Cidades

Segunda-Feira, 17 de Fevereiro de 2020, 18h:10 | Atualizado: 18/02/2020, 06h:57

Violência sexual

Delegada ouvirá testemunhas no caso do aluno de medicina suspeito de estupro

Secom-MT/arquivo

Delegada Jozirlethe Magalh�es

Delegada Jozirlethe Magalhães Criveletto, titular da Delegacia da Mulher de Cuiabá, deve ouvir também testemunhas para apurar estupro e importunação

A delegada Jozirlethe Magalhães Criveletto, titular da Delegacia da Mulher de Cuiabá, ainda busca por testemunhas e por provas sobre as denúncias contra um estudante de Medicina, de 23 anos, acusado de estupro e importunação sexual por duas jovens. De acordo com Jozirlethe, outras testemunhas ainda serão ouvidas nos próximos dias. 

O caso veio à tona em 4 de fevereiro, quando uma das vítimas usou o Twitter para denunciar o suposto caso de estupro. Nas publicações, a adolescente de 18 anos relatou que foi violentada em um momento de vulnerabilidade psicológica. Ela havia brigado com a mãe e o suspeito teria se oferecido para ajudá-la a ir para a casa de uma amiga. 

Ela alegou ter sido dopada com um remédio oferecido pelo universitário. De acordo com a adolescente, o suspeito pediu para que ela tomasse o medicamento para se acalmar, ela afirmou ter dito que tomaria assim que chegasse na residência da amiga. No entanto, o jovem teria insistido até que ela cedeu e começou a se sentir "grogue". 

Conforme Jorzilethe, o depoimento das duas vítimas são semelhantes e ambos foram distribuídos para o delegado responsável pelos inquéritos. O universitário compareceu à delegacia e apresentou um documento protocolado, onde afirmar estar à disposição da Justiça durante as investigações. 

"É um período de interrogatório e de reunir outras provas para dar encaminhamento. Sendo o caso ou não de uma prisão preventiva o delegado é que vai representar posteriormente", afirmou. 

O suspeito registrou um BO por calúnia contra a vítima alegando que a denúncia era mentira. De acordo com o relato, ele e a jovem se conheceram no Tinder, em 2018, e só se encontraram pessoalmente na primeira semana de dezembro de 2019. 

Ele afirmou que ambos foram para um motel e que o encontro seguiu normalmente. Ressaltou ainda que conversaram dias depois, mas ela nunca alegou ou perguntou nada sobre o dia que saíram. Conforme o suspeito, ele a vítima não se viram mais pessoalmente. 

Segunda denúncia 

Dois dias após a primeira denúncia, a segunda vítima do estudante registrou um BO relatando que o supeito usou força muscular para tocar em suas partes íntimas enquanto estavam no carro dele, em outubro do ano passado. De acordo com ela, ambos conversavam pela internet quando decidiram sair pela primeira vez. 

A jovem relatou que o estudante de Medicina buscou ela em casa para irem à uma sorveteria no bairro Jardim das Américas, em Cuiabá.  À polícia, ela ressaltou que, assim que entrou no veículo, percebeu que o estudante de Medicina estava "muito estranho e muito agitado". O jovem teria passado as mãos nas pernas da vítima mais de uma vez até tentar tocar a vagina dela. 

Ela contou a polícia que, quando chegou na residência, excluiu o universitário de todas as suas redes sociais imediatamente e não teve mais qualquer tipo de contato com ele. A jovem explicou que não registrou um BO na época, porque pensou se tratar de um homem "sem noção" e que a situação teria sido um fato isolado. 

Denúncia tardia 

Jorzilethe explicou que é comum que vítimas de assédio denunciem os crimes após dias, semanas ou meses do fato. Para ela, tal atitude é reflexo da "cultura do estupro" vivida na sociedade atual, que faz com que a mulher sinta-se culpada por ter sido violentada. 

"A mulher vai em uma festa, toma uma bebida alcóolica, muitas vezes, não é o que vai dopá-la [o alcóol], mas depois percebe que alguém a violentou e começa a se sentir culpata por ter tomado aquele gole de cerveja. Pensa que os amigos e familiares não vao acreditar na história. É a cultura do estupro que faz com que uma vítima seja mais punica do que o autor", avaliou a delegada. 

Ela também reforçou que é importante mulheres prestarem atenção em seus copos enquanto estão em festas ou bares e não aceitarem bebidas de estranhos. Jorzilethe ressaltou que a maioria das denúncias investigadas por ela, são feitas tardiamente. As vítimas alegam que sentiram medo e vergonha de procurar as autoridades. 

"Elas falam sobre o medo de serem vistas como mentirosas, serem julgadas ou não acreditarem que foram realmente dopadas. Hoje não temos vítimas que acabaram de ser violentas e procuraram a delegacia. Exceto em situações onde um terceiro nunca visto, sequestra, leva para lugar ermo e comete o estupro", contou. 

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