 de Janeiro de 2019, 11h24
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    Um ex-genro do Favaro financiado pela soja, e para garantir que ele não pagem seua impostos... outro apoia a esquerda... ou seja... um suga o Estado no caso Lúdio do PT e o outro faz questão de diminuir a contribuição de impostos, cá entre nós todos setores tem que pagar imposto... fica difiícil deixar os agricultores ai sem essa carga tributária! Assim nunca conseguiremos retomat MT! Coitado do Governador Mauro com esses dois atrapalhando a recuperação do Estado em Crise!

  • Paulo Rogério Barcelos Santiago Lima "Ba | Quarta-Feira, 16 de Janeiro de 2019, 11h21
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    Um ex-genro do Favaro financiado pela soja, e para garantir que ele não pagem seua impostos... outro apoia a esquerda... ou seja... um suga o Estado no caso Lúdio do PT e o outro faz questão de diminuir a contribuição de impostos, cá entre nós todos setores tem que pagar imposto... fica difiícil deixar os agricultores ai sem essa carga tributária! Assim nunca conseguiremos retomat MT!

| 16/01/2019, 07h:10 - Atualizado: 16/01/2019, 07h:17

Incompatível


ana lacerda colunista quarta fixa

Ana Lacerda

A beleza cênica pantaneira encanta a todos que têm a oportunidade de vislumbrá-la. O vaivém suave e ritmado das águas é quase de uma harmonia musical. Há na mata um burburinho de macacos, pássaros, répteis, roedores, bois e cavalos pantaneiros, que a luz do entardecer doura a tudo que toca... No canto do rio, boia uma latinha de bebida “esquecida” por um turista que pagou, não se sabe ao certo para quem, bem caro para viver essa experiência.

A cena supra descrita é ficcional (será mesmo?), mas poderia ser facilmente verificada em uma visita rápida ao Pantanal. A maior planície alagável do planeta é um mundo de água, possui uma área de 138.183 km², abrangendo parte do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, estendendo-se ainda por mais dois países o Paraguai e a Bolívia. Figura como Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera.

É preciso e justo que as riquezas geradas pelo pantanal sejam em benefício de quem vive e sustenta o bioma.

Ao percorrer a planície, além da riqueza natural, é possível encontrar, ainda na contemporaneidade, ruínas de saladeiros ou charqueadas, que compõem o ousado empreendimento econômico do Pantanal até meados do século XX, além de um patrimônio histórico e cultural, transmitido de pais para filhos, que mobiliza a memória e a identidade da população que vive ali.

O homem pantaneiro, figura que traz completude ao Pantanal, em que pese ser o maior interessado na preservação e no desenvolvimento sustentável da região, tem ocupado uma posição periférica na equação que envolve turismo, preservação do meio ambiente e lucro. A atividade turística no Pantanal não inclui os legítimos proprietários das terras. Eles não recebem royalties algum pelo uso de seu patrimônio particular, que grande parte das vezes é utilizado sem o expresso consentimentos dos donos.

Nascido e criado, há gerações, no local, o pantaneiro domina um complexo grau de conhecimento sobre a fauna, a flora, o clima e outros segredos da região. A despeito disso, a vocação turística do Pantanal Mato-Grossense toma outros rumos: grandes empresas exploradoras, aliadas a instituições e ONGs de cunho duvidoso exploram e poluem a terra e as águas que sustentam a atividade turística, como se elas fossem inesgotáveis.

Outra questão é que toda essa riqueza gerada pela implementação da atividade turística gera valores que não são revertidos em benefícios de quem vive na região e que é legitimo proprietário dela. Vide o caso do prejuízo causado pela desatenção ao Rio Taquari.

A população pantaneira precisa ser assistida, os investimentos na modalidade turística devem ocorrer de modo sistematizado, garantindo, sobretudo, a preservação do meio ambiente local, incluído, por óbvio, o povo pantaneiro. O financiamento deve ser para o proprietário da terra e não como ocorre hoje. 

É preciso e justo que as riquezas geradas pelo pantanal sejam em benefício de quem vive e sustenta o bioma. Existem variedades turísticas mais apropriadas tais como turismo rural, ecoturismo ou turismo histórico e cultural que, ainda hoje, são irrisórios na planície pantaneira e assim, perpetuam uma inversão de valores e invasões das propriedades particulares que acarretam danos irremediáveis ao local.

Urge repensar o modo como se compreende o turismo nesse contexto. Quem deve receber os recursos? As ONGs ou o homem pantaneiro, que é legitimo proprietário do local? É possível e imprescindível integrar a população e trazê-la ao protagonismo de seu próprio cenário, por intermédio de atrações que ofereçam trilhas pelas matas, passeios com guias especializados, e locais, em fauna e flora, mirantes e postos de observação de aves e mamíferos, informações adequadas e atrações que comportem a cultura pantaneira.

