Cidades

Domingo, 15 de Julho de 2018, 08h:10 | Atualizado: 16/07/2018, 09h:50

Calvície afeta a autoestima dos homens e tratamento pode prejudicar função sexual

careca

 Na faixa dos 30 anos, cerca de 30% dos homens apresentam intensa perda de cabelo

A vaidade de Marcos*, 29 anos, foi deixada de lado há pouco mais de um ano. O rapaz, que costumava se preocupar com penteados, roupas e acessórios, se desligou da aparência. O motivo, conta, é a intensa perda de cabelo nos últimos anos, em razão do aumento da calvície. A situação o afeta de tal forma que decidiu que irá para a Turquia em setembro passar por um transplante capilar.

Casos de calvície, como o de Marcos, são comuns entre os homens. Na faixa dos 30 anos, cerca de 30% deles apresentam intensa perda de cabelo. O número aumenta por volta dos 50 anos, quando cerca de 50% são afetados. Aos 70 anos, o índice chega a 80% dos idosos do sexo masculino. Os dados são da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

No comércio, diversos cremes, remédios, pomadas e outros itens prometem acabar com a calvície e reduzir a queda capilar. Porém, nem sempre os produtos funcionam, conforme relataram pessoas ouvidas pela reportagem.

Marcos começou a desenvolver a calvície aos 23 anos. “Antes eu tinha muito cabelo e fazia penteados, mas depois a quantidade dele foi diminuindo”, diz. Ele revela que sempre teve muito apego aos fios e a redução deles o incomodava profundamente. “Eu ficava bastante chateado e isso sempre afetou muito a minha autoestima”.

Aos 26 anos, a calvície se intensificou. “Eu comecei a disfarçar, passei a cortar muito baixo, mas a situação estava muito drástica”. A partir de então, decidiu procurar tratamentos médicos. “Eu tomei remédio e passei cremes indicados pelo dermatologista, mas não adiantou muito. Apenas fez crescer pouco cabelo, mas nada que fosse considerado um avanço”, relata.

Há um ano, ele comenta que a situação ficou ainda pior e passou a sair de casa somente com boné. “Agora não dá mais pra disfarçar a calvície, está muito intensa”. Proprietário de microempresa, não gosta de atender os clientes sem o acessório na cabeça. Comenta que os fios rarearam intensamente e, por isso, decidiu raspar o pouco cabelo que restava. “Para mim, o meu cabelo tem a mesma importância que para uma mulher. Ele faz muita falta e isso me incomoda”, lamenta.

A dermatologista Cintia Lima Procópio relata que a calvície masculina é causada pelos elevados níveis de hormônios e também por predisposição genética. “Existem enzimas responsáveis por converter a testosterona [hormônio masculino] em um hormônio responsável pela queda e afinamento dos fios. Essas enzimas têm dois tipos, uma delas podem ser encontradas na pele, inclusive no couro cabeludo, e a outra está presente nos folículos pilosos e na próstata”.

Arquivo Pessoal

Cintia Lima

Cintia Lima diz que a calvície pode afetar a satisfação masculina

Ela pontua que os tratamentos podem ser feitos com medicamentos orais ou tópicos, além do uso de outras tecnologias como o laser de baixa potência, o microagulhamento ou a infiltração de medicamentos no couro cabeludo. “O medico dermatologista é o profissional indicado para diagnostico e tratamento dessa patologia, que deve ser bem esclarecida quanto ao seu caráter crônico e de tratamento continuo”.

Busca por tratamentos

Segundo a dermatologista, a calvície pode afetar duramente a satisfação do homem com a própria imagem corporal. "Isso reflete a importância do cabelo no contexto sociocultural. Ao longo da história, o cabelo abundante simbolizou vitalidade, saúde e virilidade. A perda ou remoção de cabelo pode conotar subjugação ou perda da individualidade", conta.

Em razão da baixa autoestima trazida pela redução no volume de cabelo, muitos homens procuram médicos para auxiliá-los. Um dos tratamentos mais comuns é com o medicamento Finasterida, que bloqueia a enzima que causa a perda de cabelo.

Apesar de reduzir a queda capilar, a droga pode diminuir a libido, entre outros efeitos colaterais. “Há relatos de diminuição do volume ejaculatório, porque a medicação bloqueia a enzima encontrada no folículo piloso e na próstata. Porém a quantidade dos espermatozóides, número e concentração não apresentaram alterações nos pacientes em uso de Finasterida oral”.

“Esses sintomas são reversíveis e a decisão de uso sempre deve ser conversada e avaliada com o dermatologista”, completa.

Um homem que utilizou a Finasterida por nove meses relata à reportagem que suspendeu o uso do medicamento após efeitos colaterais. “Eu tive problemas de ereção e resolvi aceitar que iria perder o cabelo”, conta.

