Cidades

Terça-Feira, 15 de Outubro de 2019, 22h:45 | Atualizado: 15/10/2019, 23h:13

Motivação política

Colegas apoiam professora da Unemat agredida em festa católica - veja vídeos

 A ADUNEMAT, entidade que representa os docentes da Unemat, divulgou nota em solidariedade à professora   Lisanil Conceição Patrocínio Pereira, professora da instituição  há mais de 15 anos, lotada no Campus de Juara.  Além disso, repudia  o que classifica de  truculência de policiais, populares e do pároco da Igreja Católica de Campos de Júlio, conhecido como Frei Sojinha.

Ocorre que no  último domingo (13), Lisanil  foi vítima de  violência física e moral. Para a ADUNEMAT, o ato caracterizou  violação de sua dignidade humana enquanto docente do ensino superior, trabalhadora, mãe, chefe de família. 

Lisanil estava em  Campus de Júlio, onde ministrava aulas na turma especial de Direito da Unemat, desde   06 de outubro. Já em sua chegada para ministrar as aulas de Economia Política, foi recepcionada por estudantes que pesquisaram sua vida pelo Facebook e, apresentaram animosidade em razão de sua orientação política de esquerda, conforme relatos de pessoas que conviveram com ela naquele curso.

Vestida com uma camiseta com a estampa “Lute como uma Garota” e na lateral “Lula Livre” e, sem opção de  restaurante para almoçar, Lisanil  relata ter acreditado que poderia ir a uma festa da Igreja Católica, no salão paroquial, onde estava boa parte da sociedade de Campos de Júlio. Entretanto, foi abordada de forma ostensiva pelos presentes que comentavam sobre sua vestimenta  e a olhavam com estranheza e desdém pelas marcas de sua orientação política, estampada na camiseta.

À certa altura da festa, Lisanil subiu ao palco, num impulso de reivindicar músicas mato-grossenses. Como incomodou os organizadores da festa, o pároco  apelidado  Frei Sojinha por sua relação preferencial com os grandes produtores de grãos da Região, resolveu chamar a polícia para que tirasse a professora do palco. Imediatamente, quase uma dezena de homens apareceu para detê-la e levá-la a força para fora daquele lugar.

“Com a truculência que é própria dos fascistas, a professora foi arrastada pelo palco e pela escada abaixo, ficando à mostra suas partes intimas. Deixada ao chão por um instante e, posteriormente, levada à delegacia algemada com mãos para trás do corpo.  Como se debatia muito, revoltada com a situação, foi levada ao hospital onde injetaram tranquilizantes que a fizeram ficar sem condições de ser ouvida pela delegada, obrigando-a passar a noite numa cela onde a fossa séptica aberta estava ao lado o fino colchão onde iria dormir”, relata a nota da  ADUNEMAT.

“Que crime a professora cometeu? Que periculosidade tinha uma mulher sozinha, desarmada e sem qualquer habilidade física para enfrentar os brutamontes que a atacaram? O que justificou tamanha violência senão o ódio às mulheres consideradas perigosas por serem autônomas e por terem posição política e a coragem de enfrentar um estado ainda patriarcal e violento?”, questiona o documento.

O risco que esses fascistas impõem à Universidade é sua destruição, pelo silenciamento, pela tentativa de destruir qualquer traço de autonomia de pensamento, de ideias, o ódio ao conhecimento e o elogio à ignorância e à brutalidade

Para a ADUNEMAT, a  violência   contra a professora Lisanil é um crime de ódio que envolve um dirigente da Igreja Católica que incitou  as agressões e agentes do Estado que deveriam protegê-la.   Segundo a nota, os presentes gritavam palavras de baixo calão contra a professora e filmavam tudo enquanto se deliciavam aos risos com o horror que produziam.

“A ADUNEMAT, sindicato ao qual a professora Lisanil é filiada desde que entrou para a UNEMAT, não se calará diante do fascismo crescente que avança no interior de Mato Grosso e em todo Brasil.  Essas pessoas desconhecem qualquer sombra de civilidade, de respeito à diversidade e, por isso, não conseguem compreender o sentido de uma Universidade, constituída de múltiplos olhares e sentidos, de visões políticas e de mundo, todas necessárias e merecedoras de respeito e convivência pacífica.  O risco que esses fascistas impõem à Universidade é sua destruição, pelo silenciamento, pela tentativa de destruir qualquer traço de autonomia de pensamento, de ideias, o ódio ao conhecimento e o elogio à ignorância e à brutalidade”, pontua a entidade.

A  ADUNEMAT informa que está dando todo o respaldo  à professora Lisanil e exigindo que a Unemat, nas suas instâncias,  assuma uma postura diante dos fatos que vem ocorrendo. Isso porque esse é  o terceiro caso de professor (a)  ameaçado (a)  ou  agredido  (a) por sua posição política no interior de Mato Grosso. Conforme a entidade, o  ensino superior não pode se transformar num caso de polícia em Mato Grosso e as instituições precisam atuar no sentido de coibirem práticas fascistas que querem não apenas intimidar como, também, aniquilar os educadores.

“À professora Lisanil, não apenas nossa solidariedade neste dia dos professores, mas a nossa luta continua em defesa da Universidade e do direito dos professores à liberdade de pensamento, de cátedra e de modos de vida que lhe permitam exercer com amorosidade a profissão que escolheram.  Que não permitamos que a crítica, base do trabalho intelectual, seja criminalizada por aqueles que cultivam o ódio e a ignorância. Contem com a ADUNEMAT, nossa força e nossa voz”, conclui. 