O homem pantaneiro é cidadão, vive e se apresenta como protetor do Pantanal

Naturalmente, na acepção mais literal do termo, não existe crise no Pantanal. A generosidade do bioma brinda a vida com fartura. Mas, intervenções mal planejadas e, muitas vezes, mal intencionadas, repercutem negativamente, instalando uma insegurança que jamais pairou na atmosfera local.

O homem pantaneiro encontra-se abandonado e refém em suas próprias terras e recebe, daqueles que frequentam o lugar, a fim de um turismo desordenado, o lixo que fica dessas visitas. 

Se existem problemas estruturais que funcionam como empecilho ao desenvolvimento sustentável do homem pantaneiro e, por conseguinte, do Pantanal, deve valer uma reconstrução da organização do turismo de maneira que ela funcione como instrumento de afirmação da identidade regional, ao passo que fomente o reavivamento da história da gente pantaneira, além de recuperar o vasto patrimônio arquitetônico e arqueológico que se deteriora às margens do rio Paraguai.

O homem pantaneiro é cidadão, vive e se apresenta como protetor do Pantanal e transmissor de uma história limpa e fluida, como as águas daquele lugar devem permanecer. Não se pode pensar o Pantanal sem ele.

Ana Lacerda é advogada do escritório Advocacia Lacerda e escreve exclusivamente neste espaço às quartas-feiras. E-mail: analacerda@advocacialacerda.com. Site: www.advocacialacerda.com

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| 15/01/2019, 21h:40 - Atualizado: 15/01/2019, 21h:57

Educação financeira

Não recebi salário, mas sou consumidor e preciso pagar as contas. O que fazer?


gisela simona artigo

Gisela Simona

Início de ano, brasileiros mais otimistas com a economia do país, mas, talvez, para você o ano não começou financeiramente tao bom assim... perdeu o emprego ou está trabalhando e o recebimento do salário atrasou, o dinheiro que estava aguardando chegar não chegou, mas o dia do vencimento de suas contas está se aproximando ou já chegou e você começou a perder o sono, tentando encontrar uma forma de resolver esse problema.

Assim, é momento de usar do conhecimento de educação financeira seja para não ficar inadimplente, seja para não ficar devendo um valor muito maior do que já devido. O primeiro passo para se organizar é colocar no papel exatamente tudo o que tem a pagar, com suas respectivas datas de vencimento. Isso dá uma visão real de quanto precisa para quitar essas dívidas, bem como do prazo que tem para conseguir esse recurso financeiro. Vencida essa primeira fase, é preciso verificar se vale a pena gastar o dinheiro da poupança, usar o limite do cheque especial, tirar o dinheiro aplicado em algum investimento, sacar dinheiro do cartão de crédito ou fazer um empréstimo.

Quanto mais fácil um crédito, mais caro ele é

Nesse contexto, vale ressaltar uma regra de ouro da educão financeira: quanto mais fácil um crédito, mais caro ele é. Assim, fuja imediatamente daqueles créditos oferecidos sem consulta nos bancos de dados de proteção ao crédito que você contrata por telefone e WhatsApp, sem analisar as regras contratuais com antecedência e em cinco minutos estaria na sua conta bancária.

Da mesma forma, créditos pré-aprovados advindos de cheque especial, valores que já estão na sua conta e de cartão de crédito disponível são os juros mais altos do mercado devem ser descartados ou, se possível, nunca utilizados. Caso a alternativa seja fazer um empréstimo é importante observar a taxa de juros, as tarifas cobradas pela instituição financeira e se existe seguro embutido ou não, visto que todo seguro para empréstimo de dinheiro tem que ser opcional e não obrigatório.

O crédito consignado é sempre mais barato, em razão de os bancos terem a garantia do pagamento, pois são valores descontados direto da sua folha de pagamento, assim, são os mais indicados para quem tem margem suficiente para o valor que precisa emprestar.

As dívidas de maior valor devem ser priorizadas, pois os juros pela demora no pagamento também serão maiores

Ao contrário do que muitos fazem, as dívidas de maior valor devem ser priorizadas, visto que por serem valores altos, os juros pela demora no pagamento serão maiores. Dívidas referentes ao limite do cheque especial e cartão de crédito devem também ter prioridades de pagamento, pois, em pouco tempo, transformam-se em valores impagáveis acarretando a famosa bola de neve.

Importante saber que os bancos são obrigados a ter proposta de parcelamento tanto da dívida de cheque especial como do cartão de crédito que são sempre mais baratos que simplesmente deixar de pagar, aguardando quando tiver dinheiro. Avalie cada caso para poder tomar a decisão certa.

Enfim, negociar ainda é melhor caminho, em tempos de dificuldade financeira, e a partir de agora saiba que quanto mais organizado você estiver com suas finanças, menores serão as chances de tornar-se um superendividado. Pense nisso.

