Cidades

Domingo, 21 de Julho de 2019, 07h:55 | Atualizado: 22/07/2019, 07h:38

Crematório de Cuiabá se dedica a dar fim digno a pets respeitando dor de tutores

Arquivo Pessoal

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Por  uma década, Camila e Tuffo foram amigos inseparáveis

Durante uma década, o labrador Tuffo foi o fiel companheiro da geóloga Camila Brito de Oliveira, 32 anos. “Sempre fui apaixonada pela raça dele e quis ter um. Quando tive a oportunidade de criar o Tuffo, fiquei muito feliz”, relata. O convívio entre eles era intenso. “Até mesmo quando eu ia tomar banho, ele ficava perto do banheiro. Ele era muito apegado”, diz.

A geóloga comprou o animal de um amigo, que cuidava da mãe de Tuffo, em 2009. “Desde que ela ficou prenha, eu disse que queria um filhote”, relembra. O fiel companheiro tornou-se parte da família de Camila. “Ele era muito amoroso. Era meu parceiro, dormia na minha cama e era minha companhia 24 horas por dia”, relembra.

Em maio deste ano, o cachorro começou a passar mal com frequência. “Ele urinava coágulos de sangue e a situação foi piorando”, relata. Ela levou o pet ao veterinário. “Disseram que ele estava com a imunidade muito baixa e precisaria de uma transfusão de sangue”, conta.

O animal passou por tratamento, tomou diversos remédios, mas não resistiu. “Ele perdeu muito sangue. As plaquetas dele diminuíram muito e ele estava completamente fragilizado. Ele não reagia ao tratamento”, detalha. Tuffo recebeu diferentes diagnósticos, os principais foram cistite – doença que provoca a inflamação da bexiga urinária do animal – e doença do carrapato. “Por fim, nenhum diagnóstico foi conclusivo”, explica Camila.

Em junho, o animal estava completamente debilitado. Um veterinário sugeriu a eutanásia. “Não havia mais condições. Ele estava cada vez mais debilitado e sofrendo, sem nenhum sinal de melhora com o tratamento. Gastei R$ 4 mil, mesmo desempregada, e não vi nenhuma melhora. Achei que a morte seria a opção mais tranquila para o meu Tuffo”, diz.

Sem alternativas, a dona optou pela eutanásia do pet. “Foi um procedimento muito tranquilo pra ele. Ele não sofreu. Recebeu os medicamentos e dormiu. Descansou. Não tenho dúvidas de que foi a melhor saída”, relata. A morte do companheiro de uma década ainda abala profundamente Camila. “Todos os dias choro de saudades dele”.

Depois da morte do amigo de quatro patas, a geóloga buscou por uma alternativa sobre o que fazer com o corpo do animal. Em buscas pela internet, ela conheceu a empresa Ultrassistência Pet Familiar, especializada em cremar animais em Cuiabá.

O responsável pelo estabelecimento, fundado em outubro passado, é o empresário Gerson de Arruda Soares. Ele é pai de duas filhas, já casadas, e vive atualmente com a esposa e um cachorro, que chama de “filho de quatro patas”. Foi o amor pelo animal que fez com que ele se interessasse em abrir um crematório para animais em Cuiabá. “Um amigo, que mora em Campo Grande (MS), foi quem me deu a ideia”, relata.

Antes de abrir o crematório, Gerson pesquisou sobre o assunto por quase dois anos, em estados onde já existem tal iniciativa. “Eu queria investir meu dinheiro em algo que pudesse ser promissor, então quis estudar direito sobre o assunto”, pontua.

Ele frisa que o carinho que sente pelos animais é fundamental para que possa atrair clientes. “Para investir nesse mercado, é necessário amar os animais”, pontua. Segundo o empresário, em menos de um ano já foram cremados mais de 100 pets, entre cães, gatos ou outros animais domésticos.

O crematório

Um dos primeiros passos de Gerson para abrir o crematório foi conseguir autorização da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema). Após a permissão, o empresário importou o forno de incineração do Rio Grande do Sul e deu início aos serviços.

