Coronavírus

Domingo, 22 de Março de 2020, 12h:23 | Atualizado: 22/03/2020, 14h:09

ZERO KM

Exploração das cafetinas obriga trans a descumprir quarentena e continuar na rua

O Rdnews conversou com travestis e trans que continuam nas ruas se prostituindo para ter onde dormir

Ilustração

Prostitui��o

Apesar do período em que a população é recomendada a ficar de quarentena em casa, trans e travestis se arriscam nas ruas para pagar moradia

O novo coronavírus  ainda não alterou totalmente a rotina das transexuais que atuam como profissionais do sexo na região do Zero KM, no Jardim Potiguar, em Várzea Grande. E que o movimento de clientes continua praticamente o mesmo de antes da pandemia chegar a Mato Grosso, que já tem 2 casos confirmados oficialmente e pelo menos 73 sob suspeita.

Enquanto os clientes não somem do Zero KM, as trans aproveitam para ganhar dinheiro. Sabem que a situação vai piorar e que  ficarão sem fonte de renda por um bom tempo.

Esse é o caso da trans que vamos identificar como B, de 22 anos, que conversou com . Mesmo sabendo do risco de contaminação pelo coronavírus, não abre mão de oferecer o que chama de “programa completo”.

“Meu programa dura 1h30, com direito a beijo na boca. Sou ativa e passiva. Faço beijo grego e chuva dourada. Sou bem dotada. Cobro R$ 250 e passo cartão. Sei que existe o tal coronavírus, mas não posso abrir mão de ganhar dinheiro agora. A situação vai piorar para quem vive do sexo. Então, vou aproveitar”, disse.

Já a trans R, com mais de 30 anos, se considera “experiente” no ramo da prostituição, e não encara a situação com a mesma tranquilidade de B. Sua preocupação está voltada para as “manas” que residem nos albergues, quitinetes e flats mantidos por cafetinas que estão exigindo o pagamento das diárias, apesar da necessidade das pessoas entrarem em quarentena para evitar a contaminação.

Por isso, R faz um apelo para que as entidades de direitos humanos e instituições como Ministério Público e Poder Judiciário olhem para essa população. Segundo A, diante da exigência das cafetinas, as trans acabando indo para as ruas em busca de dinheiro, se expondo ao coronavírus e expondo os eventuais clientes.

“Nós, transexuais e travestis precisamos de um olhar humano. Eu quero que neste momento as casas de abrigo, albergues, flats, quitinetes e residências onde vivem as trans possam olhar para elas e cuidar delas. Não deixar ir pras ruas correr risco de contrair e de espalhar pra outras e para clientes”

Além disso, cobra sensibilidade das cafetinas. Isso porque, a exigência do pagamento de diárias sem respeitar a quarentena, tem obrigado as trans a se prostituir apesar do risco de contaminação.

Mas as cafetinas e donas de albergues não estão preocupadas com a saúde das trans

“Mas as cafetinas e donas de albergues não estão preocupadas com a saúde das trans. Estão preocupadas com seus luxos e suas contas que são pagas com o corpo das trans e se a trans não têm dinheiro todo dia, não têm abrigo.  Ou vai para rua fazer a diária ou vai para sua cidade de origem”, completou.

A ainda aproveita para pedir a intervenção das autoridades para assegurar a quarentena das profissionais do sexo. Outra preocupação é com as trans em situação de rua e usuárias de drogas. “Cadê as autoridades pra enviar uma ordem judicial para estes lugares e obrigarem os donos a fazer quarentena sem custos para as meninas?  Ninguém liga.  Não posso deixar de pensar nas manas que são moradoras de rua, nas usuárias de drogas, nem nas soropositivas. Elas existem e estão na nossa convivência. O que faremos por elas diante de tudo isso?”.

Outro ponto de prostituição de trans e travestis é o Posto São Mateus, na região do Coxipó. Ao contrário do Zero KM, que continua movimentado, por lá, o movimento já reduziu drasticamente.

conversou com X que também está preocupada com a queda drástica do número de clientes, porque todas dependem do que arrecadam com os programas diários para sobreviver. Relata que por iniciativa própria, o grupo que trabalha no pátio do posto já tomou algumas medidas de prevenção.

“Estamos usando máscaras e carregando álcool gel na bolsa. Depois do programa, sempre procuramos fazer a higienização completa. Tem outros cuidados. Mesmo que o cliente ofereça muito acué (dinheiro na gíria trans) não rola mais beijo na boca. O tempo dos programas também diminuiu. A gente continua fazendo bem feito, mas tratando de se cuidar”, concluiu.

Justamente para prevenir o contágio dessas profissionais do sexo, que representam 90% desse grupo, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) faz diversas orientações. Entre elas, evitar bares, academias, saunas, clubes de swing ou festas.

As trans e travestis também são orientadas a procurar que paguem por stripe tease ou exibição online. No caso de programas, evitar receber clientes em casa para não contaminar o ambiente pessoal e tomar banho completo após o atendimento.

Em caso de “ficar na pista”, manter distância das outras profissionais do sexo e carregar álcool gel e lenços de papel na bolsa.

A Antra também orienta a aceitar programas somente se o dinheiro “valer a pena” e com clientes habituais. Além disso, recomenda o uso de máscaras, lutas e evitar o contato com fluidos corporais.

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Comentários (7)

  • DGW | Sábado, 02 de Maio de 2020, 16h19
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    O impacto da pandemua leva a programas ruins, mecânicos, permeados pelo medo. Não há sentido acreditar que numa relação íntima o beijo seja o maior problema. Se as pessoas falarem perto umas das outras, está feito. O dinheiro do governo é insuficiente e os clientes não podem ser vistos como "machonas". Muitos são homens solitátios que pagam e tratam bem as trans e sem eles, elas não teriam nem como sustentarem-se. Saio com trans e pago tudo, às vezes mais, até. Nunca tratei mal.

  • APOLINARIO USKNOV | Segunda-Feira, 23 de Março de 2020, 17h02
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    Muito fácil resolver, é só as autoridades publicas começarem a monitorar os "armários", e depois do retorno dos "machões" a seus respectivos armários, tranquem-no lá dentro e tomem-lhes as chaves, devolvendo-lhes somente apos a crise passar e, nesse interim, deem uma bolsa "programa" para as profissionais quitarem suas dividas mais emergenciais.PRONTO TODO MUNDO FELIZ, inclusive as esposas desses "MACHÕES".

  • Adilson Leite | Segunda-Feira, 23 de Março de 2020, 13h36
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    Um grupo ainda ignorado pelas políticas públicas.Dizimar a partir dessa nova enfermidade, eles pensam como uma estratégia.

  • Keops Müller | Domingo, 22 de Março de 2020, 16h05
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    Que título incoerente! Obrigados??? Exploração????

  • Armando Januário | Domingo, 22 de Março de 2020, 15h20
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    Digite o texto Já é uma minoria social vulnerável a tantas coisas, agora mais essa! Em um país de democracia avançada, elas seriam amparadas pelo Estado.

  • Manco | Domingo, 22 de Março de 2020, 13h14
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    Casa das primas.... Lugar bom....

  • carolina silva | Domingo, 22 de Março de 2020, 12h32
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    tem uma esquina ai no potiguar perto de uma marmoraria onde uma senhora fica sentada dia e noite e as meninas ficam la tambem. parece um bar e no predio tem uma escada sera que é la que elas atendem??? é uma vergonha a prostituição escancarada assim e logo em seguida um monte de casas com familias

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