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Terça-Feira, 23 de Julho de 2019, 08h:00 | Atualizado: 23/07/2019, 16h:22

NA CIDADE DO SOL

Energia solar já atrai cuiabanos de classe média - veja preço e mais sobre instalação

Divulgação

energia solar

Placas são instaladas no telhado das residências ou empresas, de pequeno, médio e grande porte. Preço é variado

A energia elétrica produzida pela luz do sol tem chamado a atenção de consumidores de classe média em Cuiabá. Além de ser limpa e agredir menos o meio ambiente, traz a possibilidade de economizar até 95% da fatura de energia elétrica, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR). Mas o financiamento bancário é a principal forma de pagamento para acessar este serviço, com parcelas que podem variar de R$ 200 a 300 por mês e os juros variam para cada agência bancária. É isso que tem permitido o acesso às placas.

Em 2018, Mato Grosso foi o quarto estado do país a usar energia solar - 6,9% da eletricidade produzida em Mato Grosso e 1% em Cuiabá foram deste tipo, de acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Mas a fonte ainda é incipiente em comparação com as usinas tradicionais, as hidrelétricas, sendo apenas de 1,2% de toda a matriz que produz energia elétrica no país.

O investimento inicial realmente talvez pareça ser caro, mas o retorno e economia garantem investimento

Gerente de empresa, Beatriz Cruvinel

Segundo a ABSOLAR, Mato Grosso possui cerca de 3,7 mil pequenas usinas instaladas em telhados ou terrenos. O número soma mais de R$ 525 milhões de investimentos de pessoas e empresas. Toda essa atividade gerou mais de 2 mil empregos.

A chamada energia solar fotovoltaica utiliza a luz do sol e seu calor para produzir eletricidade. É obtida por meio da radiação direta (quando a luz incide sem nenhum desvio) ou indireta (quando é refletida por nuvens e até paredes ou chão). Quem opta por instalar uma pequena usina de produção na própria casa tem 25 anos garantidos, pois este é o tempo de vida útil da placa solar.

O Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ) permitiu aos Estados a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para empresas do setor de energia solar ou eólica. O Governo de Mato Grosso, ao propor o projeto de lei que revisa os incentivos fiscais, quis retirar o benefício. Mas, na última semana, voltou atrás após críticas que o governador Mauro Mendes (MDB) queria “taxar o sol”.

Instalação

A gerente Beatriz Cruvinel, que trabalha para uma empresa de placas solares em Cuiabá, conta que o financiamento bancário é o principal método de pagamento. Pelo risco de calote, eles não parcelam – a não ser no crédito ou cheque e até em doze vezes. Os juros variam de banco para banco.

A administradora conta que o investimento total para se instalar as placas solares depende do histórico de consumo de uma casa. Mas os preços variam de R$ 16 mil a 1 ou 2 milhões (caso o gasto com energia seja muito grande). “O investimento inicial realmente talvez pareça ser caro”, disse, mas ela disse que o retorno e economia garantem a aplicação do dinheiro.

Atentos a uma nova forma de consumo, bancos já dedicaram páginas especiais para explicar o financiamento para compra das placas solares. Entre os maiores bancos do país, Santander e Bradesco financia em até 60 meses, e o Banco do Brasil em 72. As parcelas podem chegam de R$ 200 a 300, segundo cálculo do , caso a aquisição seja por volta de R$ 15 a 17 mil, e incluindo já os juros.

Não é necessário também mexer na estrutura do imóvel para instalar as placas, que serão instalados no telhado. Mas pode haver a necessidade de trocar o disjuntor por um de material acrílico, caso o consumidor ainda usa o metálico. A instalação da pequena usina é de responsabilidade da empresa, e já incluída no pagamento. A manutenção é simples: basta limpar a placa com água para retirar a poeira ou outras sujeiras que podem atrapalhar a geração de energia elétrica.

Após a instalação das placas, o consumidor não precisa pagar mais a eletricidade. Mas ele não fica isento de tarifas. A Aneel determina que continue a ser pago, além da iluminação pública, uma taxa mínima de energia (também chamada de custo de disponibilidade), que é o valor que a concessionária de energia cobra por manter disponível a rede de instalação de energia elétrica e varia de R$ 30 a 90 a depender da conexão com a infraestrutura tradicional.