O escritório da empresa fica no CPA II, em Cuiabá. Já o local de cremação dos animais está localizado nas proximidades da Estrada do Lixão,em uma área afastada, também na capital. Para auxiliá-lo na condução dos procedimentos com os pets, ele conta com um funcionário.

Os corpos dos animais são colocados no forno e o procedimento dura de três – cremação individual - a seis horas – procedimento coletivo – até que o corpo do pet se reduza a cinzas. Segundo Gerson, o crematório não polui o meio ambiente e é uma das melhores alternativas para descartar o corpo o animal.

Enterrar o bicho em solo comum, como no quintal de casa, não é recomendado por especialistas em cuidados com animais. Isso porque é uma atitude nociva à saúde, pois pode contaminar o solo ao atingir os lençóis freáticos.

De acordo com Gerson, a busca pelo serviço do crematório cresceu nos últimos meses, na medida em que as pessoas conhecem o serviço. O atendimento é 24 horas por dia. “Esse é o nosso diferencial em todo o país, porque independente do horário em que o animal morrer, vamos buscar”, declara.

Os valores do serviço variam conforme o peso do animal. A cremação pode ser individual, quando tem um custo maior e o dono fica com as cinzas, ou coletiva, na qual são diversos corpos juntos e o proprietário do bicho não permanece com as cinzas – pois todos os restos dos pets costumam se misturar.

Em caso de cremação individual, o valor para animais de até nove quilos custa R$ 250. De 10 a 19 quilos custa R$ 350. Acima de 20 kg, o valor fica R$ 15 por quilo, mais R$ 50 pelas cinzas. Neste caso, o cliente costuma receber um quadro de lembranças do pet.

Rodinei Crescêncio

cremat�rio PETs

 Crematório oferece planos para tornar mais digna a despedida de cães e gatos em Cuiabá

Já a cremação coletiva, que reúne a partir de três animais, custa R$ 170 quando o pet tem de um a nove quilos. De 10 a 19 kg fica R$ 250. Acima de 20, custa R$ 13 cada quilo. Neste, não há quadro de lembranças, nem cinzas para os donos dos animais.

A despedida

Para cremar Tuffo, que tinha 30 quilos, Camila gastou R$ 700. Ela fez o procedimento individual e obteve autorização de Gerson para acompanhar o procedimento de perto. “Eu insisti muito para ver a cremação, porque queria ter a certeza de que ele tinha morrido. Antes disso, parece que a minha ficha não tinha caído e não conseguia acreditar que ele não estava mais comigo", diz.

A despedida do cão foi um momento emocionante para a geóloga. Camila conta que chorou durante as três horas em que durou o procedimento. “Foi muito triste, mas vejo que foi importante passar por aquilo”, relata.

Gerson relata que tem aprendido a entender a dor de cada pessoa que perde um animal. Ele revela que sempre busca entender o sofrimento dos clientes. O empresário é o responsável por buscar os corpos dos animais nas casas de seus donos.

“Dia desses, fui atender um cliente que chorava desesperadamente, com o corpo do cachorro dele. Ele demorou quase três horas até permitir que eu levasse o animal para o crematório. É muito sentimento envolvido. No dia seguinte, quando ele foi levar as cinzas, me contou que aquele cachorro era da mãe dele e tinha um sentido muito especial para ele naquele momento, pois ela havia morrido há quatro meses", relata.

Enquanto busca se estabelecer no mercado mato-grossense, Gerson planeja expandir os negócios. Um dos próximos objetivos dele é criar uma espécie de plano de saúde para os cães e que também possa garantir a cremação em caso de morte. 

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Comentários (2)

  • JULIANA | Segunda-Feira, 22 de Julho de 2019, 15h43
    1
    0

    MUITO ÚTIL ESSA MATÉRIA!!!

  • Gerson de arruda Soares | Domingo, 21 de Julho de 2019, 13h34
    13
    0

    Muito obrigado ao site rdnews pela matéria sobre nossos serviços que fazemos com muito amor e carinho pelos nossos clientes e pets

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