Conforme Cintia Lima, aqueles que não querem utilizar o medicamento podem recorrer a tratamentos utilizados externamente, como uma formulação composta com minoxidil.

No Sistema Único de Saúde não é ofertado nenhum tipo de medicação para calvície feminina. “O SUS oferta somente tratamento clínico com dermatologista, que prescreve remédios para tomar ou aplicar. Não há transplante nem parte cirúrgica”, comenta a Cintia.

Em Mato Grosso, segundo a médica, o hospital público referência em tratamento capilar é o Julio Müller. “O ambulatório dele é referência. Mas o paciente precisa ser encaminhado, ou seja, é necessário que ele vá a um posto de saúde ou policlínica para que receba encaminhamento a um setor clínico específico de queda de cabelo”.

Falsas promessas de fim da calvície

Nas redes sociais e até em comércios, é comum ver produtos que prometem acabar com a calvície em poucos dias. Os itens milagrosos, porém, não costumam cumprir aquilo que prometem e acabam frustrando ainda mais os consumidores.

A presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado, Maria de Fátima de Carvalho, afirma que a entidade avalia falsas promessas de cura milagrosa para a calvície e, caso necessário, notifica a empresa. “É preciso respeitar o Código de Ética. Se percebermos algum tipo de irregularidade envolvendo um médico, com falsas promessas de cura para a calvície, apontamos os erros e pedimos para que a situação seja resolvida. Caso seja mantida a falha, abrimos uma sindicância”, comenta.

Segundo Maria de Fátima, semanalmente chega uma denúncia de propaganda irregular ao CRM-MT. “Mas esses casos são gerais, não apenas relacionados a questões de promessas de produtos para o cabelo”, frisa.

Ela destaca que as pessoas não devem acreditar em itens que prometem aumentar a quantidade de fios em pouco tempo. “Não há milagre. A queda cabelo é uma questão médica e é necessário se consultar para saber o procedimento adequado para cada situação”, orienta.

Ida para a Turquia

Uma das opções para tratamento da calvície é transplante capilar, que consiste na retirada de cabelo da região onde haja fios e implantação em áreas com menos ou nenhum pelo. No Brasil, tais tratamentos custam, em média, R$ 18 mil.

Marcos considera que o transplante é a única alternativa que lhe resta, desde que ficou careca. Em razão disso, passou a pesquisar sobre o assunto e descobriu uma clínica em Istambul, na Turquia, que realiza os procedimentos com custo menor que no Brasil e com resultados que classifica como excelentes.

“Conheci essa clínica há alguns meses e decidi que vou fazer meu transplante nela, porque o procedimento é muito bom e mais barato que no Brasil. Lá, pagarei R$ 10 mil. Além disso, terei apenas os custos com a passagem, porque esse estabelecimento oferece dois dias de hospedagem”, detalha.

Ele planeja colocar quatro mil fios na cabeça. Durante meses, a região passará por processo de cicatrização e, posteriormente, os cabelos transplantados passarão a nascer normalmente.

Arquivo Pessoal

Carlos Henrique Gontijo

 O publicitário Carlos Gontijo começou ter queda de cabelo bem jovem e busca se adaptar

Para conseguir ir à Turquia, o rapaz solicitou o passaporte e aguarda a emissão do documento. Ele relata que juntou as economias que possuía e usou parte do dinheiro que conseguiu com a venda de um carro, para que possa arcar com os custos da viagem. “Eu estou fazendo esse investimento porque sei o quanto é importante para mim ter cabelo. Sei que tem pessoas que lidam bem com isso, mas não é o meu caso”.

Em paz com a calvície

Em meio aos homens carecas, há aqueles que aprenderam a conviver com a situação e gostam da ausência de cabelo. Um deles é o publicitário Carlos Henrique Gontijo, 27 anos. Ele herdou a calvície do pai. Aos 19 anos, os fios começaram a enfraquecer e passaram a cair com frequência. "Aos 21, ainda tentei manter o cabelo que tinha, mas depois decidi raspar de vez, porque estava muito ralo", relata.

Com 24 anos, Gontijo passou a usar minoxidil no couro cabeludo e, neste ano, passou a consumir vitamina A. Segundo ele, o tratamento não é para voltar a ter cabelo como em outrora. "Eu ainda tenho muitos fios pequenos. O tratamento é mais para mantê-los. A careca não me preocupa".

“A maioria das pessoas gosta de mim assim. No começo minha mãe achava que eu merecia ter cabelo de novo e até sugeriu o implante, a gente buscou algumas informações, mas vi uns resultados que não me agradaram em nada e desisti”.

*Nome alterado conforme solicitação do entrevistado

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Comentários (1)

  • Observador | Domingo, 15 de Julho de 2018, 12h31
    4
    0

    Conversa,...elas gostam mesmo é careca

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