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Sábado, 28 de Novembro de 2020, 09h:58 | Atualizado: 28/11/2020, 16h:48

SÍNDROME DE DOWN

Fã do Corinthians e do WhatsApp, Flávio quer encontrar uma namorada - confira

flávio

Wellington Flávio, 38 anos, de Cuiabá, tem Síndrome de Down, mas esta não é a única característica que o define. Também é um homem carinhoso com a família, principalmente o pai, por quem tem verdadeira paixão. Mora no Verdão, em um prédio de classe média. Torce pelo Corinthians e tem diversas camisas do time, inclusive uma azul, que ele ganhou do goleiro Cássio, quando o tricolor jogou na Arena Pantanal.

Flávio gosta muito de internet, de fazer postagens no Facebook e conversar no WhatsApp, com parentes e amigos. Ama lasanha e comida chinesa. Também ama brincar, na piscina, com sobrinhos, de 5 e 6 anos, usando a sunga nova que ganhou no Dia das Crianças. Na data, ganhou também um tablet mais moderno que o anterior.

Fora isso, na maioria dos dias gosta de dormir até um pouco mais tarde, desenhar coração, flores, jardins e casas. Fica feliz quando vai ao cinema, lanchar fora com os irmãos, e passear com o pai nos mercados, onde já é conhecido por todo mundo e, quando chega, é bem recebido.

Ele não gosta de cachorro e gato, igual à mãe. É fã das pochetes. É bem sincero ao responder às perguntas, quando questionado. Tem dificuldades na fala, mas consegue se comunicar com limites. Tem a idade mental de um garoto de aproximadamente uns 10 a 12 anos.

FLÁVIO SÍNDROME DE DOWN

Bolo de aniversário do Corinthians, time do coração de Flávio, para comemorar os 38 anos e os 39 já se aproximam: festa garantida no dia 17 de dezembro

flávio

Flávio ama pochetes, principalmente a de couro, dada pelo pai

O pai de Flávio, Wellington Luiz de Barros Silva, 69, é reformado do Exército. Natural do Recife (PE), foi transferido para Porto Velho (RO), na década de 70, e lá Flávio nasceu, em 1981, o terceiro filho de quatro. Os outros três são analista de sistema, arquiteto e uma médica.

Não havia naquela época recursos disponíveis hoje para compreender a síndrome. O casal passou uma semana em choque. Depois disso, foi se formando um vínculo de muito amor em torno do filho e aquela primeira impressão mudou com tempo.

Após o choque inicial, a intenção dos pais de Flávio sempre foi dar a ele oportunidade de desenvolvimento.

Por um tempo, após aposentar, senhor Wellington chegou a morar 4 anos no Rio, com o filho, para que tivesse acesso a acompanhamento especializado. Nesse período, o garoto deu um salto de desenvolvimento. Mas depois os dois voltaram a Porto Velho, onde eram escassas as oportunidades nesse sentido.

Com os filhos crescidos e formados, todos já morando em Cuiabá, o restante da família também migrou para capital mato-grossense. Em Cuiabá, de acordo com o senhor Wellington, há um pouco mais de recursos hoje em dia, porém ainda falta tanta coisa para este grupo ser de fato incluso na sociedade. Ele fala isso, com a experiência de quem é presidente da Associação dos Síndrome de Down de Mato Grosso (ASDMT) e tem conhecimento de diversas realidades, das famílias de downs mais abastadas às menos favorecidas. A questão financeira influi no acesso a uma diversidade de estímulos e tratamentos já disponíveis no mundo.

"Quando Flávio nasceu, não sabíamos o que ele tinha. Minha mulher não fez ultrassom, naquela época, em Rondônia, não tinha como. Na cidade só atendia um obstetra e um pediatra. Após o parto, quando percebemos que era um menino diferente, levamos para um consulta. Houve a desconfiança e tivemos que viajar para o Rio, para ele fazer o exame cariotipo. Foi quando diagnosticou. Na época era tanta desinformação, procuramos literatura sobre isso, tinha pouca coisa, os pais escondiam os filhos. Se fosse hoje, era só acessar no celular e pronto. Já íamos saber que não era o fim do mundo".

Senhor Wellington acredita que Flávio, se tivesse nascido atualmente, o acesso a atividades estimulantes daria a ele melhores condições de crescimento. Mas uma coisa que ele nunca fez foi escondê-lo. "Passear, sair, ir ao cinema, lanchar no shopping, todos temos direito a isso, sem sentir vergonha".

Apesar da síndrome, Flávio vive uma vida tranquila. Já namorou duas vezes antes e, no momento, está solteiro, à procura de uma namorada. Se apegou bastante a uma delas. Mas a moça mudou-se para o Rio. O rapaz sentiu, sofreu dor de amor. Eles se encontravam, com apoio das famílias, falavam pelo telefone. "Os hormônios dele estão ativos, está tudo certo quanto a isso", afirma o pai, citando que há sim portadores da Síndrome de Down que se apaixonam, se relacionam e até se casam. "Não vejo problema algum, sei de um caso de um casal que teve filho e ele nasceu inclusive com cromossomas normais".

Nesta pandemia, Flávio teve Covid-19. Passou muito mal e, depois de já recuperado, sofreu uma embolia. Está sendo acompanhado. Portadores da Síndrome de Down são grupo de risco do coronavírus. Agora a situação está sob controle. Dia 17 de dezembro ele faz 39 anos. A família agradece pela existência desse ser especial.

Veja vídeo

A síndrome em MT

Em uma série histórica de 2009 a 2019, foram notificadas 132 crianças nascidas com Síndrome de Down (SD) em Mato Grosso. A média anual nesta série histórica é de 12 casos, variando de 8 a 19 crianças por ano. É importante ressaltar que não se trata de uma doença, mas sim uma condição humana geneticamente determinada pela presença do cromossomo 21 extra.

síndrome de down

As crianças nascidas assim são atendidas em toda a rede de serviços de saúde: as unidades básicas, os ambulatórios especializados e estabelecimentos hospitalares, de acordo com suas necessidades. O diagnóstico pode ser feito antes e após o nascimento. Durante o acompanhamento obstétrico, o médico ultrassonografista pode observar indicativos no feto, pelo fato de não apresentar o osso nasal e a translucência nucal estar alterada.

Os exames mais precisos são feitos através de amostra do líquido amniótico (amniocentese), cordocentese ou amostra de um pedaço da placenta (biópsia de vilo corial) para pesquisa dos cromossomos. O obstetra recomenda esses exames quando a gestante tem mais de 35 anos ou quando é portadora da síndrome.

Após o nascimento, um dos sinais característicos dos bebês com Down é o fato de ter uma única linha na palma da mão, olhos amendoados, baixo tônus muscular e deficiência intelectual. A chance de uma grávida de 30 anos ter um bebê Down é de 1 em 1 mil. Aos 35 anos, as chances sobem para 1 em 400. Aos 40 anos, são de 1 em 30.

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Comentários (2)

  • Mafalda | Domingo, 29 de Novembro de 2020, 17h17
    0
    0

    Parabens Flavio saudades de voçêis

  • Silvania CPA 2 | Sábado, 28 de Novembro de 2020, 11h47
    2
    0

    Achei bonito. Também queria um namorado carinhoso.

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