Gisela Simona Viana de Souza é advogada, especialista em Direito do Consumidor, ex-Superintendente do PROCON/MT, atual conciliadora de Defesa do Consumidor do PROCON/MT e primeira-suplente de deputada federal pelo Pros. E-mail: giselasvsouza@gmail.com

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Comentários (2)

  • Geni | Quarta-Feira, 16 de Janeiro de 2019, 16h40
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    Este sim é um conteúdo de interesse e utilidade pública, e pode ajudar muita gente.

  • adriano | Terça-Feira, 15 de Janeiro de 2019, 23h19
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    essa gisela sabe administrar tem meu respeito

NOVA LEGISLATURA | 15/01/2019, 08h:55 - Atualizado: 15/01/2019, 09h:18

Novatos disputam pelos melhores gabinetes, mas Botelho adia votação de critérios para distribuição


partido

 

Airton Marques

Corredor AL

Um dos corredores em que os gabinetes ficam distribuídos na AL; na imagem, detalhe das salas de Botelho e Silvano

O presidente da Assembleia Eduardo Botelho (DEM),  que deve ser reeleito no comando da Mesa Diretora, aposta no bom senso dos 14 deputados estaduais que assumem primeiro mandato  em 1º de fevereiro para que se entendam sobre a distribuição dos gabinetes. Ocorre que existe uma disputa acirrada nos bastidores pelos gabinetes ocupados por Mauro Savi (DEM) e Gilmar Fabris (PSD), que não foram reeleitos.

Segundo Botelho, alguns novatos já reivindicam a aprovação de projeto de resolução da Mesa Diretora estabelecendo critérios para ocupação dos gabinetes. O democrata, no entanto, afirma que a prioridade é o pacote de ajuste fiscal enviado pelo Executivo e não há tempo hábil para tratar de assuntos administrativos até o início da nova legislatura.

Os gabinetes de Savi e Fabris são os mais cobiçados porque são maiores e mais próximos da Presidência. Isso porque já abrigaram a Primeira-Secretaria da Assembleia. Os 24 gabinetes, além da Presidência, ficam distribuídos em dois andares.

Reprodução

Gabinete Mauro Savi

Recepção do gabinete do deputado Mauro Savi (DEM)

“Realmente está havendo uma disputa pelos gabinetes. Alguns deputados reeleitos, com vários mandatos, acreditam que têm direito de ocupar os melhores gabinetes. Alguns novatos também querem e reivindicam que critérios sejam estabelecidos. Faltam três semanas pela posse e eu acredito que até lá o pessoal possa se entender. O  deputado que está saindo cede o gabinete para o que está chegando e todo mundo se acomoda”, declarou Botelho ao .

Sobre a resolução da Mesa Diretora estabelecendo critérios para distribuição dos gabinetes, Botelho se diz favorável. Entretanto, afirma que só será possível na próxima legislatura para contemplar os parlamentares que assumirão em 2022.

  “O projeto de resolução precisa ser elaborado e aprovado em duas votações. A prioridade é apreciar o pacote de ajuste fiscal enviado pelo Executivo. Vamos fazer esse debate na próxima legislatura, com certeza”, completou Botelho.

Dos 24 deputados estaduais que assumem em 1º de fevereiro, apenas 10 são reeleitos. Os outros 14 iniciam o primeiro mandato e precisam ser acomodados nas dependências do Palácio Dante Martins de Oliveira.

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| 15/01/2019, 07h:13 - Atualizado: 15/01/2019, 07h:24

Viver com pressa


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Olga Lustosa

“É preciso correr o máximo que você puder, para permanecer no mesmo lugar. Se quiser ir a algum outro lugar, deve correr pelo menos duas vêzes mais depressa do que isso”. Lewis Carrol, aclamado autor de "Alice, no país das maravilhas".

A sensação de estar apressado não é necessariamente o resultado de uma vida plena. É muito mais um medo difuso de estar desperdiçando a vida

Passamos ano após ano freneticamente ocupados, correndo em círculos, estressados, ansiosos e irritados. Apesar da dor que isso inflige, a vida tem sido pautada pelo sentimento de urgência, pelas atividades frenéticas que atormentam e consomem boa parte do curso de nossas vidas. A sensação de estar apressado não é necessariamente o resultado de uma vida plena. É muito mais um medo difuso de estar desperdiçando a vida.

Algumas pausas, que a princípio podem ser desconfortáveis, acabam sendo reveladoras para racionalizar os sentimentos, os questionamentos, dormências e transformações.

Cultivar a paciência de ver as flores se abrirem depois de longo tempo entre o plantio e sucessivas regadas é essencial para manter o equilíbrio nesse tempo em que se vive colocando urgência em tudo e assim fica para trás a cortesia nas argumentações, a tomada de posição compatível com a sabedoria que detemos.

