Cidades

Sexta-Feira, 08 de Fevereiro de 2019, 08h:03 | Atualizado: 08/02/2019, 08h:12

OPERAÇÃO BLACKMAIL

Coordenador do distrito indígena, alvo de operação, diz que ameaças à enfermeira foram feitas por 2 indígenas

O coordenador do Distrito de Saúde Indígena (DSEI) Xavante, Valmir Martins de Farias, rebateu as acusações de que participa de um suposto grupo criminoso para exigir propina de profissionais da saúde para que permanecessem no cargo.

“Não tem nada que ligue o meu nome ao pedido de propina ou de vantagens”, disse em coletiva à imprensa nesta quarta (6), em Barra do Garças (a 521 km de Cuiabá). Na ocasião, o gestor disse que as ordens vieram do presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi), Saulo Ub’uhu’we, em conluio com um assessor que trabalha diretamente com ele. Os dois são indígenas.

O caso é investigado na Operação Blackmail, deflagrada nesta quarta, pela Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF).

As investigações surgiram após uma denúncia de uma enfermeira demitida que foi coagida a pagar propina para que permanecesse no cargo. Saulo e o assessor teriam exigido o pagamento de R$ 2 mil e indicaram o número da conta para depósito por WhatsApp.

“Quem mandou aquelas mensagens foram pessoas ligados ao Condisi. As pressões, as chantagens e o pedido de propina foram feitos por um órgão independente, que é o Conselho de Saúde Indígena”, disse Valmir à imprensa.

Valmir relatou que não tinha conhecimento das coações contra a profissional que foi demitida. "Naquele momento, eu entendi que o Conselho [de Saúde Indígena] estava fazendo o trabalho de fiscalizar a enfermeira", disse. Isso por que cada DSEI tem um Condisi para fiscalizar, debater e apresentar políticas para o fortalecimento da saúde em suas regiões, com orçamento e autonomia próprios.

            Segundo o coordenador, eles pediram a demissão dessa enfermeira desde o começo do ano passado. Por sua vez, Valmir não atendeu ao pedido do presidente do Condisi e a relação entre eles foi se desgastando. "De janeiro a setembro, eles pediram a demissão dela e eu não fiz, chegando ao ponto deles me disseram ou você faz isso ou vamos ter que te afastar daqui", relatou.

Além disso, Valmir teria ouvido relatos de que “o serviço dessa enfermeira como não rentável para o órgão” e por isso também que ele demitiu a profissional.

Contudo, não é essa versão ao qual o MPF tem acesso. Para a entidade, Vilmar recebeu o pedido de Saulo para demiti-la e, mesmo tendo sido informado por ela sobre as chantagens, não tomou providências. Pelo contrário, determinou o desligamento da profissional.

Para Valmir, não houve intenção ou omissão na sua conduta. “A verdade é que só fiquei sabendo dos fatos depois disso [da operação]. Não tem nenhuma prova que diga é consistente que eu sabia do que estava acontecendo para tomar providências”, comentou. O coordenador comentou que só soube do ocorrido pela imprensa e redes sociais.

Ele disse ainda que, após tomar conhecimento desses fatos, não mais atendeu as demandas do Condisi. Valmir contou que a partir daí começou a ser perseguido pelo indígena Saulo. “Chegando ao ponto dele pedir minha exoneração e de indicar outro nome”, disse.

Em 14 de janeiro deste ano, o presidente Saulo organizou um protesto para pedir a exoneração de Valmir do DSEI. Ele e mais 80 indígenas chegaram a ocupar o DSEI de Barra do Garças. Os xavantes chegaram a fixar uma faixa pedindo a imediata saída do coordenador e entregaram um documento ao senador José Medeiros (PODE) para requerer a saída de Valmir e a indicação de outro.

Outro lado

A reportagem do não conseguiu entrar em contato com os representantes do Condisi.

Além dos mandados, a Justiça Federal também determinou a suspensão da função pública dos envolvidos, a proibição de ingressar na sede do DSEI e de manter contato com servidores e colaboradores que trabalham na sede do distrito.

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