Cidades

Segunda-Feira, 10 de Junho de 2019, 12h:58 | Atualizado: 10/06/2019, 19h:39

VOTO DE CONFIANÇA

Após promessa, motoristas suspendem a paralisação e esperam salários até 4ª veja

Atualizada às 14h30

Dayanne Dallicani

Motoristas greve

De braços cruzados nesta manhã, motoristas do transporte público reunidos no pátio da Pántanal Transporte, uma das empresas concessionárias

Após uma manhã toda sem rodar, a frota do transporte público da Grande Cuiabá deve voltar às ruas ainda nesta tarde (10). A decisão dos motoristas foi tomada a pouco, durante reunião com o secretário Antenor Figueiredo (Semob), no pátio da Pantanal Trasporte. Os funcionários decidiram realizar a paralisação devido ao atraso no pagamento dos salários, fato que estaria acontecendo desde 2018, nas 4 empressas que possuem a concessão: Pantanal Transportes, Integração, Norte-Sul e União Transportes - responsável pelo intermunicipal.

Na prática, os profissionais decidiram dar "um voto de confiança" à prefeitura que, por meio da Semob, pediu a volta ao trabalho, com a garantia de que o Poder público, junto com os empresários, chegaria a uma solução até quarta (12). Antenor tentou convencer a categoria ressalta a dificuldade financeira das empresas e o fato de 280 mil usuários do transporte público estarem sem o serviço. A categoria, que chegou a cogitar deflagrar uma greve por tempo indeterminado, decidiu - com relutância - voltar ao trabalho e esperar a solução prometida.

Devido a paralisação, mais cedo, o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) criticou a categoria e ameaçou buscar a Justiça, caso a greve fosse deflagrada e o serviço não fosse prestado. O movimento ainda trouxe impacto no bolso do usuário que, sem muita opção para ir ao trabalho, tentou utilizar os serviços dos aplicativos de transporte coletivo, como o Uber. Por conta do preço dinâmico, os valores cobrados duplicaram em algumas regiões.

Veja trasmissão ao vivo do Rdnews da reunião dos motoristas:

A promessa

Às 11h desta manhã, o presidente sindical Ledevino da Conceição se reuniu com o secretário Antenor para discutir a questão dos motoristas e chegar ao fim da paralisação. "Até agora não apareceu ninguém da empresa para fazer uma proposta viável fazendo com que o pessoal volte a trabalhar”, comentou o presidente sindical no momento. Os dois combinaram então uma reunião com os motoristas na garagem do Pantanal Transporte, no bairro Novo Paraíso, às 12h.

Segundo Ledevino, o pagamento dos salários dos motoristas vem se atrasando há mais de 18 meses. A briga da categoria é para regularizar a data da remuneração – principalmente após acordo coletivo que previa o pagamento no quinto dia útil de cada mês. A reportagem ouviu alguns motoristas que expuseram que muitos não têm conseguido pagar as contas e prover o lar nesse período.

Já Antenor apontou que a prefeitura “foi pega de surpresa” com a paralisação e que o ato “parou a cidade”. Segundo o secretário, as empresas não apresentaram explicações. Somente os motoristas contaram seu lado e mostraram seu descontentamento com os atrasos do salário.

A folha de pagamento não é de responsabilidade do Executivo municipal. Os empresários do transporte público tentavam empréstimo aos bancos de São Paulo para pagar os salários. Em nota, a Associação Mato-grossense dos Transportes Urbanos (AMTU) pontua que os empresários estão com problemas financeiros e destacou que as empresas quebraram devido ao “sobe e desce” da tarifa de ônibus.

Dayanne Dallicani

Ledevino da Concei��o e Antenor Figueiredo

Antenor Figueiredo (esq.) conversa com Ledevino da Conceição na Pantanal Transportes

Para Levedino, a situação da tarifa “soma” para complicar o atraso dos pagamentos – mesmo que não esteja por dentro do caso. “Não ouvi isso ai. Mas, pelo que a gente acompanha, a situação vem se agravando quando começou esse imbróglio da tarifa”.

Já Antenor acredita que “houve impactos” e pontuou que o edital da licitação do transporte público estará “bastante rígido para esses casos” e que, “no contrato, deve-se amarrar muito mais essa parte de responsabilidade de pagamento de colaboradores”. A questão da licitação do transporte público também veio à tona e até foi apontado como um dos impeditivos para que as empresas conseguissem crédito junto as instituição, já que não há certeza de retorno do investimento caso não vençam o certame.

Inicialmente, a proposta era quitar os salários até esta quinta (13). Mas a medida desagradou os motoristas. Antenor e representantes das empresas pediram um voto de confiança, porém os trabalhadores gritaram “não!” e viraram as costas como desagrado ao pedido – veja o vídeo da primeira proposta abaixo.

Logo após, sindicato, empresas e prefeitura passaram a conversar isolados do grupo. Minutos depois, Ledevino voltou e pediu aos motoristas voltarem a circular pela cidade com a promessa de pagar até quarta (12) e “do secretário Antenor para que isso não aconteça mais”. O gestor da mobilidade urbana de Cuiabá pediu então mais uma vez o voto da confiança.

Apesar da relutância de alguns e desagrado de outros com a medida, a categoria acatou ao pedido da prefeitura e vai aguardar até quarta para receber os salários. Caso a situação não se normalize no mês que vem, a possibilidade é que o sindicato mobilize outra paralisação para protestar contra a medida.

Veja primeira parte da reunião entre prefeitura e motoristas:

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