O relógio, de fato corre e viver, aprende-se. Envolve análise, não meramente conceitual, mas baseia-se principalmente na compreensão de que o tempo não está passando rápido demais. O dia, de todos nós, tem as mesmas 24 horas de outrora e a forma como utilizamos essas horas é que nos dão a sensação de prazer, de urgência, de aflição ou de gratidão.

O inimigo da urgência é um calendário de compromissos em que tudo se opera com extremo senso de urgência e não raramente nos afasta de nossas prioridades e da capacidade de respondermos bem a todas as nossas demandas.

Não precisamos ser vítimas da doença da pressa

Viver é um processo de movimento em direção à uma boa morte, é como uma dança transitória, um processo que regenera e cura. Não precisamos ser vítimas da doença da pressa. Viver é muito mais do que vagar pelos corredores de um grande hospital, procurando remédio para curar as doenças que desequilibram emocionalmente, que causam convulsões ou produzem emoções falsas.

Devemos ser proativos sim, mas precisamos nos libertar da necessidade de ter respostas e propostas para tudo, aqui e agora e usar os dias de maneira mais intencional, consertando a vida, os relacionamentos e refazendo coisas desfeitas.

Enfim, conduzir a vida entre conexões profundas e significativas, dedicar tempo as pessoas que amamos, realizar o trabalho que inspira e que pode fazer a diferença e não nos entregarmos ao angustiante processo de sermos os primeiros a opinar, a responder, a confirmar. Opiniões dadas às pressas tendem a ser mais provocativas e nem sempre são autênticas.

Se a vida é curta, não faz sentido passar correndo por emoções e prazeres que já são em si sentimentos efêmeros. Percebo que a questão é não levar a ferro e fogo a frase eloquente do filme Clube da luta. “Esta é a sua vida e ela está se acabando a cada minuto”.

Olga Borges Lustosa é socióloga, cerimonialista pública e escreve exclusivamente neste Blog toda terça-feira - olgaborgeslustosa@gmail.com e www.olgalustosa.com

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Comentários (2)

  • Sheila Túbero | Quarta-Feira, 16 de Janeiro de 2019, 19h48
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    Que êxtase deparar com tão linda mensagem! Agora torçerei pra chegar logo as terças-feiras! Parabéns D. Olga! Gratidão por tanta sensibilidade!

  • Vania Neves | Terça-Feira, 15 de Janeiro de 2019, 11h39
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    Amei...a vida é uma sequência de fatos, bons ou ruins, estão aí para serem vividos. Mas essa pressa, é como marchar parado, onde nada avança. Parabéns Olga por regar nossas terças-feiras com palavras que realmentem fazem sentido.

FUTURA LEGISLATURA | 14/01/2019, 13h:28 - Atualizado: 14/01/2019, 13h:42

Lúdio critica a possibilidade de atuais deputados votarem os projetos apresentados pelo governo


Rodinei Crescêncio

Ludio Cabral

Deputado estadual diplomado Lúdio Cabral (PT), ao chegar na recepção do gabinete do governador Mauro Mendes

O deputado estadual diplomado Lúdio Cabral (PT) afirmou, na manhã desta segunda (14), que o pacote de medidas urgentes propostas pelo governador Mauro Mendes (DEM) deveria ser apreciado pela nova legislatura, que toma posse na Assembleia no próximo dia 1°. Ele criticou a possibilidade de os itens serem avaliados pelos atuais parlamentares estaduais.

Recentemente, o chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, responsável pela articulação do Paiaguás, afirmou que o Executivo cobra celeridade na aprovação dos projetos enviados à AL-MT no início da gestão de Mauro. Sendo assim, as medidas devem ser votadas pela atual legislatura, que se encerra no fim deste mês.

Entre as pautas que devem ser analisadas ainda em janeiro estão mudanças no Fethab, reforma administrativa e a LOA 2019.

Neste ano, 13 dos 24 deputados estaduais atuais estão deixando o cargo no Legislativo. Em razão disso, o fato de a atual legislatura votar o pacote de medidas foi alvo de críticas.

Na manhã desta segunda, 11 novos deputados estaduais e os veteranos Dilmar Dal’Bosco, que será líder do Governo, e o presidente da Assembleia Eduardo Botelho, estes dois pertencentes ao DEM, se reuniram com o governador no Paiaguás.

Antes do encontro com o chefe do Executivo estadual, Lúdio teceu críticas à possibilidade de o pacote de medidas proposto por Mauro ser apreciado por deputados da atual legislatura, em que 14 não continuarão no Legislativo.

“A próxima composição da Assembleia tem muito mais respaldo e legitimidade para debater o conjunto dos problemas que o Estado tem e apontar os caminhos corretos para a superação. Isso é bom, inclusive, para o próprio governador, porque ele precisa de uma Assembleia sintonizada com as questões e as demandas concretas do agora”, asseverou.

