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Domingo, 15 de Dezembro de 2019, 10h:43 | Atualizado: 15/12/2019, 10h:50

AMAZÔNIA

Após desmatamento ilegal, terras são vendidas 50% mais baratas, diz secretário

Reprodução

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Principal razão do desmatamento é abrir pasto 

Nova Bandeirantes, Juara e Cláudia lideram ranking de 70 municípios mato-grossenses onde mais foi praticado desmatamento ilegal em áreas da floresta Amazônica, entre julho de 2018 e agosto de 2019. Os dados são do Prodes/Inpe e foram compilados pelo Instituto Centro de Vida (ICV). Em geral, as áreas desmatadas são utilizadas para pecuária e agricultura e vendidas em média 50% mais baratas do que terras regularizadas. 

Do universo de 70 cidades, em 34 delas 100% de desmatamento registado é ilegal. Em Nova Bandeirantes, que desmatou de forma ilegal 116 km quadrados de floresta no período analisado, somente 8 km quadrados desmatados estão em conformidade com a legislação.

A maior parte do desmatamento ilegal é feita por pessoas que muitas vezes loteiam essas áreas e as vendem por preços até 50% menor do que se fossem em áreas regularizadas

Secretário de Juara, mauro Dirami

Em Juara, foram 71 km quadrados desmatados de forma ilegal, ante 14 km quadrados de forma legal, enquanto que em Cláudia, dos 76 km quadrados desmatados, 54 foram de forma criminosa.

O secretário de Meio Ambiente de Juara, Mauro Dirami, avalia que vários fatores influenciam no desmatamento ilegal, entre os quais a busca por renda e lucratividade. “A maior parte do desmatamento ilegal é feita por pessoas que muitas vezes loteiam essas áreas e as vendem por preços até 50% menor do que se fossem em áreas regularizadas”.

Mauro exemplifica que em Juara, 100 hectares, que equivalem a 40 alqueires, são comercializados sem documentação ao preço médio que varia entre R$ 8 mil e R$ 12 mil o alqueire, enquanto que um lote com as mesmas especificações chegam a custar R$ 20 mil o alqueire.

“A saída para esse problema passa pela regularização fundiária, para que se saiba a quem punir; compensação pelo serviço ambiental prestado na conservação de florestas, porque a partir do momento que o proprietário rural receber por manter a floresta em pé não vai ter mais o porquê desmatar; e, por fim, seria importante descentralizar a fiscalização da Sema, e garantir que parte desse controle ocorra com os municípios, que estão mais próximos da situação e, com isso, conseguem resolvê-los de forma mais célere”, sugere o secretário.

A fiscalização em relação a desmatamento em Mato Grosso é feita de forma compartilhada pelo Ibama e Sema. Em entrevista ao , o secretário-adjunto executivo da Sema, Alex Marega, afirmou que o Estado ampliou a fiscalização ao contratar os serviços de monitoramento de floresta em tempo real, por meio do satélite Imagens Planet. Desde a implantação do sistema, o Estado já conseguiu realizar a aplicação de R$ 271 milhões até outubro, com o monitoramento de 71,5 mil hectares.

O tema do desmatamento se amplificou este ano após dados do Inpe apontarem crescimento dos índices de desmate na Amazônia Legal. Os dados foram questionados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e chegou a atrair críticas de países estrangeiros, principalmente, porque o país é signatário de acordos internacionais, como na COP 21 – Paris (2015), que estabeleceu metas específicas para redução da emissão de gases efeito estufa nos próximos anos.

Em Mato Grosso foi implantado o Programa Preservar, Construir e Incluir, que se baseia nas diretrizes do Acordo de Paris, e tem como meta desmatar menos de 1,5 mil hectares por ano. Segundo o Prodes, entre julho de 2018 e agosto de 2019, o índice de desmatamento ilegal no Estado foi superior a 1,6 mil hectares.

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Comentários (3)

  • FÁBIO PEREIRA PACHE | Segunda-Feira, 16 de Dezembro de 2019, 12h17
    0
    0

    gostaria de saber do secretario do meio ambiente porque, um processo de desmate legal na SEMA, é tão demorado isto quando é aprovado, talvez seja até isto que provoca os desmates ilegais, a Sema dificulta demais os processos, depende do Sincar que tambem não aprova nunca.

  • CHIRRÃO | Segunda-Feira, 16 de Dezembro de 2019, 10h25
    0
    0

    BASTA VER OS BÉNS DOS FISCAIS DO IBAMA E DA SEMA

  • Talisia | Domingo, 15 de Dezembro de 2019, 16h20
    1
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    A REALIDADE É UMA SÓ SENHOR GOVERNADOR, A FLORESTA DO ESTADO DE MATO-GROSSO VEM SOFRENDO BASTANTE COM O DESMATAMENTO ILEGAL A MUITO TEMPO. A BUSCA INCESSANTE PELO LUCRO A CORRUPÇÃO E O COMODISMO DAS NOSSAS AUTORIDADES SÃO AS PRINCIPAIS CAUSAS DESTE TRÁGICO PROBLEMA, E TAMBÉM A PORTA DO ESTADO ESTÁ ABERTA ( SEM FISCALIZAÇÃO ) PARA O TRANSPORTE DE MADEIRAS COMO A CASTANHEIRA O PIQUI E A SERINGUEIRA(PROIBIDAS DE CORTE) E TANTAS OUTRAS, E AINDA MAIS A FISCALIZAÇÃO E A IDENTIFICAÇÃO DE MADEIRAS SEMPRE INCOMODOU E INCOMODA A MAIORIA DOS DEPUTADOS O GOVERNO OS FAZENDEIROS E AQUELAS MADEIREIRAS QUE QUEREM ANDAR NA ILEGALIDADE, A FLORESTA NÃO É SÓ PARA A PRESENTE GERAÇÃO MAIS TAMBÉM PARA AS FUTURAS GERAÇÕES.

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