Cidades

Sexta-Feira, 23 de Outubro de 2020, 19h:39 | Atualizado: 24/10/2020, 17h:37

PODE SER CRIMINOSO

Indígenas e ativistas apontam queimadas no Pantanal iniciadas por fazendeiros veja

Bruna Maciel

Queimadas no Pantanal - den�ncia - desmatamento

Indígenas da comunidade Guatós denunciam que suas terras foram invadidas pelo fogo causado por um fazendeiro (ainda não identificado), que iniciou uma queimada em sua propriedade e perdeu o controle. As chamas destruíram a principal fonte de renda da comunidade localizada na Baía dos Guatós, no Distrito São Pedro de Joselândia, em Barão de Melgaço (a 121 km de Cuiabá), no Pantanal mato-grossense. Se confirmado, o fogo é criminoso, já que as queimadas estão proibidas durante o período de seca.

A denúncia foi feita por um grupo de ativistas, voluntários e representantes de instituições doadoras de donativos. Eles fizeram uma expedição para entregar cestas básicas e água mineral a três comunidades indígenas Guató – Coqueiro, São Benedito e Aterradinho –, que estão sendo vítimas da severa estiagem. Ao chegar no local, o grupo se deparou com indícios de incêndios e cortes de troncos de árvores em áreas florestais.

Para o grupo, os Guatós contaram como começou o fogo na fazenda. “Eles tacaram fogo na fazenda deles e usaram o contra-fogo para parar. Mas aí descontrolou e invadiu nossos mandiocais, bananais”, contou o patriarca das famílias da região Coqueiro, Guilherme Pedroso da Silva.

A propriedade do suposto crime ambiental se chama Fazenda Novo e, segundo o ator e ativista Sandro Lucose, sequer consta nos registros da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). Por isso, a pasta e o Ibama foram procurados pela redação do . Porém, não tivemos o retorno do posicionamento até a publicação desta reportagem.

Eles tacaram fogo na fazenda deles e usaram o contra-fogo para parar. Mas aí descontrolou e invadiu nossos mandiocais, bananais

Patriarca da região Coqueiro, Guilherme da Silva

Segundo Lucose, a diferença de preservação dos ambientes é nítida. As matas indígenas dos Guatós estão preservadas. A Reserva Particular do Patrimônio Natural, da propriedade do Sesc Pantanal, também está conservada, mas com alguns focos de incêndios. Já nas fazendas, as terras estão desmatadas.

O grupo e Lucose, conforme relato, se depararam com dezenas de árvores cortadas e queimadas. Muitas eram de grande porte. Os troncos das árvores já estavam empilhados para transporte e, mesmo em meio às cinzas, o terreno já estava terraplanado. Outros lugares só os restos das raízes apontam que ali havia alguma árvore.

Para ativista, é clara a diferença de conservação entre as terras indígenas e a fazenda. "O desmatamento é gritante", diz. O grupo, que estava para entregar as doações as comunidades Guató, acabou se deparando com uma suposta ocorrência de crime ambiental. Um arquivo de fotos e vídeos da terra em meio às cinzas e de árvores cortadas foi gerado pela expedição.

Com esse material, Lucose procurou a Sema e o Ibama. "A Sema checou que a fazenda [Campo Novo] não está cadastrada no sistema deles, inclusive disseram precisar de nossa denúncia, por mais que o satélite identifique que tem desmatamento naquela área. Mas nos disseram que não podem fazer nada, por estar dentro de terras indígenas", relata o ativista.

Já o Ibama, órgão federal responsável pela áreas indígenas, informou ao ativista que não tem condição de cuidar disso e que tomariam providência quando tiverem estrutura.

Acompanhe documentário

A expedição

A iniciativa do grupo voluntário partiu de um pedido de socorro da representante guató Jane Regina de Oliveira, que divulgou as dificuldades que a Baía dos Guatós. O incêndio atingiu os pomares dos indígenas, que é principal fonte de renda. O rio Bebe está seco, que vai desaguar no rio Cuiabá, episódio inédito até para os anciões e para um período de seca.

Bruna Maciel

Queimadas no Pantanal - den�ncia - desmatamento

Por conta da seca também, os peixes estão morrendo por falta de oxigênio. As poucas poças d’água estão barrentas e, muitas das vezes, imprópria para o consumo. Para pescar, é necessário caminhar dois quilômetros, arrastando o barco e carregando o motor em uma carriola.

O grupo de voluntários levou cestas básicas, água mineral, algumas frutas e sementes para plantio, doadas por voluntários e por instituições públicas e privadas sensibilizadas com a causa. Os donativos foram divididos igualmente entre as três comunidades indígenas da Baía dos Guatós, conforme decisão do cacique José Maria de Paula.

Postar um novo comentário

Comentários (1)

  • Covid no Biroliro | Sábado, 24 de Outubro de 2020, 11h17
    0
    2

    Vai vendo aí... aí vem com essa conversa mole de "o agro é pop"... bando de hipócritas!

Deputado ajudou a enterrar Binotti

neri 400 curtinha   O deputado federal Neri Geller (foto), que se acha um grande líder político, ajudou a enterrar nas urnas o projeto de reeleição do prefeito Luiz Binotti (PSD), derrotado à reeleição. Perdeu para o ex-vice-prefeito Miguel Vaz (Cidadania), que contou com apoio do ex-prefeito e atual...

Euclides "torra" R$ 8 mi na campanha

euclides ribeiro 400 curtinha   O advogado milionário Euclides Ribeiro (foto), que tem na carteira de clientes grandes produtores rurais, registra R$ 8,2 milhões de receitas e despesas de campanha ao Senado. Concorrendo pelo Avante, Euclides só chegou a 58.455 votos. Ficou em nono lugar, à frente apenas de Reinaldo...

Fávaro é quem mais gastou ao Senado

carlos favaro 400 curtinha   O senador reeleito Carlos Fávaro (foto) foi o que mais gastou na campanha. Oficialmente, arrecadou R$ 11,7 milhões. As maiores contribuições financeiras vieram de empresários do agronegócio. Orcival Guimarães, dono de rede de empresas de implementos agrícolas, doou...

Beto deve repensar projeto a federal

beto farias 400 curtinha   A derrota nas urnas do seu afilhado político, vice-prefeito Wellington Marcos (DEM), que tentou o Executivo de Barra do Garças e ficou em segundo lugar, obtendo somente metade dos votos em relação aos atribuídos ao eleito Adilson Gonçalves, pode levar o prefeito Beto Farias (foto)...

Erros estratégicos e fim de mandato

niuan ribeiro 400   Niuan Ribeiro (foto) termina melancolicamente o mandato de vice-prefeito da Capital, marcado pela ambiguidade, erros estratégicos e vacilações. Logo no início da gestão, resolveu romper politicamente com o prefeito Emanuel, a quem passou a criticar, achando que se consolidaria como...

Retorno ao TCE ou cargo no governo

marcelo bussiki 400 curtinha   A partir de 1º de janeiro, com o fim do mandato de vereador pela Capital, Marcelo Bussiki (foto) retorna ao cargo efetivo de auditor do TCE-MT. Mas é possível que ele seja convidado por Mauro Mendes para compor o quadro de principais assessores do chefe do Executivo estadual. Bussiki foi...