Ele afirmou respeitar a atual composição da AL, mas ressaltou que a responsabilidade delegada pela população para governar e fiscalizar a atual gestão do Executivo estadual cabe aos deputados eleitos em outubro passado. “São questões que dizem respeito a muito mais do que os quatro anos do nosso mandato. O governador quer uma autorização para extinção de seis empresas. Ele não vai extinguir essas empresas em 20 dias. Então, precisa de tempo para debater isso. A Assembleia tem todas as condições de debater isso a partir de 1° de fevereiro com o governador”.

Ele pontuou que ainda não tem conhecimento sobre todas as medidas propostas em caráter de urgência pelo Executivo - no prazo de até 15 dias. Porém, criticou o argumento de que as medidas precisam ser votadas com urgência, em razão das dificuldades enfrentadas para o pagamento de servidores públicos. “Não é um argumento, porque você quebra a legitimidade daquilo que foi aprovado”.

Apesar das declarações, Lúdio assegurou que irá ouvir os apontamentos do governador. “Venho aqui já no papel institucional de diálogo e respeito. Atendi o convite para pontuar questionamentos que são necessários e pensando no melhor para o Estado”.

Dificuldades do Estado

Outro ponto criticado pelo deputado foi a crise financeira enfrentada pelo Estado, que vive dificuldades no fluxo de caixa, que ocasionam atrasos salariais e dificuldades para pagar fornecedores.

Segundo o parlamentar, o principal motivo para as dificuldades é referente a benefícios concedidos pelo Executivo ao setor do agronegócio.  “Já disse em outras situações. Mato Grosso vive uma suposta crise financeira, porque se estou em crise, por que razão concedo R$ 4 bilhões ao ano em renúncia fiscal? Então, isso é indicativo de que não há crise financeira no Estado. Há um Estado governado por determinados interesses, que precisam ser enfrentados. E não, mais uma vez, penalizar os servidores públicos”.

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Comentários (4)

  • João Moessa | Segunda-Feira, 14 de Janeiro de 2019, 17h12
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    Me tirem uma dúvida o Ludio Cabral não é do PT.

  • Coerente | Segunda-Feira, 14 de Janeiro de 2019, 16h43
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    Lúdio lúcido, parabéns pela postura deputado!

  • Loren | Segunda-Feira, 14 de Janeiro de 2019, 14h58
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    Parabéns Deputado, já dizia o ditado, apressado come cru. Não adianta em 5 dias de eleito o governador querer empurrar goela abaixo todas as mudanças.

  • Coerente | Segunda-Feira, 14 de Janeiro de 2019, 14h08
    15
    1

    Lúdio lúcido, parabéns pela postura deputado!

| 14/01/2019, 10h:48 - Atualizado: 14/01/2019, 11h:01

Uma saída para Metamat


caubi_kuhn

Caiubi Kuhn

Nos últimos dias tem sido discutido na imprensa o fechamento de diversas empresas públicas, entre elas, a Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat). Não é a primeira vez que se propõe acabar com a empresa, na verdade isso já foi ventilado várias vezes no início de governos anteriores, mas nunca se concretizou. A Metamat precisa sim passar por mudanças, e não são poucas. O caminho que já foi proposto várias vezes por entidades e profissionais do setor era de transformar a empresa no Serviço Geológico do Estado. Mas os governos anteriores optaram por não modificar a estrutura.

Antes de falar um pouco sobre o que seria o serviço geológico, é preciso apresentar a situação atual do Estado, quando se fala de quadro técnico da área de geologia, e também do papel do governo estadual no desenvolvimento de políticas que necessitam de parecer e estudos técnicos de geólogos.

O Estado de Mato Grosso quase não tem geólogos concursados no quadro técnico. Na verdade somente a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e a Metamat possuem um contingente considerável, enquanto muitas outras secretarias e órgãos, como a Secretária de Estado de Infraestrutura (Sinfra) e Secretaria de Estado de Cidades (Secid) e a própria Defesa Civil, não possuem nenhum geólogo no quadro efetivo.

A geologia tem inúmeras outras funções para a sociedade. Uma delas, é auxiliar a orientar o uso e ocupação do solo ou apoiar a construção de zoneamentos socioeconômicos.

Mas por que é importante ter geólogos dentro do quadro técnicos do Estado? Ou melhor, por que é importante ter um órgão que saiba auxiliar o Estado a tomar as decisões com base em informações geológicas?

Muitas pessoas relacionam a geologia somente com a mineração, mas na verdade tem inúmeras outras funções para a sociedade. Uma delas é orientar o uso e ocupação do solo ou apoiar a construção de zoneamentos socioeconômicos. A geologia também é a ciências que estuda os processos do meio físico, sendo assim, esse campo do conhecimento é capaz de identificar áreas de risco e orientar quais os procedimentos devem ser tomados para proteger a vida do cidadão.

Isso não é só uma conversa de geólogo. O papel do geólogo no desenvolvimento das políticas de meio físico, em especial na construção da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, está expresso em várias leis, como a LEI Nº 12.608/2012.