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Comentários (30)

  • Suzi | Sexta-Feira, 18 de Outubro de 2019, 10h19
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    Essa estava afim de causar mesmo. Primeiro a camiseta,depois não se contentando só com os olhares da oposição resolveu dar o seu show,próprio dos petistas. Não sejam ingênuos foi proposital.

  • Morador | Quinta-Feira, 17 de Outubro de 2019, 07h15
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    Versão de um morador que presenciou. Boa noite. Estou vendo na mídia a repercussão do caso da professora da UNEMAT que foi retirada do palco de uma festa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida em Campos de Júlio e percebo que a notícia está sendo bastante distorcida. Então, como cidadão campos-juliense e testemunha ocular do fato gostaria de dizer algumas coisas que os sites de notícias não estão divulgando: Foi solicitado educadamente inúmeras vezes que a professora deixasse o palco e permitisse que o sorteio de prêmios continuasse havendo negação da docente; O locutor solicitou que se houvesse algum amigo, conhecido ou parente dela no recinto ajudasse a convencê-la de descer do palco. Ninguém se manifestou; A professora estava completamente transtornada, alterada, desequilibrada, visivelmente embriagada; Ela já havia ameaçado processar a banda que animava o evento caso eles não tocassem músicas de Mato Grosso pois a banda estava tocando músicas gauchescas (provando mais uma vez sua embriagues). Sendo assim a polícia civil, juntamente com a brigada militar, populares e posteriormente a polícia militar, zelando pela continuidade do evento e segurança de todos (inclusive dela mesma) retirou-a do evento encaminhando para o batalhão de polícia militar e como ela não se acalmou foi então encaminhada ao hospital. Em nenhum momento foi constatado abuso de autoridade dos policiais e brigadistas bem como uso excessivo de força e truculência como estão divulgando por aí. Como sabemos, a maior parte da mídia só conta um lado da história, o lado que lhe interessa. Cabe a nós pessoas de bem mostrar o outro lado! Nelson Zuchi Neto, 16/10/2019.

  • Fernando vrech | Quinta-Feira, 17 de Outubro de 2019, 06h46
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    Nao teve respeito pela pessoas presentes, pela igeja, pela policia e se sente derespeitada. Total inversão de valores desta transgressões e seus apoiadores. A UNEMAT é "ninho" destes trastes.

  • Flavio | Quinta-Feira, 17 de Outubro de 2019, 06h31
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    Toda ação tem uma reação. Ela não precisava subir ao palco e manifestar seu desejo político o espaço do evento não era para esse objetivo.

  • Suzanir | Quarta-Feira, 16 de Outubro de 2019, 23h43
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    Quer se mostrar. Ibope.

  • Wellington | Quarta-Feira, 16 de Outubro de 2019, 20h43
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    Como é triste ver essa cena, sobretudo vendo pessoas incitando, comemorando e gargalhando com tal situação. Povo de Deus?

  • Francionei | Quarta-Feira, 16 de Outubro de 2019, 19h54
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    Que tamanha barbaridade cometida contra essa professora,que humilhante e esse Frei aceitar tudo isso que Deus ele serve uma vergonha,o povo tbm aceitou esse desrespeito com essa professora inacreditável. Vcs não vivem o que pregam,e o amor ao próximo onde fica,sociedade uma vergonha.

  • MARIA DIAS DA CONCEICAO | Quarta-Feira, 16 de Outubro de 2019, 16h50
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    Povo de Deus... Cuidado! O Bolsonaro não é e nem gosta da igreja católica, por isso fica de pechincha contra a rede Globo e apoia Edir Macedo e demais! Abram os olhos! Ele nem se quer participou da Canonização da primeira Santa brasileira, e nem se quer mandou representante! Bolsonaro, o senhor pode ser presidente hoje, mas quem decide o futuro é Deus! E...apenas lembrando, o Papa é Autoridade Máxima depois de Jesus Cristo! E não de Martin Lutero. O Papa quer o Povo de Deus Unidos, sem armas, sem corrupção, sem guerras...Se ainda não leu uma página da Bíblia ainda está em tempo! Chega de mentiras e Corrupção! Que Deus tenha misericórdia de todos nós brasileiros 🙏🙏🙏

  • Ana Antonia | Quarta-Feira, 16 de Outubro de 2019, 15h35
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    É quase inacreditável que um religioso permita isso numa festa dita "beneficente!" Que ele veja e como seguidor de Cristo não faça nada. Comentários ofensivos de quem mora por lá pipocam nas redes sociais. Que rebanho o senhor tem hein Frei! Dos ensinamentos de Jesus... nada!

  • Edmalvadeza | Quarta-Feira, 16 de Outubro de 2019, 15h17
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    "Manual do Terrorista, pagina 48, paragrafo 3o. - Coloque mulheres e crianças com camisetas da causa dentro de eventos sociais de outras categorias e promova a bagunça generalizada. Utilize de videos e da mídia para promover a causa dentro do contexto nacional se possível." Esse tipo de comportamento é pensado e tem a finalidade exclusiva de autopromoção dos movimentos comunistas. Ela já foi com a intensão de promover a discórdia e a balburdia. Esse tipo de comportamento é a cara da esquerda pastel brasileira. Deveria ser expulsa da Unemat.

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