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Segunda-Feira, 18 de Novembro de 2019, 07h:20 | Atualizado: 18/11/2019, 19h:32

DESAPARECIMENTOS

Flavinho completa 7 anos e caso ainda é mistério; polícia apura 1.541 ocorrências

Flavinho quando sumiu e retrato falado atual

Flavinho, quando sumiu, e simulação feita pela Polícia Civil de como pode estar hoje: busca sem fim

Há quase cinco anos Silvana Aparecida da Silva não tem notícias do filho Flávio Henrique de Souza, o "Flavinho". Quando desapareceu, em 18 de janeiro de 2015, tinha 3 anos de idade. Agora já completou 7, mas não há nenhum sinal dele. É um caso emblemático.

Até setembro deste ano, a secretaria estadual de Segurança Pública (Sesp) registrou 1.541 mil desaparecimentos em Mato Grosso. Em 2018, durante o mesmo período, foram 1.544 mil.

Flavinho desapareceu enquanto brincava no quintal da casa da avó, em Peixoto de Azevedo (a 692 km de Cuiabá).

A família estava de férias e chegou ao município 2 dias antes, em 16 de janeiro daquele ano, após uma viagem pelo interior do Pará. De acordo com a Silvana, no sítio da mãe dela não haviam desconhecidos. A suspeita é que convidados de uma festa que acontecia na propriedade vizinha tenham levado o menino.

O caso se tornou emblemático após ter grande repercussão em veículos de imprensa e redes sociais.

A empresa de transportes Águia Sul, inclusive, chegou a adesivar parte da frota de caminhões com um retrato, que mostrava como o menino estaria com seis anos de idade. Apesar dos esforços, Silvana contou ao que nunca chegou a ter pistas concretas do paradeiro de Flavinho. 

A mãe também criticou o posicionamento do antigo delegado de Peixoto de Azevedo com relação às investigações do sumiço do menino. Ela contou que, durante um ano, não teve respostas da delegacia. "Todas as vezes o delegado não tinha nada a dizer, era um descaso. Aos invés de ajudar a família, parecia estar acobertanto alguém. Cheguei a reclamar na Promotoria, ele foi chamado para dar explicações, mas, antes de ser ouvido, deixou a delegacia de Peixoto de Azevedo". 

Para Silvana, a Polícia Civil do município perdeu pistas importantes sobre o paradeiro de Flavinho. De acordo com ela, foram feitas perícias em três carros que passaram pelo local no dia do desaparecimento. Em um dos veículos, foi constatada uma macha que poderia ser sangue, porém, o resultado foi negativo e, conforme a mãe, não tocaram mais no assunto. 

"Depois de um ano foram atrás dessas pessoas que eram de Alta Floresta e do Paraná, mas, em um ano, dá para apagar muita coisa. Não fizeram uma investigação profunda para analisarem contradições nos depoimentos deles, foram ouvidos e acabou. Foi nossa palavra contra a deles", desabafou. 

Na última quinta (7), Flavinho completou sete anos, mas a família não teve motivos para comemorar. Silvana ressaltou que a dor do desaparecimento e da incerteza é insuportável. Para a mãe, é impossível esquecer do filho por um dia sequer. O caso de desaparecimento foi arquivado e ela permanece sem respostas. 

Após o desaparecimento, ela contou que um dos irmãos de Flavinho, hoje com 15 anos, quase entrou em depressão, já que tinha uma relação muito próxima com o irmão. "Era a paixão da vida dele, sofreu muito. As vezes pegamos ele chorando no quarto. Ter um irmão era o sonho dele". 

Flavinho também tem outra irmã de 13 anos, que, de acordo com a mãe, também sofre com a falta de notícias do irmão. Silvana afirmou que a família busca forças na fé para não perder as esperanças de que encontrarão o menino um dia. 

Flavinho montagem

Mais de 600 desaparecidos em Cuiabá 

Assim como Silvana, outras famílias também amargam na incerteza de que um dia voltarão a ver pessoas importantes que desapareceram de forma repentina. De acordo com o Núcleo de Desaparecidos da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), 612 casos foram registrados entre janeiro e setembro deste ano, sendo que 56 não tiveram solução até outubro. 

A DHPP também criou um perfil no Instagram para divulgar as ocorrências de desaparecimento, bem como o defecho dos casos que foram solucionados. Em setembro, a campanha "Olhe para o lado" foi criada após o desaparecimento do aposentado Isael Lourenço, de 81 anos. A foto do idoso foi fixada em postes, muros e ônibus da Capital. 

Ele saiu de casa para ir ao mercado em 19 de setembro e ligou para a família dizendo que havia passado mal, mas não retornou para casa. Em 29 de setembro, o corpo de Isael foi encontrado sem camisa, em uma área de mata no bairro Bela Vista, na Capital. 

Sem pistas de Samuel 

Desde o dia 20 de outubro, a mãe de Samuel Victor da Silva Gomes Carvalho, de seis anos, também não tem notícias do filho, que desapareceu após pular o portão de casa, em Rondonópolis (a 218 km de Cuiabá) para fugir de um castigo. Além da falta de notícias, Anelice da Silva tem recebido falsas mensagens sobre o paradeiro da crianças. 

No dia 24, ela recebeu um pedido de resgate no valor de R$ 20 mil através de uma mensagem no Whatsapp. Nos dias seguintes, a mulher também recebeu novos pedidos de resgate no valor de R$ 700, além de os falsos sequestradores terem enviado uma foto de uma orelha cortada, afirmando ser de Samuel

Samuel estava usando apenas um short tactel cinza, sem camisa e descalço. Anelice acredita que pessoas mal intencionadas ficaram sabendo do desaparecimento do filho e resolveram se aproveitar. O menino continua desaparecido. A Polícia Civil informou que cerca de 20 pessoas já foram ouvidas durante as investigações, mas Anelice afirma não ter pistas do paradeiro do filho.

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