A maioria dos municípios do Estado não possuem geólogos nas prefeituras. O Governo do Estado, também não tem se empenhado em auxiliar os municípios com informações geológicas, e não tem priorizado uma construção da política pública solida e baseada em informações técnicas. Acredito sim que a Metamat precisa de mudanças, não podemos deixar o estado órfã de quadro técnicos da geologia. Acredito que o melhor caminho para o atual governo seria criar um Serviço Geológicos do Estado, com função de apoiar as secretarias e prefeituras com informações técnicas na área de geologia. 

É preciso abrir a mente e enxergar que as informações do meio físico fornecidas através de mapeamentos e estudos técnicos na área de geologia ajudam no desenvolvimento social e econômico e, mais do que isso, podem auxiliar a evitar perdas de vidas através de ações ligadas à política de proteção e defesa civil. Além disso, através desses estudos os municípios têm possibilidade de conseguir recursos para desenvolver ações de prevenção a desastres naturais.

O atual debate sobre a reestruturação do Estado é uma oportunidade para que a sociedade, os deputados e o governo consigam enfim construir um órgão estadual capaz orientar e produzir relacionadas as políticas relacionadas de uso e ocupação do solo e de recursos minerais. É preciso sim ter o serviço geológico do estado!

Caiubi Kuhn é eólogo, mestre em Geociências pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e docente do Faculdade de Engenharia da UFMT-VG. E-mail: caiubigeologia@hotmail.com

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| 14/01/2019, 00h:00 - Atualizado: 13/01/2019, 19h:02

Servidor público não trabalha...


sirlei theis artigo fixo segunda

Sirlei Theis

É madrugada. O marido acorda assustado com o latido do cachorro do vizinho e o barulho no portão. Levanta rápido e caminha pela casa. O vulto de um desconhecido aparece na cortina da sala e o homem se desespera. Desarmado e sem a menor chance de defesa, liga para a polícia no 190. O atendimento é rápido. A base comunitária fica perto de sua casa e antes que o invasor pudesse forçar a entrada, as luzes da sirene se fazem notar em frente a casa. Em poucos minutos a família pode respirar aliviada. O bandido é levado para a Delegacia de plantão, onde foi autuado. Os policiais militares precisam ficar na Delegacia até serem ouvidos pelo delegado. Lá descobriu-se que esta não era a estreia dele no mundo do crime, reincidente pela décima vez. Quando o sol já começava a esquentar, o bandido se preparava para mais um processo e também para mais uma audiência de custódia que logo poderá resultar em mais uma soltura, mas este é um tema para outro artigo.

Ser servidor público não é para qualquer um, é uma vocação, eu diria se tratar de quase um sacerdócio

Os policiais militares que começaram a trabalhar as 19 horas só deixaram o plantão aquele dia pouco depois das 8h30min, embora o plantão seja de 12 por 48 horas. A demora se deu porque a tentativa de invasão ocorreu quase as 5 horas da manhã e como quem atende o chamado precisa acompanhar a ocorrência até o final na delegacia, não teve jeito. Depois de ter atendido 10 chamadas para averiguação e 7 casos de violência doméstica e o respectivo flagrante, finalmente, 13h30min, depois de iniciado o plantão, eles podem ir para casa com a sensação do dever cumprido, não deixando de observar que servidor público não tem direito a hora extras. Foi mais uma noite de muito stress e mais uma manhã em que o Policial Militar João não conseguiu cumprir o combinado de levar os filhos à escola. Como já tinha se atrasado para o seu compromisso pessoal e a viatura precisava de manutenção, resolveu então, antes de ir para casa, deixar a mesma na oficina.

Perceba que uma única ação envolve uma série de pessoas, neste caso o profissional que atendeu o chamado do morador, os dois policiais militares que atenderam a ocorrência, o policial civil que recebeu o bandido na delegacia, o escrivão que fez a ocorrência e demais atos do cartório e o delegado plantonista que fez as oitivas e concluiu o flagrante. Mas será que estes foram de fato os únicos envolvidos para que esta ação tivesse o desfecho positivo?

Vou neste artigo esmiuçar o trabalho realizado para que aqueles policiais conseguissem efetuar a prisão do invasor.

Temos aqui algumas situações: policiais, viatura, arma e munição, estrutura das Delegacias, bases comunitárias e Comandos da PM e vou ficar apenas nestes quatro pontos, pois são mais do que necessários para você entender meu ponto de vista.

