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Sábado, 09 de Novembro de 2019, 07h:14 | Atualizado: 09/11/2019, 15h:38

Com esclerose múltipla, servidora relata tratamento e milagre de ser mãe - vídeo

Em 2013, a servidora pública Natércia Malheiros, hoje com 34 anos, começou a sentir fortes dores nos olhos e ouvidos, além de enjôos diários. Mas foi após o surgimento de um quadro de visão dupla, que persistiu por cerca de um mês, que a cuiabana decidiu procurar ajuda médica. O diagnóstico de esclerose múltipla chegou algumas semanas depois e fez com que Natércia passasse a enxergar a vida com outros olhos.

Dayanne Dallicani

Nat�rcia Malheiros

Natércia Malheiros tinha rotina agitada e havia acabado de passar em um concurso em Sorriso quando percebeu que havia algo de errado e procurou ajuda

"Na época estava tudo muito corrido na minha vida, tinha acabado de tomar posse em um concurso de Sorriso, achei que eram sintomas de stress. Mas, um dia, conversando com uma amiga, comecei a ver duas dela. Não conseguia andar sozinha porquê via tudo duplicado. Acabei contando para minha chefe que precisava ir no oftalmologista", lembra.

Foi desesperador, entrei na sala do médico chorando

Natércia Malheiros

Quando chegou à consulta, Natércia contou que já sentiu um clima estranho, pois o médico fez exames e análises diferentes. Em certo momento, ela perguntou ao oftalmologista se o problema dela estava na cabeça, foi quando ele afirmou que sim e indicou que ela procurasse um neurologista. “Já saí do consultório me despedindo de todo mundo, avisando minhas amigas que elas podiam ficar com minhas roupas e bijuterias”, brinca.

Antes de conseguir fazer o exame, que indicaria o que estava acontecendo no cérebro, Natércia precisou enfrentar uma viagem de ônibus entre Sorriso e Cuiabá, onde seria atendida por um primo neurologista. Mesmo sem saber, ela vivia a fase de “surto” da esclerose múltipla, conhecida pela exacerbação dos sintomas, que, no caso dela, se manifestavam através de dores no ouvido, enjoos e visão dupla.

Em certo ponto da viagem, Natércia conta ter pensado que não aguentaria chegar em Cuiabá por conta das dores que sentia. “Pensei que teria que pedir uma UTI móvel”, diz, enquanto dá risada. Depois de muitos remédios para enjoo, ela conseguiu desembarcar na Capital e foi direto para a consulta.

Diagnóstico

Quando chegou ao neurologista, Natércia lembra que perguntava, aos prantos, se iria mesmo morrer. Porém, o diagnóstico veio somente após uma ressonância magnética. Para conter os ânimos da família, o médico, que também é primo dela, resolveu fazer uma reunião para contar aos familiares sobre a esclerose múltipla que havia acabado de detectar na servidora.

Natércia não participou da reunião e ficou sabendo da doença degenerativa apenas algumas horas depois da família. Ela lembra que pegou o exame das mãos dos familiares e leu o diagnóstico. “Foi desesperador, entrei na sala do médico chorando”.

No mesmo ano, a mãe da cuiabana também descobriu um câncer no intestino. Apesar da gravidade da doença e de ter precisado retirar quase todo o órgão, hoje a mulher vive “bem demais”, como afirma Natércia, que mora no mesmo prédio que a mãe, separadas apenas pela distância de oito andares.

A partir da confirmação da doença, a servidora explica que começou a tomar os medicamentos para conseguir conter o “surto”, precisou passar dias fazendo um tratamento à base de corticoides, chamado de pulsoterapia. Durante essa fase, ela relata que o corpo começou a reagir inchando por conta das altas doses de medicação.

Na época, a doença degenerativa, que afeta áreas do cérebro, estava atacando a bainha de mielina, uma espécie de revestimento do órgão. A região mais afetada foi exatamente a responsável pela visão, o que fazia com que ela enxergasse tudo duplicado.

Planejamento da gravidez 

Questionada sobre o sonho de ser mãe, Natércia, que revelou que nunca se imaginou gestando uma criança, porém, quando conheceu o marido, que a deu segurança para planejar e sonhar com uma família, conseguiu pensar melhor sobre o assunto. Porém, como possui esclerosa múltipla, tudo precisou ser planejado e calculado nos mínimos detalhes. Uma gravidez não planejada, por exemplo, poderia provocar má formações no bebê, por conta dos medicamentos utilizados por ela. 

No início deste ano, ela procurou o neurologista e relatou o desejo de engravidar. Aos poucos, ambos foram estudando a situação e o médico explicou que não haveria problemas caso ela quisesse realmente ter um bebê. Diferente da opinião de uma nutróloga que atendia Natéria em São Paulo, que desencorajou a cuiabana a enfrentar uma gravidez tendo esclerose múltipla. 

"Perguntou se tinha vontade de engravidar, eu disse que poderia ser uma vontade no futuro. Então ela perguntou se já havia pensado em adotar, disse que seria bom que eu ficasse grávida", lembrou. 

O neurologista de Natércia, então, recomendou que ela parasse com os medicamentos da esclerose múltipla e começasse a tentar engravidar. A funcionária pública brinca que jamais imaginou que consegueria ficar grávida tão rápido. Ela parou com os remédios em meados de março e, no mês seguinte, já havia conseguido engravidar. 

Se ficar pensando coisas ruins, como coisas boas chegaram até mim?

Natércia Malheiros

Natércia possui bom humor invejável e, enquanto caminha pelo quartinho inacabado de Naiara, sonha com o dia em que a primeira filha chegará ao mundo. No apartamento onde vive com o marido, escolheu o melhor quarto: onde o Sol e o barulho do trânsito não incomodarão o descanso da pequena. Animada, a mamãe de primeira viagem dispersa qualquer pensamento negativo com a fé que tem nos "planos de Deus". 

"Se ficar pensando coisas ruins, como coisas boas chegaram até mim?", questiona. Mesmo já tendo enfrentado dores inimagináveis e sem saber o que o futuro aguarda para ela, Natércia segue firme com o sorriso no rosto enquanto carrega Naiara. Desde que parou de tomar os remédios para esclerose múltipla, não teve nenhuma fase de exacerbação dos sintomas e, um dos exames, constatou que a imunidade dela está melhor do que não ficava há tempos. 

A funcionária pública ainda se diverte praticando pole dance e se derrete quando mostra uma fotografia, que registrou uma das posições do esporte. "Nessa foto, estou fazendo pole com ela na barriga", brinca. Para Natércia, a prática do pole dance foi uma das principais válvulas de escape após o diagnóstico de esclerose múltipla. Ela afirma que o esporte a salvou, assim como o hábito de manter acompanhamento psicológico. 

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