Cidades

Quinta-Feira, 12 de Dezembro de 2019, 09h:45 | Atualizado: 12/12/2019, 18h:27

Deito na cama e me lembro dele todo dia, diz madrasta: "4 meses sem assistência"

Arquivo Pessoal

madrasta daniel Dayane palmeiras

Dayane, Daniel e o pai: era muito apegado

"Deito na cama e me lembro dele", relata Dayane Palmeiras dos Santos, madrasta de Daniel Augusto Silva, que morreu atropelado, aos 3 anos de idade, dia 11 de agosto deste ano, em acidente envolvendo a mulher do deputado federal, Adilton Sachetti (PRB), a influencer Lidiane, em um cruzamento de Rondonópolis (a 212 km de Cuiabá).

Nesta quarta (11), o caso completou 4 meses e a madrasta ressalta que, até o momento, a família não recebeu nenhum tipo de assistência por parte dos Sachetti.

No dia do acidente, Dayane seguia na moto, pilotada pelo pai do menino, Marcos Souza da Costa, de 30 anos. Daniel estava junto, entre eles. Ao  ela conta que aguarda na fila do SUS por uma cirurgia no joelho, que quebrou. Explica que ainda sofre com as dores físicas causadas pelo atropelamento e, além de operar o joelho, também precisa passar por sessões de fisioterapia por conta de ferimentos no pé, que vez ou outra a impedem de andar por conta de inchaços severos. 

"Estou com a ressonância do joelho, dei entrada na Central de Vagas do SUS, mas ainda nem sabem quando a cirurgia vai sair. Meu pé incha e desincha constantemente, então está  bem complicado. Até agora não tivemos nenhuma assistência. Nem o velório do Daniel foi pago por eles (os Sachetti)", comenta.

Ela já passou por uma cirurgia após o acidente, porém, de acordo com o que diz, o médico indicou que outro procedimento será necessário. Porém, só poderá ser realizado após a cirurgia no joelho, que ainda não tem previsão de ser feita. 

Além dos ferimentos físicos, Dayane conta que também precisou começar a fazer um tratamento psiquiátrico. Desabafa que, vez ou outra, ainda consegue relembrar todas as cenas do atropelamento.

Reprodução

Adilton Sachetti  e Lidiane

Ex-deputado Adilton Sachetti e a esposa Lidiane, influencer digital: clique no casamento

"Eu vi tudo, meu lado psicológico ainda não está bom. O médico explicou que fiquei bipolar, surto às vezes em casa. Não é fácil, não desejo isso para ninguém, nunca precisei tomar esses tipos de medicamentos como estou precisando hoje", diz.

Impedidos de trabalhar por conta dos ferimentos e traumas causados pelo acidente, Dayane conta que ela e Marcos já chegaram a não ter dinheiro suficiente para pagar a conta de luz da casa deles. O pai de Daniel, no entanto, precisou voltar a trabalhar no último mês. "Antes conseguia fazer os serviços domésticos, hoje em dia preciso esperar ele chegar para me ajudar", lamenta a mulher.

Emocionada, Dayane afirma que ainda é muito difícil para a família falar sobre Daniel, que era uma criança "amável e apegada ao pai". Apesar do pouco tempo de convivência com o menino, conta que já havia desenvolvido afeto por ele e fica abalada quando se lembra dele.

Por conta do acidente, Marcos também teve todos os dedos dos pés quebrados. Mas, desesperado, deixou o Hospital Regional de Rondonópolis para acompanhar o velório do filho. 

Dayane explica que a rotina de toda a família "mudou para pior" e ressalta que "faltam palavras" para definir a "imprudência" da digital influencer. Diz acreditar na Justiça de Deus, já que a dos homens parece não estar "fazendo nada" contra Lidiane. 

Quebra de sigilo telefônico 

Em 31 de outubro, a Justiça decretou a quebra do sigilo telefônico da digital influencer a pedido da delegada resposável pelo caso, Ludmila Vendramel. De acordo com a Polícia Civil, até o momento não há resultados com relação a perícia ou sobre a finalização do inquérito que investiga a morte de Daniel. 

A situação é confirmada pelo advogado do pai e da madrasta do menino, Igor Giraldi. Segundo ele, até o momento não há nenhuma novidade sobre as investigações da morte. Apesar da quebra de sigilo ter sido solicitada com urgência pela delegada, Igor ressalta que o prazo final pode ser de 60 dias. 

A quebra do sigilo telefônico tenta reunir outras evidências que possam comprovar as causas do acidente. Busca ainda descobrir, por exemplo se a condutora ingeriu bebida alcoólica no dia do atropelamento. Um lado da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), concluído em outubro deste ano, constatou que Lidiane desrespeitou a sinalização e invadiu a preferencial antes de causar a colisão

Reprodução/TVCA

Lidiane campos depoimento

De cabeça baixa, Lidiane saindo de depoimento dado à Polícia Civil, que investiga ocorrência

Entenda o caso 

Lidiane dirigia entre a rua XV de Novembro e a avenida Tiradentes , em Rondonópolis atingindo a moto onde estavam Marcos, Dayane e Daniel. A caminhonete, mesmo após a batida, prosseguiu até a rua Rosa Bororo e virou fugindo pela contramão. 

Quando a polícia chegou encontrou a caminhonete na rua XV de Novembro, onde o acidente havia acabado de acontecer, mas a motorista não estava junto ao carro. A digital influencer se apresentou na delegacia três dias após o acidente para prestar depoimento. Na ocasião, o advogado dela, que também estava na delegacia, disse que ela e o marido tentaram oferecer assistência à família. 

Dayane afirma que Lidiane estava em alta velocidade quando atingiu a motocicleta. “Eu tenho a imagem do carro em minha lembrança. Ela estava a mais de 100 km/h. Eu vi a hora em que ela bateu na moto”.

A perícia afirmou, na época, que a infração pode estar ligada à distração por parte da condutora ou motivo de ordem psicossomática, o que significa que a motorista pode ter tido algum problema de saúde ou psicológico, no momento do acidente.

Outro lado

A reportagem do ligou para defesa da Lidiane que não retornou até o fechamento desta matéria. Também tentou falar com o ex-deputado Adilton Sachetti, marido da influencer, que está em São Paulo para consulta médica e não pode atender a ligação.

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Comentários (2)

  • Sara | Sexta-Feira, 13 de Dezembro de 2019, 09h56
    1
    1

    Sr Eduardo, é inacreditável como existem inúmeras pessoas que pensam assim como o sr, que preferem atribuir culpa somente às vitimas, entretanto neste caso em específico, a imprudência e irresponsabilidade foi da condutora da camionete. Que se faça justiça e que a população rondonopolitana não se esqueça desta família qdo o sr Sachetti vir pedir seu voto em 2020. Um cara que dá a minima para socorrer as vitimas de acidente causado por esposa, dará conta de administrar uma cidade?? Deixo a pergunta no ar...

  • Eduardo | Quinta-Feira, 12 de Dezembro de 2019, 18h20
    1
    5

    Se não estivesse andando com o filho de 3 anos em cima de uma moto, o que não é permitido por lei essa fatalidade não teria acontecido e ainda por cima a criança nao estava de capacete.

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