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Sexta-Feira, 21 de Fevereiro de 2014, 12h:13 | Atualizado: 22/02/2014, 09h:53

Polêmica

Não renunciarei, nem que o mandato custe a minha vida, desabafa prefeita

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PREFEITA_BETH_RONDOLANDIA

Prefeita de Rondolândia, Bett Sabah Marinho da Silva (PT) é ameaçada de morte

Mesmo sob ameaça de morte e tendo que se “refugiar” em Brasília desde a última segunda (17), a prefeita de Rondolândia (1.600 Km a Noroeste de Cuiabá), Bett Sabah Marinho da Silva (PT), não pensa em desistir de exercer o cargo. “Não renuncio nem que o mandato custe a minha vida. Essa foi uma eleição muito acirrada, definida por uma diferença de apenas três votos, então tenho que honrar com a confiança depositada”, frisou a gestora ao RDNews, na manhã desta sexta (21).

Rondolândia está sem prefeita há cinco dias porque a gestora teve que se ausentar e procurar abrigo em Brasília após intensas ameaças de morte anônimas e depois que o governo do Estado se mostrar omisso diante do pedido de segurança. A ministra dos Direitos Humanos teve que intervir. Ela intimou o Estado a apresentar um plano de segurança pessoal para a prefeita até o final da tarde desta sexta (21). A ministra disse que a gestora só volta a Mato Grosso com a integridade assegurada pelo Governo Silval Barbosa (PMDB). 

Acontece que Bett se recusa a deixar o município por muito tempo “a Deus dará” e está decidida a voltar mesmo que o Estado não dê a devida proteção. Ela vem recebendo as ameaças anônimas desde fevereiro do ano passado, situação de terror que vem se intensificando desde dezembro. Bett relata que escapou de uma emboscada que acabou vitimando seu vizinho.

O vizinho, que é comerciante na cidade e ex-prefeito, teve a residência invadida, foi amarrado junto com a família e só foi solto após os bandidos perceberem que invadiram a casa errada. “Em conversas entre si, os bandidos deixaram escapar que deveriam ter entrada na casa do lado e a casa do lado é a minha”, conta a prefeita.

Ela relatou ainda que inúmeras vezes relatou a situação ao secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, e pediu reforço policial na cidade. O comunicado foi reforçado pela Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), mas foi totalmente ignorado. Ela demonstra muita revolta em ter que procurar auxílio em Brasilia.

"Que vergonha eu ter que vir à Brasília
e ter que me expor, porque dentro do meu
Estado não recebi o auxílio necessário"

“Que vergonha eu ter que vir à Brasília e ter que me expor, porque dentro do meu Estado não recebi o auxílio necessário. É uma afronta o Estado não fazer nada e eu ter que contratar segurança particular para que eu possa ter garantido o meu direito de exercer o mandato. Vou correr o risco e não vou fazer isso”, desabafa.

Ela conta que não está pedindo segurança exclusiva para ela, mas para a cidade. “Se fosse uma cidade próxima da capital teriam aumentado o efetivo de policiais”, lamenta.

Diante da insegurança, a prefeita teve que tirar a família da cidade. Ela ressalta ainda ter informações de que a sua morte foi encomendada por R$ 130 mil com um grupo que mexe com pistolagem na cidade. As ameaças são veladas, mas ela desconfia que tenha viés político.

“Como enfermeira da rede básica nunca tive problema com ninguém, esta situação começou depois que virei prefeita. Neste cargo eu mexo contra interesse de muita gente, porque quando você se propõe a fazer algo para o coletivo você sempre desagrada interesse de particulares”, frisa.

Ela pondera que a segurança na cidade precisa ser reforçada, porque lá é considerada uma terra sem lei e os crimes de pistolagens são comuns.  Sem delegado, sem a presença da Justiça e do Ministério Público, o município possui apenas 3 policiais. O município fica situado num local de difícil acesso, pois não tem ligação terrestre por dentro do Estado, apenas por Rondônia.

Casos de assassinatos políticos já aterrorizaram a cidade. O presidente do PT, mesmo partido da prefeita, Juarez de Azevedo, foi encontrado morto em uma estrada há quatro dias da eleição. Outro líder político filiado ao PT, Rubson de Carvalho, o Rubão, foi assassinado na porta de casa e o crime ainda não foi esclarecido. Ele era o candidato natural do partido nas eleições de 2008.

Assim como a prefeita de Rondolândia, outros prefeitos em Mato Grosso foram vítimas de pistolagem recentemente. O prefeito Antônio Luiz Cesar de Castro, o Luizão, de Nova Canaã do Norte foi executado com sete tiros em agosto de 2011 na saída de uma festa no Clube do Laço. A Polícia Civil concluiu que a morte dele foi encomendada por quadrilha que participou do assalto ao Banco Central. O prefeito contrariou os interesses da quadrilha ao arrematar em leilão imóvel que foi dos bandidos, mas havia sido tomado pela Justiça.

O prefeito Valdemir Antônio da Silva, o Quatro Olhos (PMDB), de Novo Santo Antônio foi assassinado com tiros a queima roupa em julho de 2011. A polícia concluiu que a execução aconteceu por motivações políticas e vingança. Os mandantes teriam sido grupo político rival e um ex-servidor do município que foi exonerado no decorrer da gestão de Luizão.

Outro lado

A reportagem tentou entrar em contato com o secretário de Segurança, Alexandre Bustamante, por meio da assessoria de imprensa da Sesp, mas ninguém atendeu ou retornou as ligações até a publicação desta matéria. 

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Comentários (1)

  • Emidio de Souza Lider Comunitario | Terça-Feira, 25 de Fevereiro de 2014, 18h09
    1
    0

    E Uma vergonha mato grosso ter reduzido o efetivo de policias civil e militar e ainda 30% estão fazendo curso para recebe os turista na copa governador da um jeito no corpo o secretario liberou policias para fazer pram tao a deposição do prefeito de Cuiabá mauro mendes pode muito bem dar compensação para os policias e atender Rondolândia uma afronta o Estado não fazer nada eu conheci o político o Rubão, tinha tudo para ser um Bom Prefeito ele foi do PSL Partido Social Liberal.

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