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Sexta-Feira, 17 de Maio de 2019, 08h:57 | Atualizado: 17/05/2019, 09h:05

Fazendeiro acusa vereadora e mais 3 de venderem terras que são dele a grileiros

Dayanne Dallicani

Vereadora rosa

Fazendeiro regista boletim de ocorrência policial, dia 14 de maio, narrando a ilegalidade que, segundo ele, está ocorrendo na Fazenda Tupã, que é dele

Negociaram áreas da minha fazenda com várias pessoas, inclusive para policiais militares e civis, servidores públicos. Lá não tem coitado. Todo mundo (que teria comprado parte da área) tem carro novo

Fazendeiro José Jesus de Souza

O fazendeiro José Jesus de Souza, 69 anos, denuncia que teve parte de sua fazenda, em Chapada dos Guimarães (a 67km de Cuiabá), grilada. A área, segundo ele, foi vendida por um grupo que se apossou indevidamente do local. Ele acusa a vereadora de Chapada, Rosa Lisboa (PR), de ser uma das responsáveis por comercializar ilegalmente as terras aos invasores. A parlamentar nega qualquer envolvimento com o caso.

A fazenda Tupã, que pertence a José, possui, conforme o registro da propriedade, 2,8 mil hectares. Ele afirma ao que tem a documentação do local, que é uma herança de família, e assegura que não há qualquer documento que possa permitir as vendas de lotes feitas na propriedade.

Na última terça (14), o fazendeiro registrou um boletim de ocorrência no qual narra que teve áreas da fazenda vendidas a grileiros. “Negociaram áreas da minha fazenda com várias pessoas, inclusive para policiais militares e civis, servidores públicos. Lá não tem coitado. Todo mundo (que teria comprado parte da área) tem carro novo”, declara o fazendeiro ao .

Dayanne Dallicani

fazendeiro chapada

Fazendeiro José Jesus de Souza denuncia que teve parte da fazenda invadida ilegalmente

Segundo boletim de ocorrência, o fazendeiro apontou que os responsáveis por supostamente comercializar ilegalmente as terras são, além da vereadora, membros da Associação dos Permacultores Rurais da Gleba Monjolo. Entre os acusados por ele estão o advogado José Orlando, João Pimenta, um comerciante identificado como Isac, Manoel Romoal da Silva, Mauro e Sadi Santi, entre outras pessoas.

A suposta invasão mais recente teria ocorrido há mais de um mês. Esta, porém, não seria a primeira. O fazendeiro afirma que houve outros casos em anos anteriores.

De acordo com o fazendeiro, as supostas comercializações ilegais de áreas da fazenda teriam sido vendidas por meio da associação rural. Os invasores, por sua vez, teriam chegado ao local e o dividiram em lotes para ser vendidos. José teve ciência que de que essas áreas eram vendidas por R$ 5 mil.

“Estão vendendo e fazendo barraco só para garantir a propriedade. Depois pedem para a Energisa ligar a luz no local, para que possam alegar que são donos do terreno”, declarou.

O fazendeiro afirmou que já notificou a concessionária de energia elétrica sobre as irregularidades nos lotes e solicitou que não fossem feitas novas instalações no local. No entanto, disse que não teve nenhum tipo de resposta e o trabalho de fiação segue normalmente na região.

Conforme o fazendeiro, cada grileiro realiza uma espécie de taxa de pagamento, no valor de R$ 400, ao advogado José Orlando. O dinheiro seria usado para manutenção do "grilo", de acordo com o fazendeiro. “São quase 200 grilos. Ele ganha quase R$ 80 mil”, afirmou.

Ele diz que, além do impacto financeiro que terá, também lamenta pelos danos ambientais sofridos na propriedade. “Nessa área invadida, foram feitas diversas derrubadas de árvores e cercas da fazenda”, afirma. Segundo ele, os grileiros estariam abrindo estradas até mesmo em áreas de preservação ambiental, além de, segundo ele, desmatarem a nascente do Córrego Cabeceira da Lagoa.

Não tenho nada a ver com isso. Para começar, eu não sei nem é onde a área. Tem mais de (um) ano que não vou à associação. Mas não estou envolvida nisso. Te dou a minha palavra que eu não estou envolvida

Vereadora Professora Rosa

Ele relata que já recorreu à Justiça, que concedeu o direito de reintegração de posse da propriedade. No entanto, meses após deixarem o local, os grileiros teriam voltado às terras. “Quero recuperar totalmente a minha fazenda, porque é um direito meu”, asseverou o fazendeiro.

Outro lado

A vereadora Rosa Lisboa negou qualquer tipo de envolvimento na suposta venda de terras na fazenda. Ela disse ao que ajudou na criação da Associação dos Permacultores Rurais da Gleba Monjolo, há 16 anos. Hoje, afirmou que não tem mais nenhum vínculo com a entidade.

“Não tenho nada a ver com isso. Para começar, eu não sei nem é onde a área. Tem mais de (um) ano que não vou à associação. Mas não estou envolvida nisso. Te dou a minha palavra que eu não estou envolvida”, declarou.

A vereadora disse também ser contra grilagem. “Sou a favor que todos tenham seu pedaço de terra. Mas, para um espertinho apostar e vender, eu sou contra”, disse. Ela acredita que o boletim de ocorrência seja algum tipo de manobra política para lhe atacar.

“Quando o vereador trabalha em favor do povo, aí outras pessoas, que querem prejudicar a carreira do vereador, fazem este tipo de coisa. Então, eu quero ver esse senhor provar que estou lá naquela situação que ele falou”, comentou.

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