Primeiro Ponto - Policiais: Todos os policias envolvidos naquele chamado precisaram, primeiro, se preparar fazer um curso superior (faculdade), mas para eles estarem aptos naquele dia para atenderem aquele chamado precisaram investir muito tempo nos estudos para passar no concurso, que envolveu uma série de pessoas e setores, conforme abaixo: Comissão Especial, composta por profissionais das diversas áreas envolvidas, que ficou responsável por fazer o levantamento das empresas que fazem concurso na área específica, minuta do edital, definição de diretrizes e necessidades e que fiscalizou o processo até o fim do concurso. Após esses levantamentos, outra equipe técnica providenciou a contratação da empresa que realizou o concurso, mediante um processo licitatório. Esse processo passou por diversos setores, como orçamento/financeiro, aquisições, jurídico, contrato, fiscalização e finalmente o gabinete para homologação do secretário. Após a assinatura do contrato veio o concurso público, que se dá geralmente em 5 fases, demorando mais de ano para conclusão em razão dos prazos que precisam ser respeitados, incluindo o curso formação.

Segundo Ponto – Viatura: Para aquela viatura estar pronta para os policiais atenderem o chamado demandou um processo de licitação para locação ou aquisição de viaturas, que é extremamente complexo porque precisa prever todos os equipamentos e acessórios que uma viatura precisa e ser iniciado por quem conhece a necessidade de cada seguimento da segurança Pública, fazer cotação de preços no mercado, elaboração de edital, definir orçamento/financeiro, jurídico, contrato, contabilidade e fiscalização.

Terceiro Ponto – arma e munição: Embora a aquisição desses itens é realizada por inexigibilidade de licitação é extremamente complexo e depende de autorização do Exército, novamente envolvendo todos os setores já citados e ainda os profissionais da força policial que tem conhecimento técnico sobre o armamento e munição.

Quarto Ponto – Estrutura das unidades policiais: O funcionamento e manutenção de um prédio onde é instalado uma unidade policial envolve uma série de profissionais e antes do prédio estar apto a funcionar também passou por um processo de licitação, que nesse caso envolve equipe de engenharia, que vai elaborar projetos e acompanhar e fiscalizar a obra. Pronta a licitação da obra, enquanto essa é executada, outros processos são demandados para aquisição de mobiliário, equipamentos eletrônicos, condicionadores de ar, link de internet, telefonia, rede lógica, rádio comunicação, material de escritório, limpeza, dentre outros.

Aquele cidadão, embora possa em algum momento ter criticado a polícia e o servidor público, quando se viu em uma situação de risco, imediatamente se lembrou do número 190 e tenho certeza, dificilmente deve ter pensado que a chegada daquela viatura em frente de sua casa teria envolvido o trabalho de tantas pessoas e que se apenas um daqueles setores não funcionasse, aquela ligação não seria atendida e aquela viatura jamais chegaria ao seu destino.

Num país onde a corrupção entre os nossos representantes públicos corre solta, a terceirização da mão de obra pode servir de moeda de barganha, como já ocorre naqueles casos em que a legislação já permite a terceirização

Quando os constituintes em 1988 garantiram a estabilidade ao servidor público, o fizeram para garantir a continuidade do serviço público sem interrupção e sem influência política. Num país onde a corrupção entre os nossos representantes públicos corre solta, a terceirização da mão de obra pode servir de moeda de barganha, como já ocorre naqueles casos em que a legislação já permite a terceirização.

A estabilidade só impede as demissões em massa nas trocas de governo e nas perseguições políticas possibilitando ao servidor tomar as decisões que são necessárias para garantir a licitude dos processos sem levar em consideração o desejo pessoal ou a vaidade dos governantes.

Hoje a corrupção ainda não é maior por conta desses servidores públicos, que ao contrário dos exclusivamente comissionados, se errarem, respondem a processos administrativos, civil e penal por seus atos. O bom nome de cada um é o combustível que tem movimentado a máquina pública, garantindo o zelo pelo melhor funcionamento do seguimento. Ser servidor público não é para qualquer um, é uma vocação, eu diria se tratar de quase um sacerdócio.

A gestão do ex-governador Pedro Taques serviu para ilustrar muito bem tudo isso. Taques chegou e na ânsia de comprovar sua teoria de que nada funcionava no Governo Silval, foi afastando de suas funções servidores altamente qualificados e criou milhares de altos cargos comissionados para colocar os seus apadrinhados que nada conheciam de administração pública, com isso a única coisa que conseguiram foi afundar o nosso amado Estado de Mato Grosso. Você já imaginou isso acontecendo de 4 em 4 anos?

Agora, estamos vivendo os primeiros momentos de mais um novo governo. E o que vejo me preocupa. Diz um ditado que o falar é de prata e o ouvir é de ouro, o que tenho visto são falas que não refletem a realidade da administração publica estadual, penso que este é o momento mais de ouvir do que falar. O governo Taques deixou Mato Grosso tão mal que, na ânsia de encontrar uma resposta para o que vai ser feito, na ânsia de achar um culpado, despreocupadas e irresponsáveis, metralhadoras se voltaram mais uma vez para aqueles que ao longo da história têm carregado o piano para aqueles que chegam apenas tocar e depois vão embora.

Será que o caminho é mesmo falar que o servidor é o culpado? Será que o caminho mais uma vez é colocar a sociedade contra o servidor?

