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Domingo, 24 de Maio de 2020, 08h:32 | Atualizado: 24/05/2020, 16h:28

CORONAVÍRUS

Covid-19 é risco real de extermínio para indígenas em MT, avaliam lideranças

Medo e inseguranças quanto ao avanço da Covid-19 entre indígenas têm gerado preocupações para lideranças e Poder Público. Na última semana um bebê de 8 oito meses da etnia Xavante faleceu pela doença e o caso traz um alerta também para a situação precária e falta de recursos dos órgãos responsáveis pela saúde indígena.

Divulgação

Aldeia S�o Marcos

Xavantes fazem ritual na Terra Indígena São Marcos; um bebê de 8 meses da etnia morreu

Por um lado, morar longe das cidades dificulta receber atendimento médico, por outro, as aldeias próximas aos centros urbanos estão mais vulneráveis à doença, que traz risco real de extermínio para algumas etnias.

Faltam dados sobre a situação da pandemia entre indígenas e os testes, que também são insuficientes nos centros urbanos, não chegam nas aldeias. “Quem não aparece na Receita Federal, não existe para os governantes. Nós somos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) como qualquer brasileiro, mas nosso medo é não ter um plano e estarmos ainda mais despreparados nas aldeias. A doença é real, está matando pessoas”, afirma o presidente da Federação dos Povos Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), Crisanto Rudz Tseremey'wá.

São cerca de 55 mil indígenas que estão em 50 dos 141 municípios de Mato Grosso. São pessoas de 43 etnias diferentes, em mais de 560 aldeias, além de alguns povos isolados. A distância entre o local de moradia e o atendimento médico é uma grande preocupação para Eliane Xunakalo, membro da Fepoimt. “A Funai e Sesai que atuam em MT também estão dando apoio, mas sabemos da precariedade, falta de recursos”

A coordenação de ações para a saúde indígena é de responsabilidade da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), ligada ao Ministério da Saúde. Dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), 7 estão em Mato Grosso sendo 4 totalmente no Estado (DSEI Cuiabá, DSEI Xingú, DSEI Kayapó MT e DSEI Xavante) e 3 com área de atuação interestadual (DSEI Araguaia, DSEI Porto Velho e DSEI Vilhena), nas fronteiras com Goiás, Tocantins e Rondônia.

Com atuação preventiva, a unidade, segundo o site oficial, tem enviado insumos e equipamentos de proteção individual aos 34 DSEIs em todo o país.

Assessoria/Fepoimt

Crisanto�Rudz Tseremey'w�

Crisanto Rudz Tseremey'wá é presidente da federação que representa indígenas em MT

Não podemos esperar que aconteça o pior para agir

Eliane conta que apesar da falta de dados oficiais, a Fepoimt tem notícias que os Xavante estão entre os mais atingidos e onde faleceu a vítima mais jovem, de 8 meses. São uma população de 21 mil pessoas, presente em 14 municípios. Quem é contaminado tem dificuldades em receber atendimento.

Segundo Elaine, o Governo do Estado não dá orientações aos povos sobre atendimento. “Temos dúvidas sobre muitas coisas. Como pode ser feito o isolamento dentro da aldeia? E o deslocamento?”.

Foi enviado um ofício pela Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) ao governo pedindo para incluir as organizações indígenas no debate sobre ações para conter a pandemia, mas ainda não houve resposta. “Queremos alguém que tenha expertise em povos indígenas para serem ouvidos, queremos apoiar sem as diferenças políticas que devem ficar à parte, agora vamos pensar estratégias”, diz.

A doença, para ela, representa um risco real de extermínio para essas populações. “Precisamos de ajuda para abordar os povos que tem rituais específicos e não vão poder enterrar seus mortos. E levar orientação na língua deles”.

A Fepoimt está organizando campanhas nas redes sociais para receber doações de alimentos e demais insumos.

Nota do Governo do Estado

O Governo do Estado está analisando as ponderações feitas pela APIB e as respostas serão encaminhadas à entidade em tempo oportuno, de acordo com a competência do Estado de Mato Grosso.

No entanto, nos cabe esclarecer que o Governo está tomando diversas medidas visando à saúde e bem-estar de toda a população mato-grossense no enfrentamento ao novo coronavírus, tais como disponibilização de 1.273 leitos hospitalares públicos exclusivos para pacientes de Covid-19, até o dia 4 de maio. Esses leitos estão distribuídos em hospitais estaduais e unidades de saúde em parceria com prefeituras municipais, podendo dessa forma, atender a todas as regiões do Estado. Além disso, o Governo mantém rigorosamente em dia os repasses para saúde pública aos municípios.

O Executivo Estadual também adotou medidas de prevenção, como a obrigatoriedade no uso de máscaras de proteção em estabelecimentos públicos e privados, o isolamento social para pessoas dos grupos de risco, orientações para manutenção dos hábitos de higiene, que devem ser seguidos lavando as mãos com água e sabão e utilização do álcool 70%. Máscaras estão sendo entregues à população e doações de álcool 70% são distribuídas para as 141 prefeituras.

Outras ações também visam a questão econômica das famílias em vulnerabilidade social: o Governo está distribuindo 50 mil cestas básicas em todos os 141 municípios, através da campanha Vem Ser Mais Solidário. E os alunos da rede estadual de ensino cadastrados no Bolsa Família também recebem kits de alimentação escolar durante o período da suspensão das aulas.

Estas e outras ações são realizadas pelo Governo de Mato Grosso tendo como objetivo minimizar os impactos da pandemia da Covid-19 para a população como um todo. Estamos à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas.

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