Contudo, o retorno do investimento pode vir de 3 a 5 anos, dependendo do valor investido e também do consumo da pessoa. Beatriz explica que boa parte do dinheiro, que ia para pagar a tradicional conta de energia elétrica, pode ser usada para outros fins. Abater com o custo da instalação no primeiro momento, e depois em investimentos financeiros ou gastos pessoais.

A energia solar só é viável, porque ela é incentivada", disse. "Se o Governo taxar, os investidores não vão fazer sua usina aqui. Vão embora. Há um projeto da Aneel você pode instalar em qualquer cidade do Estado. A Aneel tem proposta para qualquer lugar do Brasil. A visão da Agência é nos tornar cada vez mais livres

Engenheira eletricista Bárbara Ferreira

Produção excedente

Outro incentivo dado pela Aneel é o da produção excedente. Isto acontece quando a energia produzida pelas placas solares pode exceder o consumo de uma casa ou empresa. Segundo a Aneel, ela pode ser injetada na rede distribuidora local, que funcionará como uma bateria. Quando isso acontece, o consumidor recebe um crédito de energia que pode ser abatido na fatura.

O contrário também pode acontecer. Caso as placas solares não produzam toda a eletricidade necessária, a concessionária local suprirá a demanda. Este consumo pode ser abatido com os créditos de energia e, caso não haja, o consumidor paga a diferença (mais a taxa de iluminação pública e o custo de disponibilidade).

Os créditos de energia são válidos até para cinco anos, segundo resolução da Aneel. Ela pode ser usada no momento em que a produção da energia solar não foi suficiente em um dado período. O benefício também pode ser usado em outro imóvel do consumidor, desde que estejam numa área próxima as placas. No entanto, é proibida a comercialização da eletricidade produzida pela placa solar.

“Taxar o sol”

Um dos pontos do Projeto de Lei 53/2019, que revista os incentivos fiscais dados a empresas de Mato Grosso, quis retirar o benefício e cobrar o ICMS concedido ao setor de energia solar. O ponto foi alvo de críticas e ironias de deputados e sociedade de que o governador Mauro Mendes (MDB) queria "taxar o sol". Mas, na última semana, ele voltou atrás e manteve a isenção.

Pelos próximos quatro anos, as empresas que atuam no ramo da energia solar deverão ser isentos do ICMS. Segundo o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, todo o país está se adequando à produção e distribuição de energia solar e avaliando os impactos que podem gerar na arrecadação dos Estados.

“Essa é uma tendência dentro do Confaz e que já foi atendida pelos Estados do Paraná e Santa Catarina, que suspenderam qualquer cobrança pelos próximos quatro anos, quando será feita uma grande avaliação nacional, inclusive junto com a Aneel. Essa solução vai levar em conta, principalmente, os impactos causados na arrecadação”, pontuou Carvalho durante entrevista para uma rádio de Cuiabá.

De acordo com Carvalho, a forma como os incentivos fiscais foram concedidos ao setor da energia solar não foi correta, uma vez ter sido através de decreto, quando a legislação determina que os benefícios sejam concedidos por lei aprovada pelos deputados estaduais.

“A energia elétrica é a segunda fonte de arrecadação do Estado e o parque de energia solar vem crescendo e dobrando a cada ano, podendo triplicar em 2019. Então, o que o Estado está preocupado é sobre essa queda [na arrecadação da energia elétrica] que está existindo gradativamente, é isso que se quer discutir. O Estado não pode perder receita, então temos que encontrar uma forma justa e democrática de encontrar esse equilíbrio”, concluiu.

Para a engenheira eletricista Barbara Ferreira, a retirada do incentivo pode inviabilizar o negócio de placas solares em Mato Grosso. Segundo ela, o retorno do investimento do consumidor ou empresário vai aumentar. "A energia solar só é viável, porque ela é incentivada", disse.

"Se o Governo taxar, os investidores não vão fazer sua usina aqui. Vão embora. Há um projeto da Aneel você pode instalar em qualquer cidade do Estado. A Aneel tem proposta para qualquer lugar do Brasil. A visão da Agência é nos tornar cada vez mais livres", acrescenta.

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Comentários (1)

  • Ode | Quarta-Feira, 24 de Julho de 2019, 17h01
    0
    0

    As concessionárias brasileiras, o que pensam em relação a implante nas regiões de usinas hidrelétricas placas solares principalmente em MT, para atender os usuários?

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