Cidades

Domingo, 03 de Novembro de 2019, 08h:55 | Atualizado: 04/11/2019, 08h:32

Nutricionista desmistifica veganismo e diz ser possível manter uma rotina sem carne

O número de brasileiros que optam por aderir ao estilo de vida vegano (sem consumo de produtos de origem animal) tem crescido anualmente. Em 2018, por exemplo, uma pesquisa do Ibope mostrou que 60% dos entrevistados afirmaram que, se os preços fossem mais baratos, optariam por aderir ao veganismo na rotina. Alguns mitos também desestimulam possíveis novos veganos, como tendência a ter anemia e outras deficiências de vitaminas. 

Em entrevista ao , o nutricionista Ricardo Durante desmistificou alguns dos julgamentos sociais a respeito do veganismo. Apesar de não ter um grande grupo de vegetarianos e veganos atendidos por ele, Ricardo explicou que é cada vez mais comum que alguns pacientes busquem orientação a respeito da dieta livre de produtos de origem animal. 

Rodinei Crescêncio

Ricardo Durante

O nutricionista Ricardo Durante, em entrevista ao Rdnews, em seu consultório, na Capital; ele fala sobre o estilo de vida do veganismo

Em 1° de novembro foi comemorado o Dia Mundial do Vegano e, ainda conforme pesquisa do Ibope, em 2018, 14% da população declarou manter uma dieta vegetariana, o equivalente a quase 30 milhões de brasileiros. Em 2012, o número era de 8%. De acordo com Ricardo, o veganismo e o vegetarianismo vão muito além de uma questão estética. 

É comum que pessoas sem informação correta sobre o estilo de vida, acreditem que o ato de deixar de consumir carne esteja ligado com questões de emagrecimento, por exemplo. O nutricionista explicou que parar de comer produtos de origem animal não necessariamente fará com que a pessoa emagreça. "Conheço muitos vegetarianos e veganos que comem muita coxinha de jaca, que é uma fritura, além de outras coisas que não são saudáveis, alguns também podem comer de forma excessiva". 

"Trocas" inteligentes 

Ricardo explicou que a falta de nutrientes, ferro (que pode acarretar em anemias severas) e vitaminas só se manifesta a partir do momento em que o vegano ou vegetariano não consegue administrar a nova rotina alimentar. De acordo com ele, uma pessoa que possui conhecimento sobre o valor nutricional de frutas, legumes e verduras, consegue se manter saudável tranquilamente. 

"Quando a pessoa tem um consumo de alimentos com colocaração verde escura, combinação de leguminosas e grãos, ela conseguirá contemplar o organismo com uma quantidade interessante de ferro. As vezes, ela pode apresentar alguma carência, mas, para isso, um médico pode indicar vitaminas e suplementos", disse.

Veganismo x vida social 

Outro quesito apontado como impossibilitador de uma dieta livre de alimentos de origem animal é a vida social, porém, o nutricionista explicou que, atualmente, muitos restaurantes e estabelecimentos procuram oferecer opções livres de carne. Em Cuiabá, por exemplo, é possível encontrar o tradicional "baguncinha" em opções vegetarianas, em que o hamburguer bovino é substituído por ovos e batata-palha. 

As vezes, ela pode apresentar alguma carência, mas, para isso, um médico pode indicar vitaminas e suplementos

Ricardo Durante

Porém, em algumas situações, caso o vegano ou vegetariano faça parte de um círculo social que não entenda a posição ideológica de não consumir produtos de origem animal, pode ser que a rotina seja comprometida, de acordo com Ricardo. "As vezes a família não entende, alguns dizem para a pessoa 'parar de frescura', marcam encontros em churrascaria". 

Nas consultas, o nutricionista relatou que costuma ouvir que os pacientes veganos e vegetarianos passaram a formar grupos de pessoas que possuem a mesma posição para compartilharem dicas de alimentação.  

É possível viver sem carne?

Para Ricardo, é possível manter uma vida tranquila e saudável sem consumir produtos de origem animal. Ele contou que tem visto o número de vegetarianos e veganos aumentar, inclusive, por movimentos de retirar a carne do cardápio em apenas alguns dias da semana, como a #segundasemcarne, em que os internautas compartilham dicas, receitas e experiências de não consumir carne durante o primeiro dia da semana. 

Crianças e bebês 

Ricardo explicou que crianças e bebês que estão em dietas livres de alimentos de origem animal não correm nenhum tipo de risco à saúde, desde que possuam cardápios equilibrados com todos os nutrientes e vitaminas necessários para o corpo humano. Porém, o nutricionista alerta que possuem ressalvas quanto a própria escolha nessas faixas etárias. 

"Sabemos que quando retiramos um grupo alimentar [no caso a carne] isso pode criar muito mais fissura ou vontade. Pode ser que um dia ela vá em uma festa, coma algo de origem animal e goste. É um assunto mais polêmico, mas depende muito mais de como a família inteira conduz esses questionamentos", avaliou. 

Três anos sem carne 

Arquivo Pessoal

Aline Martielly

A estudante de jornalismo Aline Martielly, que decidiu adotar um novo estilo de vida

A estudante de Jornalismo da UFMT, Aline Martielly, de 21 anos, começou a retirar a carne do cardápio dela aos poucos, por conta de uma meditação que ela costuma praticar, em que é aconselhado que, durante a fase de preparação, não se consuma alimentos de origem animal. Certa vez, chegou a ficar um mês sem tais produtos e percebeu que não sentia falta. 

No começo, a universitária contou que a mãe dela se preocupou um pouco, já que Aline tinha um IMC abaixo do recomendado e estava fora do peso ideal. Porém, aos poucos, a família começou a perceber que a dieta sem carne não trazia maleficios para a saúde da jovem. "Minha saúde melhorou muito, na verdade, me sinto muito mais disposta". 

Apesar de ter começado a dieta vegetariana pelas recomendações da metidação, Aline contou que passou a refletir sobre o papel dos animais na Terra. "Um planeta deste tamanho, é impossível pensar que eles estão aqui apenas para servir de alimento para os humanos", justificou. De acordo com ela, as vontades e desejos alimentares não são "mais dignos" do que a vida dos animais. 

A universitária ainda não possui um estilo de vida 100% livre de produtos de origem animal, como exige a rotina vegana, por conta da correria diária que leva por se dividir entre faculdade e trabalho. "A grande diferença do estilo de vida vegano é que envolve higiene, vestuário e a alimentação, que penso ser o mais fácil, mas ainda me alimento muito na rua". 

Como faz refeições fora de casa, a jovem ainda não acha viável carregar todos os alimentos que for consumir durante o dia na mochila e também não consegue ter controle sobre a preparação feita em restaurantes e lanchonetes. Além disso, os preços de produtos veganos também não cabem na realidade da universitária, que não descarta o veganismo no futuro. 

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Comentários (1)

  • Bugre | Domingo, 03 de Novembro de 2019, 10h37
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