Cidades

Domingo, 10 de Novembro de 2019, 07h:40 | Atualizado: 10/11/2019, 16h:53

FUGA

Insegurança espanta motoristas de app das noites em VG; clientes ficam na mão

Passageiros de Várzea Grande estão praticamente pegando pelo "laço" os motoristas por aplicativos, como Uber e 99 POP, que aparecem nas telas de seu celular, principalmente no período noturno. Isto por que eles estão deixando de circular na cidade, principalmente pelo sentimento de insegurança. A confirmação é do presidente da Associação dos Motoristas por Aplicativos de Mato Grosso (AMA/MT), Cleber Cardoso. “Várzea Grande é o terror do momento. A segurança que, nós não temos, gera esse pânico nos motoristas. Por isso, o pessoal evita andar lá”, justifica.

Assessoria

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Visão aérea da cidade de Várzea Grande no período noturno, quando motoristas têm medo de circular na cidade. Clientes acabam ficando sem transporte

Como consequência, os clientes ficam sem transporte particular para passeio ou trabalho. O presidente da AMA/MT ressalta que, a partir das 23h, os motoristas começam a mudar de tática. "Passou das 10h da noite, praticamente ninguém quer ir mais. Ficam com nervosismo". Nesses casos, ele descreve que, quando algum motorista vai deixar um cliente em Várzea Grande, ele desliga o aplicativo e volta para Cuiabá. Relata ainda que os passageiros já perceberam, por isso, “quando dá 22h, já tão pedindo o carro de volta".

Rodinei Crescêncio

Cleber Cardoso

Cleber Cardoso, presidente da AMA/MT, relata que motoristas têrm medo de assaltos

A estudante e motorista Valéria Pinheiro, de 24 anos, afirma que, quando a corrida é na cidade, a maioria deles não vai – as exceções seriam para a região central e para o Aeroporto Marechal Rondon. Ela reconhece que colegas de profissão estão deixando de ir a muitos bairros (de Várzea Grande) por risco de assaltos. “Têm aumentando muito. Tá complicado”, disse.

Os números, entretanto, não confirmam a sensação da trabalhadora. Segundo a secretária de Estado de Segurança Pública (Sesp), Várzea Grande conseguiu reduzir, nos noves primeiros meses de 2018 para 2019, em 26% os crimes de homicídios, 7% os de roubos e 6% os de furtos. Mesmo com isso, os motoristas têm motivos bem concretos para sentir medo.

Em março deste ano, o motorista Anderson Marcelo Lopes Caldeira morreu baleado aos 28 anos, enquanto fazia uma corrida em uma região conhecida como “estrada do lixão”, no bairro Serra Dourada. Chegou a ser socorrido e levado ao Pronto Socorro da cidade em estado grave, mas não resistiu aos ferimentos. O caso teve muito repercussão entre os colegas de profissão.

Cleber diz que um dos defeitos é a pouca quantidade de policiais para atender toda a cidade. "Lá é bem menos do que em Cuiabá. Eu percebi isso daí". Mas, apesar disso, o presidente reforça que motoristas e militares mantêm contato constante e que a força policial "não mede esforços para nos atender".

Outro ponto destacado ainda pelos motoristas de aplicativo é a falta de infraestrutura na cidade. Eles evitam também andar por Várzea Grande pela quantidade de buracos e falta de asfalto em ruas e avenidas. Isto porque andar pelo município aumenta a necessidade de se fazer manuntenção e reparos nos veículos.

Passageiros ficam "na mão" com fuga

Arquivo Pessoal

Willian moradora em VG. Ele trabalha a noite tem dificuldade para conseguir transporte

Willian é morador de Várzea Grande. Ele trabalha à noite em Cuiabá e diz ter dificuldade para conseguir transporte

As histórias de motoristas que se sentem inseguros de rodar por Várzea Grande já se tornou conhecida entre os passageiros da cidade e também de Cuiabá. Mas a "fuga" causa uma consequência para quem precisa do serviço.

Passageiros ficam "na mão", quando os ônibus passam a circular menos, e é necessário transporte particular para sair de casa para quem não tem carro ou moto.

É o caso do estudante e freelancer Willian Costa, 22 anos. “Eu passo essa situação toda vez que eu vou trabalhar”, afirma.

Morador do bairro Mapim, ele conta que “é uma dificuldade muito grande” encontrar carros disponíveis na noite várzea-grandense, já que pega no batente às 21h em bares ou festas, que ficam em Cuiabá. “Dificulta bastante porque tenho horário para chegar. Então, sempre tenho que pedir um Uber meia hora antes do horário normal só para ter certeza que eu não vou chegar atrasado”, disse à reportagem.

Lógico que tem um preconceito contra VG, mas Cuiabá tem suas regiões bem ruins

Willian Costa

O estudante acrescenta que os motoristas demoram a aceitar uma corrida e, em seguida, cancelam após ver a região do ponto de partida. “Tem situações dessas que eu já estressei com um Uber uma vez”, relata. Ele precisava sair para o aniversário da avó, mas nenhum motorista aceitava a corrida. Conta que ficou mais de vinte minutos esperando e, por fim, resolveu fazer o trajeto de 2km a pé e de noite.

Quando abre o aplicativo, Willian pontua que aparecem bem poucos carrinhos. “No máximo cinco, estourando”, avalia. Mas o estudante Aleffe Leite, 20 anos, afirma que, quando precisa de transporte particular para sair de sua casa, no bairro Parque do Sabiá, sempre aparece alguém. “Nunca atrapalhou”, disse.

“Moro no bairro perigoso. Quando preciso de um motorista por aplicativo, sempre teve alguém para aceitar a corrida e veio. Essa dificuldade eu ouço de amigos que precisam pegar Uber ou outro aplicativo mais tarde da noite em algum bairro mais distante”, acrescenta.

Apesar da insegurança geral, Willian rechaça que Várzea Grande seja tão perigosa. “Não da maneira como eles falam. Depende muito, muito mesmo. Se for comparar locais perigosos, ambos têm, Cuiabá e Várzea Grande”. E fala até em preconceito contra a cidade. “Lógico que tem um preconceito contra VG, mas Cuiabá tem suas regiões bem ruins. Só que preferem lá”, conclui.

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Comentários (2)

  • Elson Oliveira | Domingo, 10 de Novembro de 2019, 12h12
    1
    0

    E cadê o Estado que deveria garantir a segurança?? Quer dizer que, se moro na quebrada (em Cuiabá ou VG, a insegurança é a mesma), não tenho direito de usar os aplicativos de transporte?? Queremos segurança, pra gente e para os motoristas!!

  • Tonho Almeida | Domingo, 10 de Novembro de 2019, 08h38
    4
    0

    Até baguncinha é assaltado a noite em Vg e Cuiabá, imaginem o resto.

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