Cidades

Quarta-Feira, 11 de Setembro de 2019, 12h:30 | Atualizado: 11/09/2019, 15h:01

POR TEMPO INDETERMINADO

Funcionários do Correios entram em greve contra privatização e citam falta de acordo

Reprodução

Edmar dos Santos Leite

Presidente do Sintect Edmar dos Santos Leite diz que a categoria é contra a privatização

Contra a privatização do Correios, carteiros e entregadores de Mato Grosso deflagraram greve geral por tempo determinado. A decisão se deu em assembleia da categoria, realizada na noite desta terça (10), na sede do sindicato, em Cuiabá. A paralisação também é nacional e, segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (FENTECT), todos os 36 postos sindicais da categoria do país aderiram.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Mato Grosso (Sintect-MT), 30% do efetivo será mantido na greve. A adesão é maior em Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres, Água Boa, Arenápolis, Rondonopolis, Confresa, Mirrasol do Oeste, Nova Mutum, Alta Floresta, Campo Novo do Parecis, São José do Quatro Marcos, Araputanga e Tangará da Serra.

De acordo com o presidente do Sintect-MT, Edmar dos Santos Leite, a greve foi deflagrada por intransigência da empresa Correios e do Governo Federal. “(A categoria é) contra a privatização da empresa já anunciada pelo Governo Federal. Estamos exigindo que retire Correios do programa de privatização. Por que se o Correio for privatizado, nós vamos ficar desempregados e a população vai perder”, disse ao .

A gente sabe que os Correios não têm a mesma qualidade de 30 anos atrás. Mas isso não é culpa dos funcionários, que estão sobrecarregados

Edmar dos Santos

Edmar aponta que existe sucateamento na empresa pública desde o governo de Fernando Henrique Cardoso (1994-2002) “para derrubar a credibilidade dos Correios e a população acharem que a saída à privatização”. “A gente sabe que os Correios não têm a mesma qualidade de 30 anos atrás. Mas isso não é culpa dos funcionários, que estão sobrecarregados e indo aos extremos para entregar (as correspondências)”.

O presidente sindical argumenta que, apesar do sucateamento, a saída não é a privatização. Se for privatizado, ele afirma que não haverá Correios nas cidades pequenas. “Empresário só vai querer manter Correio só nas cidades pólo. Não vai ter Correios no país inteiro com o papel social cumpre hoje”, defende.

Denunciam ainda a falta de condições de trabalho e falta de funcionários. “A gente não tem concurso público desde 2011. À medida que as cidades crescem, o número de funcionários diminui. Aqui no estado (de Mato Grosso) já fomos 1,7 mil. Hoje somos pouco mais de 1,2 funcionários. Não tem número de funcionários suficientes para fazer as entregas nos bairros”, disse.

Outra pauta principal é o reajuste inflacionário sobre os salários e a manutenção do acordo coletivo que garantem direitos e benefícios aos trabalhadores da categoria, como, vale alimentação e plano de saúde. “O nosso acordo coletivo, do ano passado, venceu. O Governo (Federal) se retirou da mesa e não quis negociar e, de uma hora para outra, podemos ficar sem esses direitos”, disse.

Edmar conta que não era para a categoria deflagrar uma greve agora. Isto por que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) intermediava a resolução do acordo coletivo com a categoria. Mas, segundo FENTECT, "a empresa não recebe os representantes dos trabalhadores há mais de 40 dias e se nega a negociar" e, diante das negativas da empresa pública, decidiram cruzar os braços.

Os Correios, no entanto, falam em “paralisação parcial”. Em nota, pontuou que participou de dez encontros com os representantes dos trabalhadores e lhes foi apresentada "a real situação econômica da estatal e propostas para o Acordo dentro das condições possíveis, considerando o prejuízo acumulado na ordem de R$ 3 bilhões". "Mas as federações, no entanto, expuseram propostas que superam até mesmo o faturamento anual da empresa, algo insustentável para o projeto de reequilíbrio financeiro em curso pela empresa", alega.

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Comentários (3)

  • Rafael Oliveira | Quarta-Feira, 11 de Setembro de 2019, 20h38
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    Ao invés de trabalhar e mostrar à sociedade o quanto a empresa é fundamental para a população brasileira, não, vão entrar em greve novamente ou seja não estão nem aí para população e sim para si mesmo. E outra no programa de privatização os funcionários competentes serão realocados pelas empresas privadas agora esses baderneiros aí estão fora mesmo. Os correios tem muitas pessoas competentes e esforçadas esses aí podem ficar tranquilos que não ficarão desempregados.

  • Israel Borges | Quarta-Feira, 11 de Setembro de 2019, 16h40
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    veja bem sou empresario no passado todos as duplicatas e encomendas pequenas nois pediamos pelo correio .. hoje as duplicatas ou titulos sao tudo no email,, as encomendas pequenas sao todas pela transportadora que sao mas eficaz .. e voce ai pensando em greve acorda brasil... outra coisa para equele que trabalha em banco e adere a greve acorda ... as cooperatvas de creditos so cresem acorda e vai trabalhar

  • alexandre | Quarta-Feira, 11 de Setembro de 2019, 15h49
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    não é hora da intersindical fazer greve, tem que salvar os correios...

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