Será que o caminho é mesmo falar que o servidor é o culpado? Será que o caminho mais uma vez é colocar a sociedade contra o servidor?

No ano passado depois de ouvir algumas declarações de Mauro Mendes durante a campanha cheguei a questionar num de meus artigos se de fato ele estaria preparado para administrar Mato Grosso, face ao caos que estávamos vivendo. Agora chegou a hora dele provar que de fato era a melhor escolha para o cidadão mato-grossense. Criticar demasiadamente, culpar a gestão passada, arrogância, ser o dono da razão, se sentir o tal, não ouvir ninguém, perseguir os que pensam e tentar anular os que trabalham e que conhecem de fato o Executivo do Estado de Mato Grosso já foi uma receita amplamente manipulada por Taques e não deu certo.

Mauro precisa mostrar que vai caminhar em outra direção, sem isso eu pergunto: o que vem depois do caos?

Sirlei Theis é advogada, especialista em gestão pública e passa a escrever exclusivamente neste espaço toda segunda-feira. E-mail: sirleitheis@gmail.com

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Comentários (40)

  • carlos | Quarta-Feira, 16 de Janeiro de 2019, 19h25
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    Adorei seu texto, nem todos tem ideia do que ocorre em um turno de serviço de um policial militar, nem fazem ideia de quão complexa é a realidade dos policiais.

  • Lusimar | Terça-Feira, 15 de Janeiro de 2019, 14h48
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    Polícia é servidor e também utilidade pública. Eu acredito que não seja este servidor que o governo está falando! Todos sabem que tem muitos servidores públicos que não trabalha! É são os primeiros a achar que merecem ganhar até mai do que ganha!

  • Ormond de Oliveira | Terça-Feira, 15 de Janeiro de 2019, 12h26
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    Parabéns, Doutora Sirlei! Excelente artigo sobre a realidade, infelizmente, vivida neste querido Estado. Uma pena grande parte da sociedade ser alheio a tudo isso e muitos, ainda, ignorar esse quadro tão bem desenhado pelas suas mãos. Concluo o elogio com sua pergunta, com a devida licença, ajustada: "Você já imaginou isso [a desordem; o descaso com o funcionalismo público e, por consequência, com a coisa Pública; o caos...] acontecendo de 4 em 4 anos [na hipótese da EXTINÇÃO da ESTABILIDADE do Servidor Público, conforme requerido em Carta de 17 Governadores ao Presidente Bolsonaro]?

  • Jorge | Terça-Feira, 15 de Janeiro de 2019, 11h06
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    Quando estado começar a cobrar produtividade com certeza o serviço publico ira melhorar pois tem certas secretarias que o funcionário publico passa o dia inteiro sem fazer nada e no final ele recebe sem ter que apresentar relatório do que produziu. Garanto tem muito bons servidores que trabalham por dois, por ele e pelo colega que vai só pra bater ponto.

  • Marco Antônio Alves Fonseca | Terça-Feira, 15 de Janeiro de 2019, 09h01
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    Excelente dissertação. Parabéns!

  • Marcelo Fernandes | Segunda-Feira, 14 de Janeiro de 2019, 22h37
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    Excelente e coerente!!! boa

  • Emília Pires | Segunda-Feira, 14 de Janeiro de 2019, 19h49
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    Excelente reflexão e tbem coerente, Somos pessoas e ser humano, no mínimo merecemos respeito porque temos família, filhos.

  • Brytho | Segunda-Feira, 14 de Janeiro de 2019, 17h34
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    Texto excelente sobre a vida e função de servidor público... A população tem que conhecer a realidade do setor público antes de colocar fogo na lenha... Servidora Publica - concursada a 11 anos.

  • João Moessa | Segunda-Feira, 14 de Janeiro de 2019, 17h21
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    Fortalecendo a percepção equivocada sobre servidor público lembro uma passagem que entre 1995 e 1997 presenciei na Avenida Dom Bosco próximo ao cruzamento com a Rua Joaquim Murtinho na época fazia faculdade onde hoje é uma agência bancária era noite cerca 20:00 horas um trabalhador da Sanecap dentro da valeta reparando uma adutora que passa nesse lugar chovia a enxurrada invadia a valeta e o homem estava lá e não era só água da enxurrada havia também esgoto clandestino pensei na hora quem está sem água nesse momento deve estar maldizendo todo mundo da Sanecap mal sabem por que não tem água muito menos o enorme esforço que esse Bravo Senhor está fazendo para corrigir o problema.

  • Bárbara Melissa | Segunda-Feira, 14 de Janeiro de 2019, 16h37
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    Texto excelente. Infelizmente a sociedade está acreditando que é servidor público que está afundando a economia de Mato Grosso, e essa venda deve ser retirada, pois como a escritora mesmo disse, quando a sociedade precisa é do serviço público que se lembra.

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